• Home
Facebook Instagram Twitter Youtube
Transgressor
    • Home
    • Cinema
    • Séries
    • Literatura
    • Música
    • Contos
    • Outros


    Entre erros, acertos, grandes sucessos, fracassos e séries que ninguém nota, está Marco Polo. Poderíamos dizer que ela tem um pouco de tudo isso. É um grande acerto, é um sucesso, mas também é um grande fracasso, talvez o maior fracasso da história da Netflix.

    Em 2016 a série foi cancelada, então é natural que você ainda não a tenha visto. Foram apenas duas temporadas, um orçamento digno de um blockbuster hollywoodiano e um prejuízo de quase 200 milhões de dólares. Falando assim, a série parece realmente um fracasso absoluto, indefensável, mas na verdade não é.

    Antes de tudo, acho importante explicar para você sobre o que é a série, qual é o seu plot, então vamos lá!

    A série conta como foram os primeiros anos de Marco Polo na corte do imperador Mongol, Kublai Khan. O jovem explorador italiano – que viria a se tornar uma lenda – foi tomado como prisioneiro pelo grande imperador, e passou a viver em um Reino próspero, mas dividido por intrigas, ambição e rivalidades.

    A história de Marco Polo é bastante conhecida. Ele foi responsável por aproximar a Europa da Ásia, seus livros foram traduzidos para dezenas de línguas e são até hoje vistos como grandes tratados geográficos e históricos. A série avança da prisão de Marco, até a guerra travada para evitar a grande divisão do império.

    Agora que você já tem alguma noção da história que a série conta, nós podemos ir um pouco além para falar mais sobre a série.

    A primeira temporada tem 10 episódios, com um orçamento de 90 milhões de dólares. Eu não sei se você tem a exata noção do que isso significa, mas é muito dinheiro até mesmo para uma grande produção de Hollywood. Os valores que foram gastos, sem dúvida são o ponto chave para compreender o “fracasso” da série, tendo em vista que a expectativa da Netflix era expandir bastante o seu público, produzindo uma série histórica que narra fatos acontecidos na Ásia. Não há nenhum americano no elenco, a série foi filmada em Veneza, no Cazaquistão e na Malásia. É o primeiro “Drama Histórico” da Netflix, e por todos esses elementos esperava-se muito da série. As expectativas não foram alcançadas e por isso a série acaba em sua segunda temporada.

    A série começou a ser produzida pela “Starz”, mas depois de ter alguns problemas com a China, a Netflix, em parceria com a “The Weinstein Company”, assumiu o projeto e lançou a série. Depois do cancelamento, John Fusco, idealizador do projeto até cogitou retomar a série sem a Netflix, mas isso foi antes dos irmãos Weinstein’s, terem seus nomes ligados a uma série de casos de abuso sexual em Hollywood. Ou seja, é bem provável que essas duas temporadas sejam tudo o que teremos de Marco Polo – Pelo menos nesse formato.

    Enfim, agora que já falamos dos números altíssimos e das expectativas da Netflix, podemos falar dos grandes méritos da produção.

    Uma das coisas que me encanta na série é o seu design de produção. Todas as cenas possuem uma construção muito complexa. Se a cena acontece na sala do trono, você vê o design do trono e as roupas do Khan, sempre compostas por elementos típicos da cultura Mongol, os móveis, armas. Enfim, foram construídos mais de 51 cenários complexos, buscando a maior aproximação possível dos relatos da época, contando, para isso, com pessoas que estiveram envolvidas na produção de “O último samurai”, além de historiados que focaram seus estudos no período específico. Essa preocupação de retratar a estética histórica, somada ao orçamento da série, resultam em um espetáculo visual, em que a mise en scene é composta, é completa, é cheia de elementos que dão à série esse ar histórico e extremamente realista.

    Os atores tiveram de passar por grandes transformações para encarnar seus personagens históricos. Benedict Wong (Dr. Estranho, Guerra Infinita), precisou engordar 16 quilos e raspar o cabelo diariamente para interpretar o grande Imperador Kublai Khan. Lorenzo Richelmy, precisou aprender Inglês, montaria, artes marciais e lutas com espada, além de ter trabalhado muito seu porte físico. O elenco ainda tem outros ótimos atores, como Zhu Zhu (A Viagem), Tom Wu – que ganhou um especial pertencente ao contexto da série Marco Polo − (Batman Begins, 007 – Operação Skyfall), Joan Chen (O Último Imperador, Twin Peaks), Chin Han (Batman Cavalheiro das Trevas, Capitão América 2), além de atores que só haviam feito pequenas pontas.

    Como a trama de Marco Polo é recheada de intrigas, vaidades e ciúmes, todos os atores que compõe a corte de Kublai Khan, acabam realizando um trabalho muito importante na construção de seu personagem. Remy Hii é o Príncipe Jingin, filho do imperador Kublai Khan e ele vai muito bem dando pequenas indicações sobre o ciúme que sentia quando via seu pai, o Grande Imperador, dando ouvidos à Marco, um estrangeiro. Ele trabalha isso de forma bastante sútil, com um ou outro momento mais ríspido. Mahesh Jadu, interpreta Ahmad, um dos protegidos, conselheiros e ministro financeiro de Kublai, mantendo sempre um tom solene, elegante e astuto. Sempre nos falando mais sobre si mesmo com os olhos, do que com a boca. Enfim, a série demanda de todos os envolvidos um grande esforço e se você assistir a série, não lhe restará dúvida que todos compreenderam sua função e seu papel.

    A série evolui de forma muito orgânica, apresentando novos núcleos e colocando os personagens em novas situações. Você assiste a série ligado o tempo todo, prestando atenção nas novas linhas e conexões, nas novas intrigas e armações. Nesse sentido, não poderia deixar de falar do cuidado do roteiro em desenvolver essas tramas e tramoias, sem mudar o tom da série e sem perder o foco na trama principal. Ao mesmo tempo que a série aprofunda a relação entre os personagens – e faz isso muito bem −, ela apresenta uma trama romântica, apresenta tramas políticas, apresenta conflitos sociais e faz tudo isso de forma suave e natural. A série te permite compreender absolutamente tudo o que está acontecendo, desde a trama menor até o conflito principal.

    Então, Marco Polo é um prato cheio para que gosta de séries históricas, é um prato cheio para quem se encanta com personagens complexos, intrigas e jogos de poder. A série acontece na Mongólia Medieval, na corte de Kublai Khan, neto do grande Gengis Khan, que conseguiu, inspirado por seu avô, estabelecer a Dinastia Yuan que durou 97 anos. A série nos dá um roteiro riquíssimo, excelentes atuações, personagens interessantíssimos e um visual arrebatador. Uma série de narrativa rica e de um belo trabalho de ambientação histórica. Uma produção caríssima, que gerou uma excelente série. Cancelada, infelizmente.

    São duas temporadas com 10 episódios cada. Desfrute essa série, aproveite. É uma das melhores coisas já feitas pelo Netflix.







    Continue Reading


    Mr.Robot é uma excelente série. E acredite, ela vai muito além das frases que viram posts para o facebook. Mr.Robot nos apresenta o mundo de uma forma muito pessimista. Apresenta a sociedade na forma de uma cebola, formada por camadas e camadas e camadas, poder, influência e manipulação, coisas que nós nem ao menos conseguimos imaginar. De certa forma, podemos estabelecer um paralelo com a série House of Cards, que também mostra de uma forma bem interessante essas múltiplas camadas da política e do poder.

    A série apresenta um grupo de Hackers que quer pôr fim à maior corporação do mundo, uma empresa que trabalha em diversas frentes e que praticamente assumiu o monopólio mundial de tecnologia. As pessoas são dependentes dessa grande empresa e esse grupo quer acabar com isso, devolver ao povo a liberdade, apagando dívidas e destruindo registos bancários. Esse grupo de Hackers, denominado “Fsociety” passa a trabalhar atrás das telas para destruir o capitalismo. Aqui nós podemos estabelecer outro paralelo, dessa vez com Clube da Luta.

    O Protagonista da série é Elliot Alderson, um jovem que vive oprimido pelo seu passado, sofre de transtorno de ansiedade, depressão e é viciado em morfina, ao mesmo tempo que é um Hacker talentosíssimo. A complexidade desse personagem é tamanha que a fotografia e a direção de câmeras são totalmente influenciadas pelo seu estado de espírito. A série não tem medo de ousar na forma de filmar as cenas e aproveita dos problemas do personagem, para refletir esse estranhamento nas câmeras. Quando Elliot recebe uma notícia que vai contra os planos que havia feito, a câmera filma de cima para baixo, ou invertida, quando Elliot está drogado a câmera se aproxima dele, distorcendo sua imagem, enfim, a instabilidade do personagem é refletida na fotografia o tempo todo e isso é criativo e corajoso, é um elemento muito bem utilizado para contar essa história.

    É interessante ver como a série vai construindo o personagem e a sua identidade visual e estilística. A fotografia, por exemplo, é quase sempre muito lavada, dessaturada, muitos tons de cinza, assim como o personagem, que está sempre de preto (Exceto no trabalho), refletindo o seu estado emocional e psicológico, como se estivesse em um quarto escuro, cercado por todas as experiências ruins que teve em sua vida. O preto também é entendido como ausência de luz, ao passo que o branco é entendido como a presença de luz. Outra vez a analogia do quarto escuro. Elliot é formado de experiências negativas e problemas que a série vai apresentando aos poucos, dando cada vez mais profundidade ao personagem.

    “Mr.Robot” (Christian Slater) é o líder do grupo Fsociety e por conhecer muito bem o talento de Elliot, o convida para integrar o grupo que será responsável pela maior reviravolta da história da humanidade. Ao destruir a megacorporação E-Corp, o grupo construíra um novo mundo. Esse é o ideal compartilhado por Darlene (Carly Chaikin), Mobley (Azhar Khan), Trenton (Sunita Mani), Elliot (Rami Malek) e Mr.Robot (Christian Slater). A relação entre Mr.Robot, Elliot e Darlene, é uma relação interessantíssima, mas qualquer informação é um spoiler – Vale a pena a surpresa.

    A série tem um clima bem tenso o tempo todo. Estamos lidando com um evento que pode mudar completamente o rumo do mundo, estamos diante daquilo que pode ser a derrocada da maior corporação da história da humanidade, então não poderia ser diferente. Existem muitas pessoas interessadas. Existem políticos, existem grandes empresários, existem nações interessadas nessa possível mudança, existem pessoas esperando o momento certo para assumir o controle quando a bomba explodir.

    A série constrói muito bem esse clima. Quando estamos falando de Hackers, estamos falando de pessoas poderosíssimas, cujo talento pode ser usado de qualquer forma. Quero dizer, o que protege nossas informações não passa de uma porta com a chave para o lado de fora, eles podem entrar e capturar o que quiserem, quando quiserem. Agora pensando no potencial que hackers talentosos têm, unidos por um ideal.... Digamos que a série até flerte um pouco com o clima de Guerra Fria e espionagem, entende? É um jogo e só os melhores vão sobreviver.

    Mr. Robot é uma série realmente interessante. É difícil escrever sobre ela sem dar grandes spoilers, porque a série tem ótimas reviravoltas. Aconselho que se você for assistir, assista sem procurar nada a respeito na internet. Vá para a série sabendo apenas o que te contei e deixe que a estética da série, as câmeras, os personagens, a música e esse ideal te guiem por essa narrativa complexa, interessante e muito reflexiva.

    A Série criada por Sam Esmail, têm 3 temporadas e brinca com o “E SE”, de forma muito provocativa. Citando os paralelos outra vez, a trama tem um pouco de Clube da Luta e um pouco de House of Cards, o que já seria o suficiente para ser muito boa, mas ela consegue assumir uma identidade particular, pautada principalmente na complexidade de Elliot Alderson e na boa construção de trejeitos de Rami Malek, apostando na apresentação de personagens poderosos e interessados em um “apocalipse” que pode ser começado com um simples clique, a pergunta que fica é:

    Existe liberdade para nós?

    FSociety,
    Continue Reading

    Peaky Blinders é uma série britânica que conta os feitos e realizações dos irmãos Shelby’s, líderes da gangue Peaky Blinders. Os acontecimentos são concentrados em Birmingham, a partir das consequências imediatas da primeira guerra.

    A série foi criada por Steven McKnight. Um roteirista consolidado, que viveu seu grande momento em “Senhores do Crime” e vêm melhorando ainda mais seu trabalho, depois de realizar Locke (2013), Peaky Blinders (2013-Presente), e Taboo (2017-Presente), série que tem sido muito elogiada pela crítica e pelo público. Tom Hardy, aparentemente, tem um papel muito importante em todos os grandes trabalhos recentes de Steven Knight. É o protagonista de Locke, tem um papel muito interessante em Peaky Blinders e é um dos co-criadores de Taboo.

    Peaky Blinders é uma produção muito bem realizada. A ambientação pós-guerra, 1919-1920, é muito bem-feita por todo a direção de arte e design de produção em geral. Isso fica bem claro nos contrastes que o figurino estabelece entre as classes sociais, mostrando a elegância de uns e a miséria visual de outros. A série não oferece um mergulho completo na sociedade inglesa, mas os recortes sociais que a série vai nos dando aos poucos, refletem com precisão o estado em que as coisas andavam naquele momento. As metalúrgicas, os sindicatos, os trabalhadores e a alta sociedade, mas a série ainda melhora quando se dispõe a mostrar a violência e a forma como a Guerra transforma as pessoas.

    Thomas Shelby (Cilliam Murphy) talvez seja o melhor exemplo dos efeitos da Guerra. Ele sempre fora o mais inteligente dos irmãos, mas depois da Guerra, quando voltou para Birmingham, ele assumiu os negócios da família, a liderança da gangue e passou a traçar planos para o crescimento da família Shelby. Seu irmão mais velho, Arthur Shelby (Paul Anderson) e seu irmão mais novo John Shelby (Joe Cole), tiveram de aceitar a liderança do irmão e ajuda-lo em seus planos. Nesse sentido, Polly Shelby (Hellen McCrory), tia e conselheira da família Shelby, foi fundamental mostrando a todos que Thomas realmente deveria ser o líder.

    A série trabalha os personagens de uma forma muito cuidadosa. Os atores vão muito bem e você percebe a profundidade dos personagens, percebe as motivações, os defeitos, e isso tudo acontece de forma bem orgânica. A série, nesse sentido, tem personagens muito marcantes, a começar por Thomas Shelby, interpretado com maestria pelo ótimo Cilliam Murphy, indo para a 2º temporada temos Alfie Solomons, interpretado por Tom Hardy com monólogos e trejeitos muito bem entregues e na 4º temporada temos o vencedor do Oscar Adrien Brody, interpretando Luca Changretta, um mafioso italiano em busca de vingança. Peaky Blinders trabalha muito bem a inserção de novos personagens na trama, e bons personagens merecem bons atores e nesse ponto, o casting da série foi muito preciso.

    O subtítulo da série no Brasil, é: Sangue, Apostas e Navalhas. A Gangue Peaky Blinders faz o que é necessário para atingir seus objetivos, então isso tudo é verdade. Muito sangue, manipulação, jogos políticos e violência. A estrutura narrativa da série, segue um padrão. Cada temporada, apresenta um novo "inimigo", novas complicações e uma resolução.

    A Fotografia da série é uma das coisas mais belas pertencentes ao universo das séries. As composições são sempre muito bem construídas, a iluminação é muito bonita, principalmente utilizando os elementos industriais para dar alguns toques sutis, que fazem efeito na fotografia, como faíscas, por exemplo. A coisa é tão boa que eu aposto que se você colocar em qualquer episódio, e pausar tela a tela, você sempre vai ter um frame bem capturado e que, mesmo de forma sutil, comunica algo além, ajudando a história a fluir. Eu particularmente gosto muito de todo o tom visual da série. As cores não são saturadas. O visual é bem cinza, um pouco azulado. O que acaba conversando muito bem com toda a ambientação da série. É um momento em que a tecnologia ainda não está muito desenvolvida, Birmingham é uma cidade industrial, metalúrgica, as ruas ainda não são asfaltadas. Então essa decisão acaba ajudando a construir essa atmosfera "suja".

    Para os amantes da boa música, a série faz uma brincadeira que eu acho deliciosa. As realizações da Gangue Peaky Blinders, foram realizados no pós-guerra, a partir de 1919, mas a série coloca músicas da cultura pop posteriores aos eventos da série, brincando com essa ambientação muito fiel e esse elemento musical que aproxima a série de nós. Então nós temos muito Arctic Monkeys, Radiohead, Nick Cave, Jonny Cash, David Bowie etc..... Muitos desses artistas, seria sábios se tentassem algum acordo para ter algum momento da série como videoclipe oficial. Então, a música está tocando, as baterias, guitarras, os Peaky Blinders estão vindo em nossa direção, estamos vendo-os através de uma poça d’água e então eles passam por cima de nós, esbanjando elegância, charme, estilo e poder.

    Mas a série não tem nenhum problema? Tem! Tem um problema bastante sério, na verdade.

    O Protagonista Thomas Shelby (Cilliam Murphy) é construído durante toda a série, como um homem muito inteligente, astuto e manipulador. Um anti-herói elegante, carismático e que mantém as coisas sob controle. Nós vemos como ele constrói seus planos, lida com as adversidades e resolve problemas, sempre com uma racionalidade que beira o genial. Essa construção, acaba se tornando uma muleta para a série em diversos momentos.

    O roteiro vai metendo os personagens em situações complicadas, e mais complicadas, e mais complicadas, até que chega um momento em que os tirar dali é praticamente impossível. E então, o roteiro utiliza a muleta que ele construiu durante a série, e de forma absurda remove os personagens do perigo que estavam enfrentando.

    Esse é o maior problema de Peaky Blinders. Algumas soluções beiram o Deus Ex-Machina, com a desculpa de terem construído um personagem tão genial, quase onisciente. Você aceitou essa construção, então fazer o que?

    Mesmo com esse problema, a série continua muito boa. É um espetáculo visual, tem personagens muito complexos e tem atuações muito boas mesmo. Principalmente as três que citei acima, Cilliam Murphy, Tom Hardy e Adrien Brody. Esses três dão um show de atuação na série.

    Peaky Blinders é uma ficção histórica que conta os feitos, realizações e atos violentos da gangue, em busca de poder e influência. A série é muito bem produzida, é visualmente maravilhosa e tem uma ambientação que facilita sua imersão nesse mundo criminoso e extremamente sedutor.
    Continue Reading

    Assistir Westworld é ter a certeza de estar assistindo uma produção gigantesca, arquitetada com muita inteligência e executada com perfeição. E nesse sentido, é impressionante como a HBO não cansa de se superar. Suas produções crescem cada vez mais, se tornam cada vez mais ambiciosas, cada vez mais corajosas e seus acertos se acumulam aos montes. Westworld é um retrato da soberania da HBO quando o assunto são as séries para televisão.

    O projeto arquitetado pelo incrível Jonathan Nolan, corresponsável por quase todos os trabalhos de Christopher Nolan, é impecável. A trama segue um ritmo muito cadenciado. As coisas vão acontecendo no tempo que precisam acontecer. As coisas são mostradas na hora que precisam ser mostradas. Os personagens vão sendo apresentados sem pressa. Jonathan Nolan, mantém o controle da trama e do ritmo com uma mão bem segura. A série transcorre de forma que você entende. Eles sabem absolutamente tudo o que estão fazendo.

    A premissa da série é fantástica. Westworld é um parque com o tema “Western”, onde pessoas pagam cerca de 40 mil para viver um dia no Velho-oeste. Essa experiência é completamente imersiva. Você pode fazer absolutamente tudo o que quiser, sem julgamentos e sem avaliações. O ponto é que o parque é dividido entre Humanos e Máquinas. Existem máquinas extremamente reais, com personalidade, background e com uma narrativa a cumprir. Isso significa que você é colocado em um mundo onde tudo, absolutamente tudo, tem uma razão de ser. Enfim, são inteligências artificiais realmente inteligentes, e isso é possível pelos avanços tecnológicos – A série é ambientada em 2050 – e pela genialidade do Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins) e Arnold, os dois idealizadores do parque.

    A partir dessa premissa, nós acompanhamos várias narrativas paralelas. Acompanhamos a narrativa de visitantes do parque, acompanhamos a narrativa de alguns personagens, acompanhamos a narrativa do Dr. Robert Ford tentando manter o controle do parque, mesmo em meio a pressão da diretoria, enfim.... Westworld é uma série gigantesca, com muitos personagens primários, muitos personagens secundários e muitas narrativas paralelas.

    São muitos personagens e muitas narrativas, o ponto interessante sobre isso, é que tudo parece ter uma base enorme, cada personagem tem um background, por mais coadjuvante que seja. Toda narrativa tem seus desdobramentos. Isso evidencia o trabalho muito bem feito de roteiro e construção de mundo.

    Outro ponto interessantíssimo, é a coragem da série em apresentar discussões e temas complexos, sem mastigar demais as coisas. A série apresenta uma discussão filosófica muito antiga, sobre a natureza da nossa realidade e o faz de forma orgânica, é o plot da história. Ela não para e desenvolve esse conceito, ela vai apresentando esse conceito aos poucos, até o final da primeira temporada, quando você está no chão juntando os pedaços do seu cérebro que caíram durante a explosão.

    Fica maçante ficar elogiando a produção da HBO, mas é inevitável. O trabalho que a emissora realiza é maravilhoso e em Westworld isso fica ainda mais evidente. A começar pelo Casting dessa série que talvez seja a coisa mais absurda que eu já tenha visto. Nós temos Evan Rachel Wood, Jeffrey Wright, Ed Harris, Anthony Hopkins, Thandie Newton, James Marsden, Jimmi Simpson, Ben Barnes, Tessa Thompson, Rodrigo Santoro…. Todos esses rostos muito conhecidos, dispostos entre personagens principais e coadjuvantes, todos funcionando muito bem, com atuações consistentes e importantes para a trama.

    Destaco Anthony Hopkins que esbanja técnica, experiência e mostra sua qualidade como Dr. Robert Ford, um homem misterioso, um papel cheio de nuances. Há um momento em que ele entrega uma sequência de expressões faciais incríveis, em poucos segundos. Destaco também Evan Rachel Wood, que na série interpreta Dolores, uma máquina que possui uma narrativa e precisa cumpri-la. Há um momento fantástico, onde um técnico do parque interage com ela e ela demonstra euforia, mas no momento seguinte ele emite um comando e ela precisa fechar o rosto imediatamente e chorar. E ela entrega exatamente isso. É fantástico. Por fim destaco Jeffrey Wright, como Bernard Lowe, um dos programadores do parque. E de verdade, a atuação dele é incrível. Ele convence demais, nos deixando muito confusos em um determinado momento da trama.

    A série possui uma ambientação de Western dentro do parque, então a fotografia traz vários elementos da fotografia típica dos westerns do século passado. Homenageia muito Sérgio Leone, Clint Eastwood etc....

    Um ponto interessante é a brincadeira que a série faz em sua trilha sonora. E aqui, temos o ótimo Ramin Djawadi, que também é o responsável pela trilha brilhante da 6º temporada de Game of Thrones. Ele realiza mais um trabalho fantástico na série, com uma trilha instrumental belíssima e com um elemento interessante de jogar nesse western, algumas músicas pop’s dos nossos tempos. Então temos Amy Winehouse, Adele, Radiohead, Nirvana etc..... É um pontinho interessante que você nota e acaba sendo bem divertido.

    Jonathan Nolan é o principal nome do projeto, mas a direção é bem dividida. O próprio Nolan dirige apenas dois episódios. Richard J.Lewis dirige 3 episódios e até Michelle MacLaren (The Deuce) também dá sua contribuição dirigindo 1 episódio.

    O que mais me chama atenção é a veia filosófica que a série apresenta. É uma premissa muito interessante, que nos é apresentada de uma forma muito inteligente. Westworld em sua primeira temporada é uma série fantástica. Um universo gigantesco que se abre para nós e é também, sem dúvida alguma, uma obra da cultura pop com potencial para transformar o universo das séries, através de sua proposta filosófica e complexa. CHEGA DE MEDIOCRIDADE!

    PS: O primeiro episódio da 2º temporada será transmitido no dia 22/04/2018
    Continue Reading


    Eu não sou o tipo de pessoa que desiste de uma série ou para no meio de um filme. Por pior que seja, eu continuo assistindo até o final. Se isso é bom ou ruim, eu não sei, só sei que desisti de ver Bojack Horseman três vezes antes de entender a profundidade e o impacto dessa obra.

    Eu larguei Bojack Horseman três vezes porque eu não estava no momento certo para assistir a série. As discussões propostas não faziam tanto sentido, eu não me conectava com os personagens, achava o enredo enfadonho.... Hoje, tendo terminado a quarta temporada eu posso dizer com o maior prazer do mundo: Bojack Horseman é uma das minhas séries preferidas!

    Em um momento eu abandono a série e em outro estou colocando-a entre as minhas séries prediletas. É estranho né!? O ponto que quero chegar nesse primeiro momento, é: Existe um momento ideal para ter contato com determinadas obras. Eu tentei ver Bojack em um momento em que tudo ia maravilhosamente bem. Não funcionou. Tentei ver Bojack em um momento de muitos questionamentos, incertezas, medos e fui completamente absorvido pela trama, senti cada impacto, participei de cada discussão, me identifiquei.

    Basicamente, a série trabalha a vida de Bojack Horseman, um ator que protagonizou uma série na década de 90, e agora vive à sombra daquele sucesso, amargando uma vida depressiva, regada a álcool, drogas e sexo casual etc....

    É importante dizer que estamos falando de um desenho, uma animação. Isso me espanta – de maneira positiva -, porque é algo considerado infantil trabalhando temas sérios, temas “adultos”, temas provocativos.

    Muitas coisas podem ser ditas sobre Bojack Horseman. É uma série divertida, tem ótimos personagens, um elenco muito bom, referências a cultura pop, enfim, a série como entretenimento puro cumpre muito bem o seu papel. O que me chama atenção mesmo é a forma como a série se desdobra em várias camadas.

    Bojack Horseman é um personagem completamente ferrado. Quero dizer, internamente ele é um caos completo. Tem muitos problemas com seu passado, com a relação com seus pais. Muitos de seus dilemas atuais têm relação com esse passado. A forma como Bojack lida com as pessoas é interessantíssimo, porque ele sempre parte do pressuposto de que em algum momento ele vai estragar tudo, o que o faz evitar ter relações profundas com qualquer pessoa. Enfim, Bojack tem essas camadas que dão ao personagem um ar extremamente real.

    Ao mesmo tempo que o protagonista, Bojack, vai mostrando suas camadas, a série vai evoluindo seus núcleos, de forma que os personagens coadjuvantes também vão ganhando peso. Com o passar dos episódios e temporadas os coadjuvantes vão se desdobrando e mostrando como também são ferrados. Mostrando que também tem medos, inseguranças e traumas.

    Esses elementos “psicológicos” engrandecem demais a série. Cada personagem colabora dando mais profundidade, dando mais peso a trama. Nesse sentido, temos que agradecer muito ao criador e roteirista Raphael Bob-Kaksberg, que desenvolveu personagens complexos, tridimensionais. Personagens com bagagem, história. Personagens com personalidade.

    Eu amo demais a forma como a série evolui. É uma das escaladas mais bem-sucedidas que eu já vi! É impressionante como a série consegue trabalhar o humor muito bem, sem ficar preso a esse elemento. Como eu disse acima, a série consegue trabalhar problemas muito adultos, muito sérios. A personagem da Princesa Carolyn (Amy Sedaris), por exemplo, ganha muito peso quando a série passa a trabalhar os seus problemas interiores. Quero dizer, ela é uma mulher que já passou dos 30 e não tem filhos. Ela quer ter filhos, mas já está tendo de lidar com sua parte biológica, então ela amarga esses questionamentos, esse medo de não realizar um sonho. Enfim....

    Outro elemento interessantíssimo presente na série, é a crítica a Hollywood. Uma crítica muito séria e importante ao universo das celebridades. Ao universo hollywoodiano. A forma como essa indústria funciona e trata as pessoas, seus mecanismos. Nesse sentido a série se mostra pontual, porque estamos vivendo mais uma revolução em Hollywood com a sucessão de escândalos sexuais que estão vindo à tona.

    Eu abandonei a série e depois fui completamente absorvido. Me emocionei diversas vezes, dei ótimas risadas e em muitos momentos fui provocado a refletir. Creio que não falte nada a Bojack Horseman enquanto série, porque ela concretiza muitos mais do que promete, nos dando uma escalada progressiva que vai de uma boa primeira temporada à uma quarta temporada fantástica!

    Bojack Horseman é a prova de que existe um momento certo para algumas coisas. Eu assisti na hora certa e me identifiquei demais. Quem sabe não seja a sua hora de assistir Bojack Horseman?

    Continue Reading

    As ruas, as putas, os cafetões e o crescimento da indústria pornográfica... Parecem temas pesados para uma série de televisão? Você não viu nada! The Deuce é um projeto extremamente corajoso − por ser muito visceral −, e extremamente bem pensado, afinal, estamos falando de HBO e estamos falando de David Simon, um dos maiores responsáveis pela evolução das séries para televisão.

    Em The Deuce, estamos acompanhando o surgimento/desenvolvimento da indústria pornográfica em Nova Iorque. Para trabalhar essa temática a série utiliza duas linhas principais e estabelece um elenco de coadjuvantes muito interessantes. Coadjuvantes bem escritos, que se desenvolvem e que, de forma orgânica, acabam interferindo no desenvolvimento dessas linhas principais a cada novo cruzamento. Essa forma de trabalhar subtramas e entrelaça-las pode não parecer novidade, mas saiba que foi David Simon e a Hbo que realizaram as primeiras grandes séries com essa marca narrativa.

    A série é muito bem ambientada na década de 70. Aquela Nova Iorque exposta na série realmente existiu. Um lugar abandonado, cheio de desesperança e desespero. Um lugar cheio de limites sociais bem estabelecidos, onde os Cafetões cuidam de suas meninas, da sua maneira, com violência, intimidação, humilhação e você cuida das suas coisas e não se mete. Um lugar onde a polícia é corrupta, gângsteres agem nos bastidores, onde jovens do interior desembarcam em busca de sonhos e encontram dores e lutas.

    Apesar de ser visualmente uma série muito agradável, − e aqui volto a ressaltar a ambientação da série −, o tema em si é muito duro e os personagens que compõe a série são pessoas muito machucadas. A vida nas ruas é muito brutal e os personagens precisam lutar por sua sobrevivência e pela sobrevivência de seus dependentes. A vida é assim, é dura e para pessoas que trabalham diariamente nas ruas isso tudo é amplificado. A série consegue transmitir isso com perfeição.

    The Deuce tem um ritmo bem cadenciado. Suas linhas temporais são muito bem desenvolvidas, o que acaba tornando a experiência bem interessante. É uma evolução “lenta”, mas, a forma como os personagens são desenvolvidos, faz com que os 8 episódios da primeira temporada passem com fluidez, e deixem aquele gostinho de quero mais.

    A HBO simplesmente é especialista em selecionar as pessoas certas para os papéis certos. O casting de The Deuce foi muito bom, desde a escolha de James Franco e Maggie Gyllenhaal, até as escolhas dos coadjuvantes dos coadjuvantes. A série tem aquela verossimilhança que torna tudo ainda mais grandioso. Os personagens complexos e as atuações muito positivas do elenco, fazem com que a sua preocupação com cada um deles cresça na medida em que eles se colocam em novas situações, seja tentando fugir da ação dos gangsteres, ou tentando fugir das ruas e da violência, não importa. Os personagens vão se desenvolvendo e você vai estreitando cada vez mais os laços, de forma que você passa a sentir muito a opressão de The Deuce.

    The Deuce utiliza muito bem toda a linguagem cinematográfica na construção gradual do suspense e na conclusão dessa escalada. Os episódios são muito bem dirigidos, e eu particularmente gosto bastante dos episódios dirigidos por James Franco. Michelle MacLaren é a grande responsável por dar o tom da série, e o texto de David Simon sem dúvida nenhuma torna tudo mais fácil.

    A utilização da nudez e da violência é dosada com perfeição. A série tem um ar de cinema, apesar de ser uma série para a tv, o que eu acho maravilhoso, tendo em vista que a década de 70 é recorrente nas produções cinematográficas, e agora temos mais uma ótima série ambientada nesse período, mas uma série que não se limitou em repetir temáticas de outros filmes e séries, mas escolheu tratar toda a opressão e dúvidas da época a partir de uma perspectiva diferenciada.

    The Deuce é uma série muito interessante. Gosto da forma como a nudez e a violência são utilizadas para nos constranger, mas não constranger por conta do ato sexual ou da violência em si, mas nos constranger a respeito das várias formas de prisão e opressão demonstradas durante a série. É um constrangimento que não tem relação com os gemidos e orgasmos, mas que tem como objetivo nos fazer pensar a respeito das pessoas, da liberdade e das várias opressões disfarçadas de proteção e até mesmo de amor.

    Continue Reading

    Você mora na cidade há alguns bons anos. Já se acostumou com o ar denso e poluído dos grandes centros. Você vai para o interior. Muitas árvores, céu claro. Você enche seus pulmões de um ar puro, acha aquilo mágico. Seu pulmão está explodindo de alegria dentro do seu peito. American Gods é tipo essa sensação.

    A série tem uma premissa fabulosa, é importante lembrar que é uma adaptação da obra de um dos mestres da fantasia, Neil Gaiman. Imagine que os Deuses Antigos, aqueles que foram adorados por Vikings, ou por povos africanos, gregos.... Esses Deuses acabaram perdendo o espaço e o poder, na medida que seus povos também foram sendo reduzidos ou aniquilados. Ao mesmo tempo, com o desenvolvimento das tecnologias e a mudança do homem, novos Deuses foram surgindo, como a televisão e os celulares. Imagine então que os Deuses antigos não estão contentes com isso. Imagine que eles farão algo para mudar essa situação. Cara, isso é genial!

    A série possuí uma estética totalmente diferente, que aliada a essa premissa interessantíssima, rendem uma primeira temporada bem memorável.

    A série manipula muito bem a imagem, causa um estranhamento no começo, mas é um estranhamento muito bom. O contraste berrando, os slow-motions, o sangue que jorra, a nudez escancarada. Eu gosto muito da forma como a produção lidou com a temática dos Deuses, porque a série realmente tem todo esse ar “místico”, que ganha força em momentos pontuais e contribui para a formação e compreensão dos personagens e da história no geral. A estética me remete muito a trabalhos de Zack Snyder, o que é bem bacana, por sinal.

    O elenco da série também é muito interessante, a começar pelo grande Ian McShane, interpretando o Mr. Wednesday, pela pequena e ótima Emily Browning, interpretando Laura Moon e Pablo Schreiber, interpretando o Leprachaum. O protagonista da série é Ricky Whittle, que interpreta Shadow Moon, nosso laranja. Ele não vai mal, mas nota-se a diferença dentre ele e os outros atores citados acima. Peter Stormare e Orlando Jones tem pequenas, mas ótimas participações. Gosto muito dos personagens destes atores.

    A série tem uma estrutura bem ousada, que eu particularmente não gosto muito, mas reconheço e apoio a iniciativa. Todo episódio tem um pequeno curta, alguns são animados, outros interpretados, mas todos fazem menção a essa mudança na forma como as pessoas executam sua fé. Esses curtinhas mostram a forma como alguns deuses se perderam, a forma como outros atuam ou passaram a atuar a partir da mudança do homem. Esses curtinhas são bem legais, eu gosto. Meu problema nasce no episódio 4, quando passamos um episódio inteiro acompanhando uma personagem secundária. Ela acaba recebendo um dos núcleos da série, ganhando mais tempo de tela e particularmente eu não gosto desse desvio que a série faz. A personagem é bem explorada, seu núcleo é bem desenvolvido, mas eu queria ver mais de Shadow Moon e Mr. Wednesday, esse desvio me incomoda e depois o núcleo da personagem ainda ganha um background histórico por meio de flashbacks, o que me incomoda mais ainda. Esse é o único ponto que eu realmente não gosto na série.

    Se você já está cansado daquelas mesmas seriezinhas, daquela mesma estética batida e cansada, se você já está cansado das narrativas mais comuns, American Gods será um prato cheio para você devorar.

    A série está disponível na Amazon Prime Vídeo. Recomendo a assinatura, você ganha 7 dias gratuitos, fica 6 meses pagando R$7,90 e depois o valor fica em R$14,90. O Streaming da Amazon tem algumas séries bem interessantes e um bom catálogo de clássicos do cinema.

    American Gods é aquele arzinho puro que seu pulmão está precisando!

    Continue Reading


    Ricky Gervais é um cara talentosíssimo. É comediante, ator, diretor, roteirista, produtor, ex-músico e mais uma porrada de coisa. A revista Time o colocou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo. Apresentou uns 3 globos de ouro em 6 anos. (Pula essa introdução)

    Recentemente eu vi “The Office”, uma série britânica escrita, dirigida e protagonizada por Ricky Gervais. O elenco também tinha nosso querido Martin Freeman, Mackenzie Crook e Lucy Davis. Então, são apenas duas temporadas, a primeira tem 6 episódios e a segunda 8 episódios. Eu vi bem rápido, porque a série é uma delícia e também porque estava prestes a sair do catálogo da Netflix.

    A série é feita no formato de falso documentário e mostra o dia a dia do Escritório comandado por David Brent (Ricky Gervais). É o humor que eu amo. Aquele humor de constrangimento, humor negro britânico, cara é muito bom.

    Depois disso Ricky Gervais, manteve o personagem vivo e fez mais alguns “spin-offs” da série, mas nada tão grande quanto The Office. Sua série foi tão bem recebida que acabou gerando uma versão Americana, protagonizada por Steve Carrell.

    Enfim, o que quero indicar realmente é seu stand-up “Humanidade”, lançado na Netflix recentemente. É um stand-up curto, tem 1 hora e 19 minutos. Ricky Gervais é um comediante que domina o palco, conhece suas piadas e as faz sem temer a recepção do público. Cara, é uma das coisas mais inteligentes e engraçadas que você vai encontrar na Netflix, de verdade.

    Além de garantir risadas que você só daria sozinho, Ricky Gervais também lhe dá um estudo dissecado da natureza da piada e nos mostra que quem não ri é que está perdendo. O humor é uma das coisas mais importantes para nossa sobrevivência, numa boa, a vida não é tão legal assim. Por favor, faça piadas pesadas e dê boas risadas.

    Ah! Veja o stand-up do Ricky Gervais e veja as apresentações dele no Globo de Ouro. É muito bom ver ele tirando sarro do Mel Gibson, do Johnny Depp e do Downing Jr.

    Vou deixar os links aqui :)

    Globo de Ouro 2010 - https://www.youtube.com/watch?v=qTDjsf79nN4
    Globo de Ouro 2011 - https://www.youtube.com/watch?v=soOQGg3taS8
    Globo de Ouro 2012 - https://www.youtube.com/watch?v=5Rc8cSWc810
    Globo de Ouro 2016 - https://www.youtube.com/watch?v=6-m0EY4Zbnk
    Continue Reading

    Big Little Lies é uma série sobre mulheres ricas. Interessante? Definitivamente não, a verdade é que seria muita maldade resumir tudo a isso. A série vai muito além desse primeiro estereótipo babaca, nos dando uma série completa, consistente, emocionante e muito, muito, muito importante.

    A HBO está um patamar acima de qualquer outra produtora que está envolvida com séries. O trabalho que eles realizam, o cuidado que tem com seus produtos e a qualidade do que entregam é absurda. A HBO comete pouquíssimos erros, e Big Little Lies é um acerto bem no centro do alvo.

    Big Little Lies conta a história de 3 mães e amigas que têm filhos estudando no mesmo colégio. A trama parece boba, pois as primeiras fagulhas surgem da arrogância, da prepotência e do orgulho. E você imagina que são só mulheres brancas e ricas com seus problemas, entretanto, a série utiliza essa sua expectativa inicial para te imergir na vida dessas mulheres, fazendo com que você entenda, sofra, ria, fazendo com que você acompanhe aquela história e não consiga se manter neutro.

    O roteiro não falha em nos fisgar. A série vai te iludindo e alternando a narrativa com alguns fragmentos de um “interrogatório”, o que dá a entender que houve um crime. Quem cometeu? Quem sofreu? Será que foi alguma das personagens que estamos acompanhando? Entende? A série é impossível de ser abandonada.

    A primeira temporada é baseada no romance de Liane Moriarty e todos os episódios são dirigidos pelo talentosíssimo Jean-Marc Vallée. Além de protagonizar, Nicole Kidman e Reese Witherspoon também são produtoras da série. O elenco ainda conta com Shailene Woodley, também protagonista, e um grupo de coadjuvantes fantástico, com Laura Dern, Zoe Kravitz, Alexander Skarsgard, Adam Scott, James Tupper, e um elenco mirim dos melhores que eu já vi!

    Big Little Lies levanta discussões que são atuais e importantíssimas. A começar pelo nome da série, que lida justamente com as “Pequenas grandes mentiras” que permeiam o casamento, a amizade e as relações no geral. É uma série que não alivia para ninguém e faz pensar sobre criação de filhos, sobre passado e principalmente sobre aquela maldita mania de “julgar a dor do outro”. Sabe? No caso da série, que problemas mulheres ricas e brancas teriam?

    A série em muitos momentos é quase visceral, fazendo com que qualquer pessoa minimamente racional tenha de repensar e se posicionar diante de algumas situações, que infelizmente são tão comuns.

    Big Little Lies é a HBO em sua melhor forma. A HBO de Sopranos, Game of Thrones, Westworld, True Detective e muitos outros sucessos. É a HBO de Big Little Lies.

    E Big Little Lies é o resultado da união de tudo o que há de bom. Um elenco fantástico que entrega papéis complexos, personagens cheios de nuances, personagens que passam por um arco, desde os protagonistas até as crianças, passando pelos coadjuvantes e pelos coadjuvantes dos coadjuvantes. É a série de uma trilha sonora maravilhosa, uma trilha que casa perfeitamente com a fotografia, com o roteiro. Uma série que não precisou ser megalomaníaca e fazer 13 episódios como outras tantas ousam fazer. É uma série de 7 episódios. 7 que valem por 20 de centenas de outras séries por aí.

    Temos que agradecer por Big Little Lies.
    Continue Reading


    Sabe aquele filme ou série que você assiste e tem aquela sensação de que em uma ou duas semanas vai se esquecer?

    The end of the f***ing world, é uma dessas séries.


    -
    James (Alex Lawther) acredita que é um psicopata. Alyssa (Jessica Barden) é a garota nova do colégio, impulsiva e revoltada. James vê em Alyssa a oportunidade perfeita para realizar o seu desejo de matar uma pessoa.

    Eles começam um relacionamento meio maluco, e Alyssa convence – sem esforço algum – James de fugir com ela. Os dois roubam o carro do pai de James e partem para sua road trip.

    Esse é o plot inicial.

    ---

    A Série não é boa pra valer. Ela tem bons momentos, e você até acaba se esforçando para gostar, e talvez até acabe gostando, mas falta algo. É aquela típica história de passagem da juventude para a vida adulta, aquela sucessão de erros e desastres característicos desse momento, dispostos em 8 episódios curtos, onde você recebe de tempos em tempos uma piada, sendo a própria atuação a maior delas.

    Os dois oferecem uma união bizarra e que é engraçada por si só, o que no final das contas, é mais do que se pode dizer das piadas que são piadas mesmo. 


    O que eu gostei?

    1º Os episódios são curtos, tem em média 25 minutos, o que é maravilhoso. Existe um pequeno vício no mercado do entretenimento, onde parece que ninguém consegue bolar uma série sem que os episódios tenham 50 minutos.

    Esse é um grande trunfo de Master Of None, e no passado foi um trunfo para Um Maluco no Pedaço, Eu a patroa e as crianças, todo mundo odeia o Chris e muitas outras séries que fizeram muito sucesso. 

    2º A série, tem uma Trilha sonora bem cult e dramática, como se fosse parte real do que eles estão vivendo.

    3º A série tem uma pitada interessante de humor negro. Quase nunca é bem-sucedida, mas quando é, te faz soltar aquela risada gostosa.

    O que eu não gostei?

    1º Os dois protagonistas são bem chatinhos. James apenas reage à Alyssa, e ela, por sua vez, é chata pra cacete. Não há roteiro, trilha, fotografia que sustente uma série quando os protagonistas são “sem-graça”. Na real, isso não significa que a atuação deles é ruim, pelo contrário eu até acho que eles estão ótimos no papel. Era a proposta da história, desde os quadrinhos originais. Os dois personagens são bem caricatos, e isso até fica interessante no final das contas.

    2º  A solução para alguns conflitos é bem bobinha e forçada, isso diminui um pouco o que significa CONFLITO. 

    3º Alex Lawther é o protagonista da série ao lado de Jessica Barden. Ele já participou de um episódio muito bom da terceira temporada de Black Mirror, e pasmem, a série muda, mas a atuação dele é absolutamente a mesma. 

    Conclusão

    The End of F***ing World, é uma série britânica de Humor Negro, com adolescentes pirados, boa música e episódios curtos. A série é de 2017, mas chegou ao Netflix brazilian na sexta-feira (05/01/18).

    A temporada tem 8 episódios e todos são perfeitamente esquecíveis, ou seja, você pode assistir, mas dificilmente vai se lembrar da série daqui há uma semana, isso não significa que a série é simplesmente ruim e ponto final.

    Eu vi a série e sei lá, são três horas mais ou menos, você não vê o tempo passar, dá algumas risadas, tenta gostar dos protagonistas, fica com raiva deles, curte a fotografia que é belíssima e sei lá, se entretêm. É uma boa série para passar tempo. Você vê e beleza, vida que segue.

    Pra resumir, é uma série esquecível, mas um bom passa tempo. Trilha sonora, fotografia e algumas cenas específicas, vão te fazer lutar para não esquece-la, não porque a série em si é maravilhosa, mas porque - se tu é um adolescente ou jovem - seu maior desejo é romper com tudo e fugir, tal como eles fizeram.
    Continue Reading

    Eu ajudei o quanto pude na formação desse super Hype que aguardou a 4º temporada, compartilhei uma milhão de coisas no meu facebook, acompanhei o lançamento dos postêrs dos episódios. Enfim, estava comendo as unhas, ansioso, nervoso e com a expectativa lá no alto, pois a série em suas três primeiras temporadas roubou meu cérebro com uma força simplesmente arrebatadora, e eu obviamente gostei!

    Black Mirror teve a capacidade de explodir nossa mente episódio após episódio. Teve a capacidade de ter conversas sobre tecnologia e sociedade, com um público que consome a tecnologia em suas mais variadas formas, mas que jamais havia se posto à pensar em suas implicações e consequências. 

    Quando a quarta temporada foi anunciada, o caldeirão começou a ferver e a expectativa aumentar. Até acredito que isso tenha cooperado para a impressão negativa que eu tive da temporada. Tendo com base as três primeiras temporadas - que vi de uma vez só - eu estava esperando uma quarta temporada tão incrível quanto as anteriores.

    Eles nos deram tempo para criar expectativa, conversar com amigos sobre essas expectativas. O que quero dizer, é que talvez a temporada não seja tão ruim - como pretendo argumentar abaixo -, mas na verdade essa impressão negativa, esteja pautada tão somente nas expectativas que criamos sobre a quarta temporada. Estou dizendo isso para tentar aliviar as coisas, somente por isso.

    ---------------------- 4º Temporada

    Para mim, a temporada recém lançada é a pior da série, sem dúvida alguma. Os episódios são fracos, os dramas são banais - principalmente se comparados com as construções das outras temporadas -, as conclusões são óbvias. Falta aquele "Q" de Black Mirror que nos levou a amar a série.

    A impressão é de que o roteiro foi escrito as pressas e com preguiça.

    A temporada tem 6 episódios e nenhum consegue ser superior ao pior episódio das temporadas anteriores. A série deixou muito a desejar e foi bastante decepcionante. 

    Quando você faz algo brilhante e se propõe a repetir essa ação, precisa estar consciente da possibilidade de fracassar. Se você me oferece algo bom, e depois algo bom de novo, e depois algo bom de novo, na próxima vez eu esperarei algo bom. Black Mirror elevou o padrão para em seguida fracassar. Isso é perfeitamente natural, pois se formos olhar com um pouco mais de carinho, até que ponto devíamos mesmo esperar que a série se mantivesse tão extraordinária? Quantas séries e franquias do cinema não fracassaram ao tentar repetir a fórmula? Acontece. Paciência.


    -------------------------------------------------- Conclusão

    A Quarta temporada não está boa. Se você já viu as três primeiras, provavelmente vai ficar bastante decepcionado. Eu assisti a temporada toda e acho os episódios broxantes, mas estou aí para discutir a série, pois como já disse algumas vezes, Black Mirror fica melhor a cada conversa.

    Se você nunca assistiu a série, deixo um pensamento:

    Desligue todos os aparelhos tecnológicos que você tem ao seu redor. Desligue seu celular, seu computador, notebook, tablet, enfim, desligue todas essas coisas e note o que lhe resta - TELAS PRETAS - BLACK MIRROR.

    Porra, Black Mirror é uma das séries mais valiosas dos últimos anos, e faço questão de indicar para todos que estiverem afim de assistir alguma coisa mais complexa, intrigante e que promove um debate verdadeiramente atual.

    --------------------------------------------------- Nota

    Para a série no geral: 9

    Para a 4º Temporada: 3

    -------------------- Episódios

    EP1: USS CALLISTER

























    EP2: ARKHANGEL 

























    EP3: CROCODILO

























    EP4: HANG THE DJ

























    EP5: METALHEAD

























    EP6: BLACK MUSEUM

























    Continue Reading

    Eu assisti o último episódio há pouco mais de uma hora. Não acho que estou pronto para escrever sobre o que achei da série, mas quero escrever mesmo assim. Vou começar falando de forma geral sobre a história e depois, falarei sobre minha reação, como me senti com a série (Leia essa parte).

    Enredo:
    Hannah Baker tirou a própria vida. Cortou seus pulsos e sangrou até a morte na banheira de sua casa. Clay recebe uma caixa com 13 gravações em 7 fitas. É a garota morta. Ela deixou nas fitas 13 razões para sua morte. Cada gravação é direcionada a uma pessoa. Alguém que fez algo a ela.

    Todos os que ouviram as fitas antes de Clay, estão juntos tentando manter isso em segredo, mas Clay não consegue. Ele mal pode ouvir a voz de Hannah sem sentir-se culpado. Ele é atormentado por cada fita, por cada ato, por cada palavra gravada pela garota que ele nunca mais veria.

    Cada episódio é um lado de uma fita. Cada episódio mostra o que cada pessoa fez contra Hannah Baker.

    Clay conta com a ajuda de Tony. O primeiro a receber as fitas mesmo não estando nelas. Hannah confiou a ele a missão de guarda-las e assegurar que fossem ouvidas por todos.

    É a história de uma garota que sofria muito, que foi machucada de todas as formas e quis acabar com sua dor. Se viu sem opções, sozinha e cansada. Tirou a própria vida, não por um motivo, mas por vários. Vários motivos que parecem pequenos, mas que são gigantes, enormes, do tamanho do mundo.

    Minha experiência com a série:
    É muito difícil dizer, pra ser sincero. Algumas pessoas acham que todo essa lance de dor interna, problemas existenciais é bobagem, eu não sou uma delas, talvez por isso eu tenho sentido tanta dor enquanto assistia a série.

    Em vários momentos na madrugada de ontem, enquanto assistia, implorei pelo sono. Eu não queria assistir nem mais um minuto da série, mas o sono não veio. Assim como Clay quis parar no meio das fitas, eu quis parar no meio dos episódios.

    Sabe aquela sensação de aperto na garganta? Como se algo apertasse sua garganta de dentro pra fora? Como se o seu coração tivesse subido do peito e quisesse sair pela boca? Eu me senti assim. Pela Hannah, pelo Clay e pelo Sr. e Sra. Baker.

    As coisas que machucaram tanto Hannah Baker como fofocas, boatos e mentiras. Zoações e humilhação, cara, vai me dizer que você nunca viu isso acontecer? Ou que talvez você já não tenha feito isso com alguém? Raiva! Eu senti durante toda a série, raiva porque tudo isso está o tempo todo diante de nossos olhos.

    Acho que a raiva que estava sentindo, estava ligada a vida real. Quero dizer, ia além da raiva que eu estava sentindo do Bryce ou do Justin, Eu estava com raiva de todas as pessoas no mundo, que dizem: É frescura, ou É falta de deus ou Quer chamar atenção. Eu estava com raiva de todos.
    Por que ignoramos isso? Por que ignoramos a dor? Por que menosprezamos isso? Raiva! É o que eu sinto quanto a isso.

    Eu torço para que o maior número de pessoas possível veja a série. Talvez assim possam ver além do que é superficial, palpável e físico. Talvez a série ajude alguém a transcender o superficial e conhecer o introspectivo.

    Eu imagino quanta dor uma pessoa pode estar sentindo agora. Quanta dor uma pessoa pode estar suportando. Quanta dor uma pessoa pode estar escondendo.

    O suicídio de Hannah Baker foi a ação final de uma pessoa que foi morta aos poucos, de uma pessoas que antes de sangrar literalmente, sangrou internamente. Sofreu, sentiu dor atrás de dor. Sozinha.

    Então, se você me conhece, sabe que pode conversar comigo. Se você não me conhece, saiba que pode.

    NOTA: 8 e 10
    Oito para a série enquanto série, é muito boa. Bem produzida, tem uma puta trilha sonora incrível e as idas do presente para o passado, contribuem muito para a história.

    Dez para a série enquanto mensagem. Esse tema não pode mais ser escondido, é preciso falar sobre, mostrar e ajudar. Acho que a série pode cumprir esse papel. Torço para que mais pessoas vejam e sintam a série.

    Veja a série, até o fim. Vai doer, mas eu indico com certeza!








    Continue Reading

    É uma série renomada? É! Já ganhou emmys? Já! Mas, talvez você não conheça, o que não é nenhum pecado, certo? ERRADO! Na verdade é um pecado sim! Mas, não se preocupe, eu também não conhecia e agora me sinto finalmente, absolvido.

    Estou escrevendo algumas horas depois de terminar o último episódio da quarta temporada. Já dormi e acordei, mas confesso que ainda sinto aquele vazio de fim de série, sabe qual é? Então, felizmente a quinta temporada vem ainda esse ano, então você tem tempo para começar a série e assistir sem pressa, um episódio de cada vez (Como se fosse possível).


    Vou lhe dar um resumo do enredo da série e acredito que  isso será o suficiente para te deixar intrigado.

    Frank Underwood (O cara da foto ai em cima), esperava ser nomeado pelo novo presidente dos Estados Unidos como secretário de estado. Para sua surpresa e de sua esposa, o presidente o mantém no mesmo cargo que ocupava antes de ajudar o presidente a ser eleito. Este é o ponto inicial da série. A partir daí, Frank e Claire, arregaçam as mangas e começam a botar em prática uma série de planos para alcançarem seus objetivos.

    Manipulação, mentira e corrupção, nada disso importa, dane-se a moral e a ética. Frank usa as pessoas ao seu redor, trama por trás do presidente, chantageia seus deputados e faz tudo o que é preciso para fixar os degraus para sua ascensão.

    Sangue, dor, medo e morte, nada disso importa! Danem-se todos. O casal Underwood não tem escrúpulos, não que os outros sejam santos, pois não são, mas estão longe, muito longe da astúcia e determinação do casal.

    A trama se desenvolve ao redor da sede de Frank pelo poder. A série mostra do que o homem  é capaz de fazer para conquista-lo. Há limites para se conseguir o que quer? Frank diria que não! E você se surpreenderá com o que ele é capaz de fazer.

    Não demora muito pra perceber que mesmo sendo ficção, ela nos lembra um pouco da realidade. O que o povo americano na série sabe, é 1% do que realmente acontece lá dentro. Me pergunto se talvez nós também saibamos tão pouco quanto eles sobre o que acontece no nosso país. É possível.

    A série também retrata um lado do ser humano que normalmente é escondido ou maquiado. Podemos ser maus, muito maus. Se quisermos o seremos. Frank e Claire são realistas quanto a isso. Doug, chefe de gabinete de Frank é realista quanto a isso. E todos os que são inocentes e ingênuos, com certeza serão esmagados pelo casal e seus companheiros.

    Personagens principais: 
    Frank Underwood: Kevin Spacey tem um óscar como coadjuvante e um como protagonista. É um puta ator e sua atuação em House of Cards, é uma das coisas mais sensacionais que já vi. É perfeita!

    Claire Underwood: Robin Wright é uma mulher muito forte. Divide com o marido o desejo de poder. Nas poucas vezes em que o vê oscilar, está ali para empurra-lo de volta ao rumo. Mas não é só uma esposa que abriu mão de seus desejos pelos do marido. Ela tem seus objetivos e vai correr atrás deles!

    Os personagens secundários são tão bons quanto os protagonistas.
    Doug é chefe de gabinete, um homem tão inescrupuloso quanto Frank. Está com o chefe e muitas vezes é quem coloca as mãos na massa.

    Zoe Barnes é uma repórter que se envolve com Frank. Sua relação repórter e fonte, acaba evoluindo para um caso. É uma personagem interessante, que me irritou muito por sinal.

    Peter Russo é um deputado que de repente começa a receber "apadrinhamento" de Frank. Uma boa não?

    Remy Danton é interpretado pelo ganhador do último óscar de melhor ator coadjuvante. Mahershala Ali. É um lobista que já esteve trabalhando com Frank e agora trabalha para companhias de gás natural.
    Raymond Tusk é conselheiro do presidente e chefe de Remy.

    Inúmeros personagens surgem e somem, voltam e vão, mas todos foram construídos muito bem. Não há ninguém inútil, não existem personagens fracos. Todos são complexos, tem coisas a revelar e impulsionam o desenrolar da história. Poderia citar vários, como Mitchell o segurança do casal, Lucas um repórter que os investiga, Linda Vasquez, chefe de gabinete do presidente Gareth, etc...

    Curiosidades:
    Dilma Rousseff  e Barack Obama são fãs assíduos da série.

    David Fincher é um dos diretores. Foi diretor de  filmes como, Amnésia, Clube da Luta, Seven, Os homens que não amavam as mulheres, Garota exemplar e etc...

    É uma série ORIGINAL NETFLIX.

    Minha curiosidade preferida é essa: Frank em diversos momentos olha no seus olhos e conversa com você! Ele conta seus planos, xinga alguém, faz algum comentário ou conta uma piada. Eu amo quando há essa quebra de barreira. Ele sabe que estamos ali, assistindo-o e de certa forma, somos cúmplices de todos os seus atos. É brilhante.

    Segue algumas frases do grande protagonista:

    "A DEMOCRACIA É SUPERESTIMADA."

    "ELE ESCOLHEU DINHEIRO EM VEZ DE PODER - UM ERRO QUE QUASE TODOS DESSA CIDADE COMETEM. DINHEIRO É A MANSÃO NO BAIRRO ERRADO, QUE COMEÇA A DESMORONAR APÓS DEZ ANOS. PODER É O VELHO EDIFÍCIO DE PEDRA, QUE SE MANTÉM DE PÉ POR SÉCULOS."

    "SE NÃO GOSTA DE COMO A MESA ESTÁ POSTA, VIRE A MESA."

    Por fim, darei minha nota e o porque você DEVE assistir a série:

    NOTA: 10

    Primeiro é uma trama política incrível. Eu provavelmente assisti no pior momento possível. Só a palavra política me produz arrepios, estava e estou farto disso, mas a série é demais!
    Frank é um dos melhores protagonistas que já vi, principalmente pelo lance de saber que estamos ali com ele. É genial!
    A série é baseada na forma de política americana, dois partidos e tal. Ajuda a conhecer um pouco da forma americana de governo.
    E assista porque estou indicando, eu já te decepcionei?

    Enfim, está sem dúvida alguma no meu TOP 3 de séries.

    Obrigado NETFLIX e se leu até aqui.... Confie em mim e seja cúmplice de Frank Underwood!








    Continue Reading

    Eu nunca entendi bem qual era a dessa careca de cavanhaque... Quero dizer, sempre que me falavam de Breaking Bad, o Sr. White ganhava ares de ídolo, deus ou qualquer coisa do tipo. Meu irmão por exemplo, tinha uma capinha de celular com a bandeira da Inglaterra, era uma capinha legal, mas, assim que terminou de ver a série, ele deu um jeito de remover a bandeira, fez um molde de papel com o chapéu, óculos e cavanhaque e de um jeito meio bizarro, fez um "Sr. White" na capinha do celular. É claro que ficou uma bosta, mas isso é só pra exemplificar o nível de idolatria que os amantes de Breaking Bad tem por esse senhor.

    Enfim, quero levantar alguns pontos sobre a série e dar minha nota, então vamos lá...

    Atores e personagens: 

    1º  Walter White (Bryan Cranston): A atuação deste senhor é sem dúvida nenhuma fantástica! Existiram momentos, talvez em toda a série, em que atuação dele é o que te mantém ali, preso. Mais do que o enredo, mais do que a história em si, o personagem acaba sendo maior do que todo o resto. 
    A forma como o personagem se desenvolve durante toda a série, a evolução, o personagem ganhando corpo, sua mudança de personalidade, sua mudança de objetivo. É só ver como o personagem começa a série e como termina. 

    Mesmo vendo no que o Sr. White, um simples professor de química do ensino médio se tornou, a gente continua torcendo pra ele, independente de estar certo ou não. No sábado, assistindo a última temporada, tudo que eu queria era entrar pelo celular e calar a boca da Skyler, que ficava choramingando e repetindo a mesma coisa. Eu comemorei quando o Hank se ferrou, tive raiva do Walter Jr quando ele despreza o Walt, enfim, você sacou! A gente torce mesmo por ele! Dane-se quem está certo ou errado, dane-se tudo isso! Ele te pegou e me pegou, somos reféns do personagem até o fim e você acaba a série tendo certeza que a idolatria que os fans dão a ele, é completamente justificada!

    2º Jesse Pinkman (Aaron Paul): Cara, no começo eu não curtia muito ele não, mas velho a forma como o Jesse cresce é absurda! Ele deixa de ser só um moleque inconsequente e se torna um cara cheio de sentimentos e explosões de tristeza, raiva, compaixão, medo! Tudo isso faz com que você se apegue a ele e sinta sua dor, sinta seu medo, sua raiva. Se quiser um exemplo de Coadjuvante, tá ai! Ele cumpre com louvor seu papel na série, principalmente depois do seu relacionamento com a Jane na segunda temporada. 

    Enfim, só pra resumir... Você acaba se amarrando demais nele porque ele sofre, e você meio que sofre junto :/

    3º Os outros: 
    Parece maldade colocar "Os outros", mas não é, eu juro! O Sr. White e o Jesse são fora de série, mas longe de mim ignorar atuação e os outros personagens, quero dizer Saul, Hank, Marie, Syler, Gus e todos os outros, caramba, a série é cheia de personagens e histórias maravilhosas, é sério! A trama toda é muito boa, mas acho que falar sobre os personagens é mais importante nesse caso especifico, pelo menos pra mim. As atuações e relações entre os personagens, são superiores a própria história. Acho que isso acaba te guiando você pela série, sacou? Pelo menos foi isso que senti enquanto assistia.

    E todos tem seu mérito, até aqueles que te irritam, não o fazem por demérito, é só um lance de estarem se opondo ao Sr. White, que te roubou lá atrás, então eles não tem culpa se você tem vontade de acabar com a raça deles hahahaha

    É um lance de conhecer cada personagem, perceber como eles mudaram, o que perderam, ganharam, enfim, todos os personagens tem seu arco muito bem definido, desde os que mudaram e cresceram durante a série e isso fica muito na cara, até os que mantiveram uma mesma personalidade durante toda a trama!

    Então acho que o ponto forte da série é justamente esse, os personagens são muito bem construídos, são fortes individualmente e tem seu papel fundamental! São importantes pro desenvolvimento da série, e por isso minha opinião e análise parte principalmente desse fator!

    ---------- Por fim minha nota é...: 9 

    Um belíssimo 9, por todos os personagens e pela forma como a série cresceu até a última temporada (Que é sensacional)

    SUPER INDICO, sério!  

    Devo agradecer ao meu irmão por ter me indicado e é isso, curta e comente aqui no blog, sua participação é foda, pelo feedback e tal! Se vocês gostarem vou publicar mais análises e opiniões de outras séries e filmes <3  

    Continue Reading
    Older
    Stories

    About me

    A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, óculos e close-upJúlio Costa | Transgressor

    Confusão. Uma puta confusão.

    Like us on Facebook

    Transgressor

    Follow me

    • Facebook
    • Instagram
    • Youtube
    • Twitter
    • Letterboxd
    • Skoob
    • Pinterest

    More Popular Posts

    • Lo-Fi | Um Convite a Introspecção
    • Susano Correia | Existência, Fé e Arte
    • Marco Polo | Viaje para a Mongólia Medieval
    • The Deuce | A Arte do Realismo Sujo
    • Um Pequeno Herói | Fiódor Dostoiévski

    Labels

    Cinema Contos Desafinando Literatura Series poesia

    Archive

    • julho 2018 (2)
    • junho 2018 (4)
    • maio 2018 (5)
    • abril 2018 (10)
    • março 2018 (8)
    • fevereiro 2018 (7)
    • janeiro 2018 (15)
    • julho 2017 (1)
    • junho 2017 (1)
    • maio 2017 (3)
    • abril 2017 (4)
    • março 2017 (1)
    • fevereiro 2017 (5)
    • setembro 2016 (1)

    Denunciar abuso

    Facebook Instagram Youtube Twitter Pinterest Letterboxd

    Created with by BeautyTemplates - Ambigram Generator.

    Back to top