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Transgressor
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    Papai do céu
    Eu não consigo enxergar as cores que você jurou que eu veria
    Tudo o que vejo é escuridão. Cinza.
    Eu não consigo sentir os cheiros que você jurou que eu sentiria
    Todo o cheiro que sinto é de merda e de morte. 

    Papai do céu
    Você disse que não me deixaria, mas aqui estou. Sozinho...
    Porque partiu? 
    O mundo não é bom como você disse que seria.
    As pessoas não são boas como você disse que seriam.

    Eu sei porque você partiu!
    Eu não sou bom como você disse que eu seria.
    O Senhor errou papai. Errou.
    Tudo isso é uma droga. Você partiu porque sabe que é verdade.
    Destrua-nos. É o melhor que pode fazer.

    E o amor? Você disse que haveria amor.
    Não há. Nem um pingo de amor, é verdade.
    O Senhor disse que haveria um Inferno.
    Se ele já estiver pronto, poderia me mandar para lá. Por favor!
    Eu não quero mais ficar aqui. Esse lugar é terrível.

    Papai do céu
    O Senhor mentiu para mim.
    Não disse uma única verdade, nenhuma!
    Mas o que eu posso fazer?
    Você nos comanda com suas grandes mãos.
    É o Senhor e nós, seus bonecos.
    Brinque direito conosco. É só o que posso pedir.

    Papai do céu
    Eu estava quase me esquecendo....
    Quero te agradecer
    Por ter nos dado o Sexo
    Por ter nos dado o Álcool
    Por ter nos dado as drogas

    Obrigado, Papai do céu!
    Aliás, pode esquecer todo o resto.
    O Senhor é bom! Claro que é!
    Obrigado por toda a nossa devassidão, libertinagem, prostituição, luxúria, vício, sensualidade, tara, tesão.
    Eu te amo papai do céu!

    Continue Reading

    Meu nome é Beatriz, mas sou carinhosamente chamada de.... Vadia.
    Meu nome é Mariana e sou comumente chamada de puta.

    Você não namoraria comigo, porque sabe que minha boca já passou por alguns caras.
    Você não namoraria comigo, porque sabe que não sou virgem.

    Eu sou o tipo de garota que você não quer perto do seu filho.
    Eu sou o tipo de garota que você acha que vai ficar grávida aos dezessete.
    Eu tenho uma vagina.
    Eu tenho uma vagina.
    Mas ela não é minha, não é.

    Se você pedir para a pessoa certa, talvez consiga algumas fotos da minha vagina. Eu mandei para alguns garotos.
    Talvez o banho demorado do seu filho, seja por minha culpa. Quero dizer.... Me desculpe.

    Tirando os celibatários, alguém não gosta de sexo? Até virgens gostam de sexo, você sabe disso.
    Eu tenho uma vagina e gosto de sexo.
    Entende onde quero chegar?
    Meu nome é Beatriz, mas sou chamada de vadia.
    Meu nome é Mariana e também sou chamada de puta.

    Eu conheci um cara legal. Ele era engraçado, me fez rir e era diferente. Eu quis terminar a noite na cama dele e ele também me queria lá.
    Eu namorei um cara por um ano antes de transarmos pela primeira vez.
    Não vamos namorar. Ele é legal, engraçado, mas não vamos namorar. Se eu transei com ele? Sim, muito... Algumas vezes.
    Ele terminou comigo e depois vários garotos se aproximaram de mim.... Com abraços apertados, mãos bobas e piadas.
    Eu só transei uma vez com ele. Depois de um ano. Foi o suficiente.

    Eu tenho uma vagina.
    Eu tenho uma vagina.
    Mas ela não é minha, não é.

    - Eu não namoraria com ela mano.
    - Por que?
    - Quantos caras já comeram ela?
    - Acho que vários.
    - Então mano...
    - É....

    Eu sou uma mulher, meu nome é Beatriz e tenho uma vagina.
    Eu sou uma garota, meu nome é Mariana e também tenho uma vagina.

    Você tem que se valorizar.
    Você tem que se respeitar.
    Como assim?
    Você é uma garota, não pode fazer isso.
    Você já é uma mulher, precisa sossegar.

    Seu nome é Michael e você tem um pau. É, um pinto. Ele é seu.
    Seu nome é Gustavo e você também tem um pinto. Ele é seu.
    Vocês tem um pênis, um pinto, caralho, rola, pau.
    Eu tenho uma vagina.

    Você pode comer muitas garotas, ou nenhuma.
    Você pode se masturbar, ou não.
    Você pode namorar e transar com sua namorada, ou pode contratar prostitutas.
    Fique a vontade.

    Eu tenho uma vagina.
    Eu tenho uma vagina.
    Mas ela não é minha, não é.

    Se a vontade for mutua.... Para a cama, sexo.
    Uma vez mandei fotos para um namorado.
    Meu nome é Beatriz, mas também sou conhecida como vadia.
    Meu nome é Mariana, mas também sou chamada de puta.

    Eu sou uma pessoa.
    Você é uma pessoa.
    Eu tenho uma vagina.
    Você tem um pênis.
    Eu faço sexo.
    Você não faz sexo.
    Você faz sexo.
    Eu não faço sexo.

    O seu fazer ou não fazer, precisa ser o seu fazer ou o seu não fazer. Entende?
    Quero dizer.... Fodam-se os: "Você TEM que", você não tem que fazer nada que não queira.

    Eu tenho uma vagina.
    Eu tenho uma vagina.
    Ela é minha vagina, é minha!

    O nome dela é Beatriz e ela não é uma vadia. É uma mulher.
    O nome dela é Mariana e ela não é uma puta. É uma garota.

    Beatriz não gostaria de ter uma sogra como você.
    Mariana não gostaria de namorar um cara como você.
    Engraçada, esperta, carinhosa, maluca...

    E se ela ficar grávida aos dezessete?
    E se ela fizer sexo com muitos caras?
    Com quem vai se casar?
    Quem vai querer ela?

    Mulher, porque ouço o som de correntes a cada passo que dá?

    Outra bobagem que escrevi há um tempo.

    Poucas coisas são tão belas quanto a nudez de uma mulher, quero dizer, tenha curvas, tenha ossos à vista ou tenha seus pneuzinhos.... Ah, uma mulher sempre será uma mulher...

    Quanta beleza há nos cabelos longos, nos cabelos curtos e até nas cabeças raspadas, por que não!? Lisos, crespos, cacheados.... Ah, uma mulher sempre será uma mulher....

    Os lábios grossos, finos, as bocas largas ou estreitas, às várias de cores de batom, ou os lábios nus, quanta beleza há numa mulher.... Ah, uma mulher sempre será uma mulher...

    As pernas finas e longas, as pernas grossas. As altas, as baixinhas, todas sem exceção guardam em si quilômetros de beleza e prazer.... Ah, uma mulher sempre será uma mulher...

    Os seios fartos, os pequenos, sem sutiã por favor.... Ah, uma mulher sempre será uma mulher...
    A celulite, as estrias.... Ah, uma mulher sempre será uma mulher...

    Grande pecado é fazer uma mulher não se sentir mulher!

    Mulher! Há beleza maior? 
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    Eu durmo todas as noites desejando ter esperança. Eu me deito e rezo para seja lá o que, pedindo esperança. Eu durmo querendo ter esperanças quando acordar, mas isso nunca acontece. Manhã após manhã, acordo com o mesmo vazio de sempre. Sem esperanças, sem nada.


    O ônibus está lotado às seis da manhã.
    E se essa viagem for nossa última viagem? E se esse ônibus tiver como destino o inferno? E se o motorista gordo e fedido for só um dos muitos servos da Morte? Mas por que a morte faria isso afinal? Esse ônibus é o espetáculo diário que nunca perde a graça. Um ônibus cheio de garotos e garotas sonolentos que ficaram até tarde lendo algum artigo que não entenderam, sonolentos por terem permanecido acordados noite adentro, questionando tudo o que fazem. Um ônibus cheio de garotos e garotas que passaram no corredor da morte e abraçaram a vida predefinida para eles. Pegaram o kit faculdade, casamento, filhos e caixão. Por que então a morte acabaria com isso? Esse é o espetáculo que tanto a diverte.
    Hey! Fique quieto e ouça a gargalhada da morte...

    Estou em pé no corredor, segurando a barra de ferro gordurosa sobre minha cabeça. À direita, à esquerda, atrás e à frente, estou cercado por todos os lados. Pessoas e mais pessoas, mas por que os rostos tristes? São tantos homens e mulheres formados, com seus diplomas em quadros na parede da casa de seus pais. Tantas pessoas bem empregadas, com bons salários, boas famílias, bons carros e belos cachorros.... Por que estão tão tristes, afinal? Hey! Ouça a gargalhada...

    Um ônibus lotado de velhos e velhas. Senhores aposentados, já cansados da vida, cansados do cansaço. Senhores que em seu íntimo lamentam o tempo perdido, as viagens não feitas, os amores esquecidos. Sentados em seus bancos amarelos. Bancos amarelos, isso é tudo o que eles têm. Um banco para gestantes, deficientes e velhos. Um banco é o que lhes restou. Um banco foi o que receberam, conquistaram. Um banco amarelo num ônibus lotado, esse é o sonho de todo homem? A vida é sobre isso? Sobre conquistar o seu lugar nesse ônibus para o inferno?

    O tempo a longo prazo nos matará, mas a morte para todas essas pessoas veio muito antes. Eu vi amigos morrerem aos vinte anos e continuarem vivendo. Eu vi amigos morrendo aos vinte e três anos e casando pouco tempo depois. A morte é só o apodrecimento da carne, a verdadeira morte vem quando nos rendemos e aceitamos as imposições que reduzem nossa vida à nada!

    E mesmo assim, eu continuo me deitando com o mesmo desejo. Ansiando acordar e encontrar outra realidade, outra vida. Ansiando encontrar uma vida cheia de esperanças e cor, mas como? Como é possível? 

    A cada dia que passa, quando encontro os mesmos rostos no ônibus, cada vez mais cansados e tristes.... A cada dia que passa sinto o cheiro de putrefação ficando mais forte. Empesteando o ar e apertando minha garganta com seus dedos longos e fortes. 

    A linha de montagem da morte está a todo vapor. Seus empregados já tem mais quites prontos para serem entregues. Seu filho logo receberá o seu kit. Talvez ele seja médico, ou professor, ou policial. Talvez ele tenha dois filhos, talvez três, talvez quatro. Ele não tem escolha e mesmo que ainda não entenda nada sobre isso, mesmo que não saiba o que quer ser quando crescer, ele terá de aceitar o kit reservado para ele. Sua filha no jardim de infância logo receberá o kit definido para ela. Uma médica? Advogada? Professora? Não importa. Há algo em todos os quites, algo que vem junto com a faculdade, profissão e casamento....

    Todos receberão também o seu atestado de óbito. Uma morte precoce, aos 12 para alguns, aos 16 para outros, aos 18 para os sortudos. A morte da vontade, a morte do ser, a morte da existência e o nascimento de mais um escravo da morte e das imposições. Uma precoce e triste morte, uma infeliz e longa vida.


    Continue Reading
    Sabe aquele álbum que corre em paralelo com tua vida? Tipo quando as músicas parecem ter sido feitas pra você? Esse é o meu lance com esse álbum. Ele é foda pra caralho!

    O álbum é do meio do ano passado, mas eu só peguei pra ouvir na real no começo do ano. Foram uns três meses ouvindo Rogério de manhã, à tarde e à noite. Ouvindo em loop, duas, três vezes por dia. Acho que foi esse lance saca? De ouvir algo que parece te entender de alguma forma. Cada música, de uma forma ou de outra estava falando comigo. Acho que quando uma música, um álbum ou uma banda consegue fazer isso, cara... Acho que é algo grande, de valor!

    Supercombo é uma puta banda maneira, na real. Os outros três álbuns são tão bons quanto esse que é o meu preferido. O lance de terem participado do programa não deve te atrapalhar, mesmo com os babacas que estão espalhados por ai, andando como os patronos da boa música.

    Eu gosto das letras meio introspectivas, gosto dos integrantes e da formação atual.  Carol Navarro é minha paixão platônica. \_o_/

    Supercombo, Rogério é o melhor álbum do ano, sendo do ano passado. Sacou? É o que mais ouvi até agora, e mesmo tendo parado por um tempo, não acho que vou enjoar tão fácil.

    Minha música preferida é sem dúvida alguma MONSTROS, mas me amarro demais em Grão de Areia, Embrulho e Eutanásia. O álbum todo é muito bom. Rogério, A piscina e o Karma, Morar, Bomba Relógio. Cara, esse álbum é do caralho! Se você ainda não ouviu, ouça.

    Eu precisava falar desse álbum, então fica minha indicação pra você que curte música nacional e pra você que tem um desses preconceitos babacas :)

    Valeu!
    Continue Reading


    Fábio era um garoto como qualquer outro. Desejava as mesmas coisas que qualquer garoto deseja.
    Queria que seu time fosse campeão. Queria estar entre as pernas de uma ou outra garota do colégio. Queria grana pra fumar e beber sem miséria, mas depois de um estupro algumas coisas mudam. 

    Fábio não é mais um garoto como qualquer outro. 
    É um garoto como alguns outros garotos. 
    Ele é um garoto como alguns outros vários garotos. Mais garotos do que você imagina. 

    Era uma noite qualquer, provavelmente uma quinta, não sei bem. Ele voltava da casa de uma namorada e não estava bêbado, nem drogado. 

    Você sabe como as ruas de São Paulo ficam quando todos os cidadãos de bem dormem? Se você não conhece vai dizer que todas estão sempre lotadas, com pessoas andando, bebendo e cheirando pelos cantos. Se você conhece sabe que não é bem assim. 

    As ruas de São Paulo são escuras e ratos se esgueiram por entre as sombras. Ratos cabeludos e dentuços e ratos de 1,80m. 
    Essa cidade é suja e os ratinhos que assustam sua mãe quando surgem no meio da madrugada na cozinha, são os menos responsáveis por essa imundice. 

    Fábio voltava sozinho para casa. 
    Fábio foi encurralado por três caras perto da esquina, há duas quadras da sua casa. 

    Os caras tinham alianças nos dedos. Não eram mendigos. Fábio viu isso quando estava caindo depois de tomar uma direita bem no queixo. 
    Os sapatos estavam bem engraxados. Fábio viu isso quando foi acertado com um chute nas costelas. 

    Fábio não teve seu celular roubado. Não teve seu tênis roubado. 
    Fábio não voltou para casa naquela noite. 
    Fábio não foi à polícia naquela noite.

    Três caras. Um depois do outro. Falaram sobre milhares de coisas. Até sobre futebol. Fábio gostava de futebol. 

    Enquanto arfavam e soltavam tudo o que tinham dentro da bunda de Fábio, eles falaram de suas mulheres. Reclamaram de suas famílias. 

    Era o terceiro e Fábio já não tinha mais forças. 
    Foi o terceiro, seguido pelo silencioso motor do Civic prata estacionado do outro lado da rua. 
    Fábio ficou no beco escuro. Os ratos o deixaram deitado ao lado de um amontoado de sacolas fedidas. 

    Um ratinho pequeno e cinza, o olhava parado do outro lado do beco. Há menos de 6m. Parecia estar com pena. Seus pequenos olhinhos esbugalhados brilhavam parados sobre ele.
    Teria o ratinho perdido algum ente querido nessa noite? 
    Talvez a esposa de algum dos ratos que foderam com Fábio, talvez alguma dessas senhoras tenha acertado uma bela vassourada em um de seus irmãozinhos. 

    Minutos passaram e o ratinho permaneceu ali. 

    Com a calça sobre os tornozelos, com a cueca enrolada sobre os joelhos, com a bunda nua sobre a mistura de areia, grama e merda de cachorro. Fábio ficou ali, junto com o ratinho. 

    Fábio não voltou para casa naquele dia. 
    Fábio sentia aquela porra escorrendo por sua bunda.
    Fábio não podia voltar para casa, não daquele jeito.

    " Essa cidade é a prova de que Deus errou " - Disse o Ratinho.
    Fábio estava meio acordado e meio morto. Sentia-se morto por dentro, mas estava acordado. Estava desperto. 

    Cinco anos passam e civic's prata continuam te enjoando.
    Dez anos passam e sua namorada nem desconfia disso. 
    Vinte anos passam e você tenta viver como se aquilo nunca tivesse acontecido.
    Trinta anos passam e sapatos engraxados ainda te lembram daquela noite.
    Trina e cinco anos passam e você enterra sua mãe. 
    Quarenta anos passam e você ainda não fez as pazes com deus.
    Cinquenta anos passam e você coloca seus netos no karatê. 

    Fábio foi um garoto comum. Fábio é um homem que foi estuprado.

    " Essa cidade é a prova de que Deus errou " - Disse o ratinho.





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    Eu assisti o último episódio há pouco mais de uma hora. Não acho que estou pronto para escrever sobre o que achei da série, mas quero escrever mesmo assim. Vou começar falando de forma geral sobre a história e depois, falarei sobre minha reação, como me senti com a série (Leia essa parte).

    Enredo:
    Hannah Baker tirou a própria vida. Cortou seus pulsos e sangrou até a morte na banheira de sua casa. Clay recebe uma caixa com 13 gravações em 7 fitas. É a garota morta. Ela deixou nas fitas 13 razões para sua morte. Cada gravação é direcionada a uma pessoa. Alguém que fez algo a ela.

    Todos os que ouviram as fitas antes de Clay, estão juntos tentando manter isso em segredo, mas Clay não consegue. Ele mal pode ouvir a voz de Hannah sem sentir-se culpado. Ele é atormentado por cada fita, por cada ato, por cada palavra gravada pela garota que ele nunca mais veria.

    Cada episódio é um lado de uma fita. Cada episódio mostra o que cada pessoa fez contra Hannah Baker.

    Clay conta com a ajuda de Tony. O primeiro a receber as fitas mesmo não estando nelas. Hannah confiou a ele a missão de guarda-las e assegurar que fossem ouvidas por todos.

    É a história de uma garota que sofria muito, que foi machucada de todas as formas e quis acabar com sua dor. Se viu sem opções, sozinha e cansada. Tirou a própria vida, não por um motivo, mas por vários. Vários motivos que parecem pequenos, mas que são gigantes, enormes, do tamanho do mundo.

    Minha experiência com a série:
    É muito difícil dizer, pra ser sincero. Algumas pessoas acham que todo essa lance de dor interna, problemas existenciais é bobagem, eu não sou uma delas, talvez por isso eu tenho sentido tanta dor enquanto assistia a série.

    Em vários momentos na madrugada de ontem, enquanto assistia, implorei pelo sono. Eu não queria assistir nem mais um minuto da série, mas o sono não veio. Assim como Clay quis parar no meio das fitas, eu quis parar no meio dos episódios.

    Sabe aquela sensação de aperto na garganta? Como se algo apertasse sua garganta de dentro pra fora? Como se o seu coração tivesse subido do peito e quisesse sair pela boca? Eu me senti assim. Pela Hannah, pelo Clay e pelo Sr. e Sra. Baker.

    As coisas que machucaram tanto Hannah Baker como fofocas, boatos e mentiras. Zoações e humilhação, cara, vai me dizer que você nunca viu isso acontecer? Ou que talvez você já não tenha feito isso com alguém? Raiva! Eu senti durante toda a série, raiva porque tudo isso está o tempo todo diante de nossos olhos.

    Acho que a raiva que estava sentindo, estava ligada a vida real. Quero dizer, ia além da raiva que eu estava sentindo do Bryce ou do Justin, Eu estava com raiva de todas as pessoas no mundo, que dizem: É frescura, ou É falta de deus ou Quer chamar atenção. Eu estava com raiva de todos.
    Por que ignoramos isso? Por que ignoramos a dor? Por que menosprezamos isso? Raiva! É o que eu sinto quanto a isso.

    Eu torço para que o maior número de pessoas possível veja a série. Talvez assim possam ver além do que é superficial, palpável e físico. Talvez a série ajude alguém a transcender o superficial e conhecer o introspectivo.

    Eu imagino quanta dor uma pessoa pode estar sentindo agora. Quanta dor uma pessoa pode estar suportando. Quanta dor uma pessoa pode estar escondendo.

    O suicídio de Hannah Baker foi a ação final de uma pessoa que foi morta aos poucos, de uma pessoas que antes de sangrar literalmente, sangrou internamente. Sofreu, sentiu dor atrás de dor. Sozinha.

    Então, se você me conhece, sabe que pode conversar comigo. Se você não me conhece, saiba que pode.

    NOTA: 8 e 10
    Oito para a série enquanto série, é muito boa. Bem produzida, tem uma puta trilha sonora incrível e as idas do presente para o passado, contribuem muito para a história.

    Dez para a série enquanto mensagem. Esse tema não pode mais ser escondido, é preciso falar sobre, mostrar e ajudar. Acho que a série pode cumprir esse papel. Torço para que mais pessoas vejam e sintam a série.

    Veja a série, até o fim. Vai doer, mas eu indico com certeza!








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    É uma série renomada? É! Já ganhou emmys? Já! Mas, talvez você não conheça, o que não é nenhum pecado, certo? ERRADO! Na verdade é um pecado sim! Mas, não se preocupe, eu também não conhecia e agora me sinto finalmente, absolvido.

    Estou escrevendo algumas horas depois de terminar o último episódio da quarta temporada. Já dormi e acordei, mas confesso que ainda sinto aquele vazio de fim de série, sabe qual é? Então, felizmente a quinta temporada vem ainda esse ano, então você tem tempo para começar a série e assistir sem pressa, um episódio de cada vez (Como se fosse possível).


    Vou lhe dar um resumo do enredo da série e acredito que  isso será o suficiente para te deixar intrigado.

    Frank Underwood (O cara da foto ai em cima), esperava ser nomeado pelo novo presidente dos Estados Unidos como secretário de estado. Para sua surpresa e de sua esposa, o presidente o mantém no mesmo cargo que ocupava antes de ajudar o presidente a ser eleito. Este é o ponto inicial da série. A partir daí, Frank e Claire, arregaçam as mangas e começam a botar em prática uma série de planos para alcançarem seus objetivos.

    Manipulação, mentira e corrupção, nada disso importa, dane-se a moral e a ética. Frank usa as pessoas ao seu redor, trama por trás do presidente, chantageia seus deputados e faz tudo o que é preciso para fixar os degraus para sua ascensão.

    Sangue, dor, medo e morte, nada disso importa! Danem-se todos. O casal Underwood não tem escrúpulos, não que os outros sejam santos, pois não são, mas estão longe, muito longe da astúcia e determinação do casal.

    A trama se desenvolve ao redor da sede de Frank pelo poder. A série mostra do que o homem  é capaz de fazer para conquista-lo. Há limites para se conseguir o que quer? Frank diria que não! E você se surpreenderá com o que ele é capaz de fazer.

    Não demora muito pra perceber que mesmo sendo ficção, ela nos lembra um pouco da realidade. O que o povo americano na série sabe, é 1% do que realmente acontece lá dentro. Me pergunto se talvez nós também saibamos tão pouco quanto eles sobre o que acontece no nosso país. É possível.

    A série também retrata um lado do ser humano que normalmente é escondido ou maquiado. Podemos ser maus, muito maus. Se quisermos o seremos. Frank e Claire são realistas quanto a isso. Doug, chefe de gabinete de Frank é realista quanto a isso. E todos os que são inocentes e ingênuos, com certeza serão esmagados pelo casal e seus companheiros.

    Personagens principais: 
    Frank Underwood: Kevin Spacey tem um óscar como coadjuvante e um como protagonista. É um puta ator e sua atuação em House of Cards, é uma das coisas mais sensacionais que já vi. É perfeita!

    Claire Underwood: Robin Wright é uma mulher muito forte. Divide com o marido o desejo de poder. Nas poucas vezes em que o vê oscilar, está ali para empurra-lo de volta ao rumo. Mas não é só uma esposa que abriu mão de seus desejos pelos do marido. Ela tem seus objetivos e vai correr atrás deles!

    Os personagens secundários são tão bons quanto os protagonistas.
    Doug é chefe de gabinete, um homem tão inescrupuloso quanto Frank. Está com o chefe e muitas vezes é quem coloca as mãos na massa.

    Zoe Barnes é uma repórter que se envolve com Frank. Sua relação repórter e fonte, acaba evoluindo para um caso. É uma personagem interessante, que me irritou muito por sinal.

    Peter Russo é um deputado que de repente começa a receber "apadrinhamento" de Frank. Uma boa não?

    Remy Danton é interpretado pelo ganhador do último óscar de melhor ator coadjuvante. Mahershala Ali. É um lobista que já esteve trabalhando com Frank e agora trabalha para companhias de gás natural.
    Raymond Tusk é conselheiro do presidente e chefe de Remy.

    Inúmeros personagens surgem e somem, voltam e vão, mas todos foram construídos muito bem. Não há ninguém inútil, não existem personagens fracos. Todos são complexos, tem coisas a revelar e impulsionam o desenrolar da história. Poderia citar vários, como Mitchell o segurança do casal, Lucas um repórter que os investiga, Linda Vasquez, chefe de gabinete do presidente Gareth, etc...

    Curiosidades:
    Dilma Rousseff  e Barack Obama são fãs assíduos da série.

    David Fincher é um dos diretores. Foi diretor de  filmes como, Amnésia, Clube da Luta, Seven, Os homens que não amavam as mulheres, Garota exemplar e etc...

    É uma série ORIGINAL NETFLIX.

    Minha curiosidade preferida é essa: Frank em diversos momentos olha no seus olhos e conversa com você! Ele conta seus planos, xinga alguém, faz algum comentário ou conta uma piada. Eu amo quando há essa quebra de barreira. Ele sabe que estamos ali, assistindo-o e de certa forma, somos cúmplices de todos os seus atos. É brilhante.

    Segue algumas frases do grande protagonista:

    "A DEMOCRACIA É SUPERESTIMADA."

    "ELE ESCOLHEU DINHEIRO EM VEZ DE PODER - UM ERRO QUE QUASE TODOS DESSA CIDADE COMETEM. DINHEIRO É A MANSÃO NO BAIRRO ERRADO, QUE COMEÇA A DESMORONAR APÓS DEZ ANOS. PODER É O VELHO EDIFÍCIO DE PEDRA, QUE SE MANTÉM DE PÉ POR SÉCULOS."

    "SE NÃO GOSTA DE COMO A MESA ESTÁ POSTA, VIRE A MESA."

    Por fim, darei minha nota e o porque você DEVE assistir a série:

    NOTA: 10

    Primeiro é uma trama política incrível. Eu provavelmente assisti no pior momento possível. Só a palavra política me produz arrepios, estava e estou farto disso, mas a série é demais!
    Frank é um dos melhores protagonistas que já vi, principalmente pelo lance de saber que estamos ali com ele. É genial!
    A série é baseada na forma de política americana, dois partidos e tal. Ajuda a conhecer um pouco da forma americana de governo.
    E assista porque estou indicando, eu já te decepcionei?

    Enfim, está sem dúvida alguma no meu TOP 3 de séries.

    Obrigado NETFLIX e se leu até aqui.... Confie em mim e seja cúmplice de Frank Underwood!








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    A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, óculos e close-upJúlio Costa | Transgressor

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