• Home
Facebook Instagram Twitter Youtube
Transgressor
    • Home
    • Cinema
    • Séries
    • Literatura
    • Música
    • Contos
    • Outros



    Clube da Luta é uma adptação do livro de mesmo nome, escrito por Chuck Palahniuk. O filme lançado originalmente em 1999 teve um começo bem complicado, porque foi entendido pelo público como uma glorificação gratuita da violência, como um convite às armas contra o sistema e no Brasil, inclusive, tivemos um atentado terrível em uma sessão do filme (Um estudante de medicina metralhou várias pessoas). Uma prova de que as pessoas definitivamente não estão preparadas para qualquer tipo de confronto e é justamente isso que Clube da Luta oferece, um confronto.

    David Fincher e seu estilo controlador por trás das câmeras, talvez nunca tenha se revelado tão importante em toda sua filmografia como se revela em Clube da Luta. O filme, nas mãos de outras pessoas, poderia ter descambado para a violência gratuita, mas a adaptação foi feita com tanto cuidado − desde o roteiro feito por Jim Uhls sob a supervisão do autor, até a direção inventiva de Fincher −, que eliminando as compreensões perigosas, oferece uma série de questionamentos e acima disso, um retrato impressionante do homem moderno.

    O protagonista está com seus 30 anos. Tem um emprego estável e o apartamento que qualquer jovem gostaria de ter. Tem o mesmo apreço pelo consumo que qualquer outra pessoa. Mas, apesar de tudo ele tem insônia e passa noites seguidas em claro. -

    Resultado de imagem para clube da luta

    O protagonista da obra se encontra em um jogo de regras pré-estabelecidas, no qual ele é apenas um peão em cuja mente foi plantada a ideia de que poderia se tornar um rei, através da repetição da rotina em um trabalho que pague bem, à compra de artigos que tragam comodidade e a perseguição de sonhos que são comuns a todos, como a construção familiar e o estoque de riqueza.

    A raiva e as manifestações violentas que surgem na obra por meio da reunião de alguns homens, surgem justamente após a compreensão de que essas ideias implantadas são absolutamente mentirosas, no sentido de que o peão não se tornará Rei, não terá riquezas para estocar, nem fama para gozar ou qualquer outra coisa do tipo. É insatisfação, é enxergar que durante 30 anos foi guiado por um caminho que não o levará para os livros de história. A angustia de acompanhar a sua própria transformação, de você mesmo em seu pai, de notar que as vias estão se estreitando e o peão só tem um caminho para seguir.

    Clube da Luta manifesta justamente isso. O descobrir-se no jogo, a compreensão das regras e das mentiras, a raiva que se mistura ao medo e promove o nascimento do Clube que liberta os homens dessas amarras, através de socos e pontapés – que não são apenas socos e pontapés, mas são atos contínuos de libertação e rebeldia, é a punição pela passividade. O peão cruza o tabuleiro quebrando as regras e pervertendo o curso do jogo. Auto aperfeiçoamento é masturbação, agora autodestruição....

    Quando Tyler diz: Você não é especial¸ ele está acendendo o pavio de toda uma geração desesperada para sair do caminho que estava traçando. É uma provocação que se encaixa como a peça que faltava no quebra-cabeça que aqueles homens estavam resolvendo e que revelava a imagem completa de um homem vazio.

    Resultado de imagem para clube da luta

    Clube da Luta é um filme de 1999. Já fiz um vídeo sobre como a obra me influenciou, então qual a necessidade de escrever mais um texto abordando essas questões?

    Nesse momento, tenho diante de mim – nessa ordem −, teclado, xícara, mouse, monitor, quadro negro de cortiça e por fim a parede. Não sei se você consegue visualizar, mas esse quadro negro está absolutamente ao lado do meu monitor e nesse quadro, além de alguns lembretes sobre escrita como “Não use tantos verbos de pensamento (obrigado Chuck) ” ou “Não use tantos ques”, há também um pedaço rasgado de sulfite escrito Você não é especial porra, Você não é especial porra. Você não é especial porra. Você não é especial porra. Essa frase repetida quatro vezes. É um lembrete e outro dia bati os olhos nesse pedaço de papel e me coloquei a pensar acerca da obra, de sua mensagem e do porquê de ter posto esse lembrete bem diante dos meus olhos.

    A resposta é muito simples, na verdade. Em algum momento do passado eu tirei o pó da minha máquina de escrever, bati as teclas repetidas vezes e prendi essa frase no meu quadro negro, porque eu preciso ser lembrado diariamente de como nos manipulam, de como fazem de nós Hamsters correndo numa rodinha. Dizem que se corrermos muito, alcançaremos, mas estamos presos em uma rodinha dentro de uma gaiola e nós correremos para lugar nenhum.

    Resultado de imagem para Clube da luta

    Você não é especial.
    Continue Reading

    Diagnosticado com um grave problema de coração, Daniel Blake (Dave Johns), um viúvo de 59 anos, tem indicação médica para deixar de trabalhar. Mas quando tenta receber os benefícios do Estado, encontra-se emperrado numa burocracia injusta e constrangedora.

    Com o avanço tecnológico, é notável a influência digital nas relações humanas nos mais diversos âmbitos. É notória também a contradição digital em larga escala, visto que ao mesmo tempo em que democratizou e facilitou informações, criou um abismo comunicacional entre o século XXI e os séculos anteriores.

    Diante deste cenário moderno e digital, temos Daniel Blake, personagem principal do drama vencedor da ‘’Palma de Ouro 2016 (Cannes)’’ dirigido pelo britânico Ken Loach.

    Imerso a situações com resoluções de caráter digital, Daniel tem enormes dificuldades para usufruir de seus legítimos direitos e o filme irá bater em demasia nessa tecla a todo o momento. Paralelo a isso, temos a história de Katie, mãe solteira de dois filhos recém-chegada na cidade, sem dinheiro buscando sobreviver e sustentar seus filhos, submetendo-se a situações desagradáveis, como a prostituição por exemplo. Até aqui tudo normal para indivíduos periféricos a margem da sociedade.

    O mérito do filme se da pela cirúrgica crítica segregativa via comunicação, dado que desde os primórdios, de alguma maneira os tais ‘’donos do poder’’ mecanizam e manipulam situações para que permaneçam em suas respectivas posições.

    Se na política somos representados por candidatos que vivem num mundo paralelo de linguagem própria, polidas, cultas, especialmente se num debate político, se na área administrativa existem termos e expressões próprias, as vezes até em outra língua, se em bairros de classes distintas existem comunicações antagônicas e que no fim, tudo colabora para um estado de inércia, o filme acusa a segregação moderna: era digital.

    Adultos distantes do frenético avanço digital são ignorados e isolados de maneira bruta, salvo as exceções que conseguem se adaptar.
    Não há demérito na não adaptação e o motivo é simples: não há incentivo.

    O caminho é perigoso, afinal estão deixando de lado experiências e vivencias para criar, sem exagero nenhum, uma sociedade do zero que cresce de maneira precoce e afogam-se num mar de possibilidades.

    Dentre as ótimas cenas do filme, há uma que representa bem todo esse papo, onde o personagem diz que consegue erguer uma casa, criar móveis, pintar, ajustar a parte elétrica, no entanto, ao não saber usar um e-mail, é visto como um indivíduo de outro mundo (e de fato é).

    Daniel Blake é a representação de um cidadão que luta pelos seus direitos e não abaixa a cabeça para seus inimigos, mesmo impotente, sem saber o que fazer e quem esta enfrentando... Daniel Blake representa a resistência e a humanidade que nós temos (ou deveríamos ter).

    Texto de: Gustavo Pauletto
    Continue Reading

    Um Lugar Silencioso é um filme simplesmente fantástico! Uma experiência de angustia, tensão e ansiedade completa. Um filme em que a técnica grita sua qualidade com a doçura de um sussurro. Um filme em que a execução consegue ser tão boa quanto a ideia. Sim! Um Lugar Silencioso é tudo isso e muito mais!

    Nosso mundo está tomado por criaturas assustadoras e letais. Nós não sabemos o que aconteceu para que essas criaturas surgissem, mas sabemos que o mundo todo foi tomado e sabemos também que essas criaturas são guiadas pelo som. Seu sistema auditivo é muito poderoso, então sua presa é descoberta a partir do barulho mais silencioso, e então não há muito o que ser feito. O mundo se tornou Um Lugar Silencioso, porque se existe alguma segurança, se existe alguma chance, essa chance está no silêncio.

    Essa proposta inicial é brilhante. Particularmente, amo ver essas tramas distópicas/apocalípticas. Sempre são tramas que provocam a contemplação, que provocam o pensamento no: “SE”. Isso é muito bom, porque estamos acostumados com uma vida segura, mas a verdade é que basta um pilar da sociedade ocidental ruir para que tudo venha abaixo, e diante de tudo o que temos visto, a questão é: Dá para duvidar?

    Trazendo  o PLOT da história outra vez para a conversa, o mundo está assolado por essas criaturas e todos precisam fazer silêncio se almejam sobreviver. Aproveitando isso, o filme entrega na maior parte do tempo o silêncio como trilha. Você consegue ouvir os passos na areia, consegue ouvir o ranger da madeira, o barulho do vento nas árvores, do rio. Você é levado para junto dessa família que tenta sobreviver e acaba sendo completamente imerso nessa tensão. O silêncio do filme é assustador, porque você sabe que uma daquelas criaturas assombrosas pode estar por perto. Você se coloca na ponta da cadeira e torce silenciosamente para que eles continuem em silêncio. A trilha sonora do filme é muito pontual e na maior parte do tempo dá espaço para os efeitos sonoros, que são extremamente precisos e aumentam muito a tensão sempre que estão presentes.

    As criaturas emitem um som espectral, um som redondo, que como um bumerangue faz uma volta completa por trás de você, tirando completamente a sua noção de espaço. Você não sabe onde a criatura está, de onde ela vem ou por onde ela vai chegar, mas você sabe que no momento em que aquele som, aquele maldito som surge, algo ruim está para acontecer, então você se encolhe na cadeira e reza aos deuses para que aquela família fique em silêncio.

    O começo do filme é cadenciado, mas ajuda muito você a construir uma identificação com os personagens. O começo também nos ajuda a entender a ambientação da história e o mais incrível, há um momento longo em que não existe nenhum tipo de diálogo, nem mesmo na linguagem dos sinais. Você fica se preparando, durante todo esse momento para o pior, e quando aquilo finalmente acaba, você respira e percebe que prendeu a respiração durante todo aquele tempo, talvez até tenha batido algum record, mas ninguém jamais saberá.

    O começo é cadenciado, mas é extremamente corajoso. A cena da ponte, que inclusive aprece nos trailers, é fantástica! E John Krasinsk, o “Tim” de “The Office”, nos mostra muita versatilidade, criatividade e confiança, porque todo primeiro ato é filmado com câmeras extremamente criativas.

    O Roteiro é maravilhoso, principalmente porque conseguiu incluir subtramas densas, em uma trama principal pesadíssima. Então o filme tem algumas camadas que são emocionalmente muito complexas e pesadas. O filme consegue acompanhar o roteiro, desenvolvendo os personagens e as tramas com muita naturalidade e eficácia.

    O desenvolvimento dos personagens é muito bem feito, o roteiro dá muito peso a cada um deles. Fica o destaque para a atuação das duas crianças, o garoto Noah Jupe, que trabalhou no filme “Extraordinário” e para a garota Millicent Simmonds, que é deficiente auditiva e pensando no contexto do filme, de trabalhar o silêncio e o som, ela com certeza somou muito para a trama com sua experiência de vida. John Krasinski é um velho conhecido da comédia, mas aqui, assim como Jordan Peele (Corra), entrega um filme fantástico de suspense, tensão, terror e horror. Sua atuação é boa, e sua direção surpreende, então fico feliz com seu trabalho como diretor e bastante ansioso por ver mais de Krasinski ocupando a cadeira de Diretor e entregando mais bons filmes.

    Agora, para finalizar a parte das atuações, eu gostaria de gritar: EMILY BLUNT O QUE DIABOS VOCÊ FEZ!? Meu Deus! A atuação dessa mulher é INCRÍVEL!

    Emily Blunt tem uma atuação memorável em Um Lugar Silencioso. Há uma sequência insana de cenas em que ela entrega um milhão de expressões faciais, entrega uma dor sobre-humana, entrega uma mãe querendo proteger os seus filhos, e faz tudo isso de uma forma extremamente real e crível. Eu quero muito falar sobre a cena em si, mas seria uma spoiler e eu odeio spoilers, então por favor vejam esse filme e aplaudam Emily Blunt!

    Agora para finalizar mesmo, eu gostaria de ressaltar o quão bom é esse filme. Um Lugar Silencioso é a união de um ótimo roteiro, com muito talento na direção e em toda a parte técnica do filme, desde a edição de som, design de som, direção de arte, até as atuações muito consistentes e claro Emily Blunt dando muito peso para o filme com sua atuação.

    É um filme que pode e provavelmente vai te emocionar, principalmente no terceiro ato, quando o filme ganha um ritmo alucinante e ganha também uma carga dramática bem pesada com o desenvolvimento de uma das subtramas. Mas, também é um filme que pode te impressionar tecnicamente, e se você prestar bastante atenção, talvez até se apaixone por esse lado mais técnico.

    Um Lugar Silencioso te coloca na ponta da poltrona. Te deixa tenso do início ao fim e por tudo isso, sem dúvida alguma, é um dos grandes acertos que vi no cinema nos últimos anos.

    Se eu puder te dizer mais uma coisa: VEJA ESSE FILME NO CINEMA!
    Continue Reading


    Bingo: O Rei das Manhãs é um filme inspirado na vida de Arlindo Barreto. O nome talvez não te lembre absolutamente nada, mas isso só acontece porque esse homem não era famoso por ser Arlindo, era famoso por ser o BOZO.

    O filme de Daniel Rezende não conta a história do Bozo, conta a história de Arlindo Barreto, o homem por trás do palhaço. Mas não é uma cinebiografia, é um filme inspirado na vida deste homem. Um homem que sabia do que era capaz, um homem que lutou pela fama, pelos holofotes e no meio de toda essa luta se perdeu por caminhos turvos. O filme bebe da história de Arlindo Barreto e nos apresenta o personagem ficcional Augusto Mendes, o BINGO.

    O Bozo é um dos grandes personagens da história da Tv Brasileira. Marcou toda uma geração, é um ícone dos anos 80. A história do palhaço e seu talento para divertir já é muito conhecida. Daniel Rezende (Diretor) e Luiz Bolognesi (Roteirista) decidiram então contar a história do homem por trás do nariz de palhaço. Uma história cheia de camadas e reviravoltas, uma história desafiadora e que tinha poder para se transformar num grande filme.

    Uma história desafiadora precisa de pessoas que amam desafios para ser contada. É aí que entra Vladimir Brichta, um ator conhecidíssimo por seus papéis em novelas e seriados do canal 5. A história havia sido pensada para ter como protagonista Vagner Moura, um ator que já teve grandes atuações no cinema, um ator conhecido justamente por ter grandes papéis no cinema. Outra vez, É aí que entra Vladimir Brichta. Sua atuação em Bingo é simplesmente fantástica. É memorável. A história é realmente desafiadora, porque o personagem tem vários pontos diferentes de contato. Há o “Augusto” com seu filho, o Augusto como Bingo, o Augusto com sua mãe, o Augusto com sua produtora. É interessante assistir ao filme e notar a naturalidade com que Vladimir flutua por dentre esses pontos de contato, gerando e reagindo de forma orgânica, como se aquela história fosse a sua história, como se ele tivesse vivido cada um daqueles momentos. Um ator que queria ir além e encontrou no personagem a chance de transcender tudo o que já havia feito em uma carreira de sucesso. Bingo é também o carimbo na ficha de Vladimir Brichta, um carimbo que diz: Este é um grande ator. Um ator que pode realizar coisas grandes.

    O casting feito para o filme foi impecável. As escolhas funcionam maravilhosamente bem. Eu gostei muito da atuação da Leandra Leal, fazendo a produtora Lúcia, uma mulher doce, mas firme em seus posicionamentos, uma mulher que na década de 80 foi extremamente importante por ocupar um espaço que era majoritariamente masculino. Gosto muito do personagem Vasconcelos, interpretado por Augusto Madeira. Um personagem pontual, que traz um tom cômico, mas também é um dos grandes pivôs da transformação do personagem de Vladimir Brichta. O filme ainda conta com Emanuelle Araújo, interpretando a Gretchen em seu início de carreira na tv, Pedro Bial como um dos chefões da tv rival e Domingos Montagner com uma atuação pontual e muito importante.

    A história, como eu já disse, é desafiadora. Uma história que poderia e gerou um grandioso filme, mas é óbvio que uma boa história precisa cair em boas mãos e felizmente caiu em ótimas mãos! Daniel Rezende, o diretor do filme estava dirigindo o seu primeiro filme. Exatamente, Bingo é a obra de estreia de Daniel Rezende como diretor, dá pra acreditar? Tudo bem, Daniel Rezende já foi até mesmo indicado ao Oscar, sabia? Daniel é um dos grandes montadores. Trabalhou na montagem de Cidade de Deus, Tropa de Elite, Árvore da Vida, trabalhando com grandes nomes como Terrence Malick, Fernando Meirelles e José Padilha. Sua carreira como montador é brilhante e não tenho medo de dizer, com Bingo ele deu um belíssimo pontapé em sua carreira como Diretor.

    Bingo O Rei das Manhãs é um espetáculo técnico. O filme tem um ritmo muito constante e muito atraente. É difícil pensar em fazer qualquer outra coisa enquanto se assiste ao filme. Ele tem aquele algo a mais que te prende completamente. A narrativa avança num ritmo frenético, as câmeras contam a história, a música conta a história, as luzes contam a história. Bingo é um belo exemplo de como um filme deve utilizar toda a linguagem cinematográfica em prol da história que está contando. A fotografia, a iluminação, a música, tudo converge para potencializar a história que está sendo contada. Isso é brilhante e isso mostra o belo trabalho do Diretor Daniel Rezende e de sua equipe!

    Minha única crítica fica aos minutos finais do filme, acho que alguns minutos foram adicionados para contar um restinho de história que é importante, mas que talvez não coubesse dentro do filme. A sensação é que talvez o filme pudesse ter acabado alguns minutinhos antes, algumas poucas cenas antes. Mas, é só isso, é só essa gordurinha. O filme não tem mais nada que eu possa apontar de forma negativa.

    Bingo, sem dúvida alguma é um dos maiores presentes que o povo brasileiro poderia receber. É uma pena não ter conseguido seu espaço no Oscar, mas isso de forma alguma diminui os méritos desse belíssimo filme. Daniel Rezende, meus parabéns. Vladimir Brichta, meus parabéns, Luiz Bolognesi, meus parabéns. A todos os envolvidos, meus parabéns.

    Bingo é um lembrete da beleza e qualidade do nosso cinema. É um lembrete do que nós podemos fazer, das histórias que podemos e vamos contar!

    Continue Reading

    Eu terminei de assistir Good Time com a certeza de ter visto algo extremamente autoral. O filme é muito bem executado e tem cara de clássico independente. Essa obra tem poder para marcar muitas pessoas. Um daqueles filmes que vai fazer com que muitas apaixonem pelo cinema. O filme tem esse carácter autoral, independente e transgressor. É uma experiência sufocante, mas extremamente prazerosa!

    É um filme que nos mergulha no submundo de uma grande cidade, através de uma narrativa intensa, que possuí um senso de urgência muito forte e você consegue sentir esse desespero, porque a forma como a fotografia do filme foi trabalhada, com câmeras nervosas, com movimentos truncados, com tomadas claustrofóbicas e muitos close-ups tiram de nós a possibilidade de ignorar o que está acontecendo. A trilha sonora, feita principalmente com sintetizadores, contribui muito para essa sensação, já que a trilha está presente em praticamente todos os momentos do filme e dá um tom ritmado e angustiante, que segue o crescimento da narrativa potencializando a angustia e o nervosismo de quem assiste o filme.

    Robert Pattinson é um ator muito talentoso. Um ator que gosta de desafios e já se mostrou ser um ator bem completo. Acontece que Pattinson conhecia o trabalho dos irmãos Safdie’s, e numa atitude bastante impulsiva entrou em contato com os irmãos e disse que faria qualquer coisa para trabalhar com eles. Os irmãos Safdie’s são dois caras muito criativos e com um olhar muito puro para o cinema. Good Time é a união de vários talentos, é a união de forças e qualidades para a realização de uma grande obra. É assim que as coisas devem funcionar. Pessoas que querem realizar grandes coisas se reúnem, aproveitam os talentos uns dos outros e criam coisas importantes como Good Time!

    Além de Robert Pattinson, interpretando com maestria o protagonista Connie Nikas, temos Ben Safdie interpretando de forma doce e tocante Nick Nikas, o irmão de Connie que acaba sendo preso na tentativa de roubar um banco. Também temos Jennifer Jaison-Leigh, Taliah Webster, Barkhad Abdi e o ótimo (ótimo pra valer) Buddy Duress.

    A narrativa se desenrola a partir desse assalto frustrado. Connie sabe que o irmão mais novo está preso por sua culpa, e então ele começa sua jornada pelo submundo da cidade em busca de dinheiro para tirar seu irmão da cadeia. Essa jornada é cheia de desespero, adrenalina e violência. Como eu disse acima, existe um senso de urgência gigantesco, que nós sentimos na pele enquanto participamos do filme.

    Eu realmente vejo nesse filme o potencial de ser um Clássico do cinema indie. Um filme que tem aquelas características marcantes dos filmes da década de 90, a temática do assalto ao banco que já foi bem desenvolvida no cinema, mas que em Good Time é abordada de uma forma bem diferente, levando até mesmo uma questão de preconceito muito forte para o filme, então eu acho que esse filme tem os elementos e a qualidade de um filme clássico. Não tenho medo de dizer isso.

    É um filme muito autoral, que mostra bem a ideia de cinema dos irmãos Safdie’s, e mostra também o potencial gigantesco de atuação de Robert Pattinson e de Buddy Duress. O filme é a reunião de pessoas que sabem o que querem fazer, sabem que história querem contar e porra, o resultado é um puta filme!
    Continue Reading


    Trama Fantasma é a mais nova obra de Paul Thomas Anderson, um dos diretores mais respeitados e elogiados pela crítica. O filme conta com Daniel Day-Lewis como protagonista, neste que segundo o ator, foi seu último filme.

    Reynolds Woodcook (Daniel Day-Lewis) é um grande estilista, que com a ajuda de sua Irmã Cyrill (Lesley Manville), produz vestidos para grandes personalidades, para a nobreza e para a elite britânica. Reynalds obtém sua inspiração das mulheres que conhece. Esse ciclo de conhecer uma mulher e manda-la embora é comum na casa Woodcook, entretanto com Alma (Vicky Krieps), a situação muda totalmente.

    O filme é dirigido por Paul Thomas Anderson. Não há muito o que dizer sobre questões técnicas do filme, a não ser ressaltar sua perfeição. Paul Thomas Anderson guia seus filmes como um maestro, utilizando todos os elementos do audiovisual para contar suas histórias. Utiliza-se da música e do silêncio, principalmente do silêncio. Em Trama Fantasma, ele eleva o som dos efeitos sonoros para que nos sintamos como Reynolds, ouvindo Alma fazendo todos os barulhos possíveis enquanto está preparando sua torrada matinal. A direção de PTA é pensada, é planejada, é segura. Em Trama Fantasma, ele entrega mais um filme tecnicamente impecável.

    A história em si é pequena, quero dizer, Reynolds é um gênio no que faz. As mulheres entram em sua vida para inspira-lo, e em troca recebem sua frieza e grosseria. Não é um personagem fácil. O plot da história é definido quando Alma passa a querer mais do que somente trazer inspiração a Reynolds. O filme a partir disso, se desenvolve com muitos diálogos, alguns até bastante engraçados, além da interação se intensificar entre Alma e Cyrill, uma relação de poucas palavras, mas de um "ciúme" pungente que está presente em todas as cenas que as duas estão compondo o quadro.

    Daniel Day-lewis é fantástico como sempre. Entrega um personagem rude, áspero, chato, e o faz como ninguém mais poderia fazê-lo. É importante ressaltar a atuação de Leslie Manville, como Cyrill, a irmã de Reynolds. Ela tem uma atuação muito interessante, trabalhando o silêncio, e mesmo sendo uma coadjuvante de suporte para o protagonista, ela vai muito bem e em alguns momentos se destaca bastante, principalmente quando interage com Vicky Krieps. Vicky Krieps tem uma atuação muito sólida. Seu rosto quase inexpressivo, seu sorriso sem mostrar os dentes, sua forma de lidar com Cyrill e com o próprio Reynolds, sua atuação conversa com a personagem e com o tom do filme, portanto, não a vejo como um elemento que destoa dentro dessa ópera de Paul Thomas Anderson.

    É importante lembrar que o filme se passa em 1950, e Paul Thomas Anderson demonstra seu zelo com a obra mais uma vez, ao nos fazer sentir a ambientação e a época do filme. A iluminação amarelada de inúmeras cenas, traz esse peso “envelhecido” ao filme, facilita a ambientação, bem como as cores esmaecidas.

    Trama Fantasma é um bom filme. Um espetáculo técnico e visual. Uma história pequena, onde os personagens se mostram camada a camada. Paul Thomas Anderson nos dá um vestido costurado por suas próprias mãos, com o maior cuidado do mundo, sendo ajudado por Daniel Day-Lewis. Cada ponto dessa costura está em seu devido lugar. Palmas a Paul Thomas Anderson, e que os Deuses façam Daniel Day-Lewis adiar sua aposentadoria.

    Continue Reading

    Três anúncios para um Crime é um filme forte e pesado. Não é uma história investigativa. É uma história sobre pessoas, sobre personalidades, sobre feridas que custam a se curar, feridas que talvez nunca venham a se curar, é um filma sobre a dor.

    Sete meses se passaram desde a brutal morte de sua filha. A polícia não encontrou o culpado e nem parece disposta a fazê-lo. Inconformada com o descaso e ineficácia da polícia, Mildred Hayes (Frances McDormand) decide alugar três outdoors, que a partir de então passam a estampar uma crítica a polícia e mais diretamente ao Xerife Bill Willoughby (Woody Harrelson), com o objetivo de chamar a atenção da polícia e da mídia para o assassinato brutal de sua filha, e a ausência de justiça.

    É uma história simples, que como disse acima, nem trata da investigação em si - exceto em um único momento. O filme se desenvolve através de atuação fantásticas e de personagens com arco, com background, personagens tridimensionais, o que aponta para Martin MacDonagh, roteirista e diretor de Três Anúncios para um crime, que fez um excelente trabalho no desenvolvimento dos personagens e da trama.

    O filme prende do início ao fim. É interessante que o roteiro não tenta abraçar o mundo, pelo contrário, a trama é desenvolvida ali, naquela cidadezinha cheia de fofoca e hipocrisia, é um plot simples, desenvolvido com humildade e com uma maturidade fascinante. O filme prende porque tem personagens fortes, tem uma tensão que escala brutalmente, mas que é balanceada com uma dose de humor na medida certa.

    O filme nos apresenta as implicações da atitude de Mildred o tempo inteiro, e a cada nova ação, de cada personagem, nós temos novas implicações e consequências. Isso dá ainda mais peso e credibilidade a obra, pois ninguém aguenta mais filmes em que o personagem saí da mesma forma que chegou, sem mudanças, sem arco, sem variações. Três anúncios brinca o tempo todo com a personalidade de seus personagens, brinca de uma forma inteligente e que nos faz flutuar entre o amor, o ódio, o medo, a empatia e a antipatia. Brilhante trabalho de roteiro.

    Para dar mais corpo ao que venho dizendo, quero ressaltar o excelente trabalho dos coadjuvantes. São vários e todos com uma decência digna de aplausos, a começar pelo ótimo Woody Harrelson, que nos dá um Xerife experiente, que carrega uma dor enorme, por uma questão particular que você verá no decorrer do filme, e carrega a tristeza de não conseguir ajudar Mildred a encontrar o assassino de sua filha. Woody Harrelson tem uma atuação fantástica, seu personagem tem aquele velho humor negro, que misturado a dor, constrói um personagem que nos cativa, mesmo não correspondendo ao estereótipo do “Bom policial”. Sam Rockwell nos dá Dixon, um policial agressivo e meio pirado, que age por impulso e até é comentado na cidade como racista. O arco de Dixon é muito bacana e há também a relação dele com sua mãe, que também funciona muito bem para o desenvolvimento do personagem. Temos Lucas Hedges, que vai muito bem como filho restante de Mildred, Peter Dinklage, também vai muito bem como um admirador de Mildred, John Hawkes vai bem como ex-marido pirado.... Enfim, você já entendeu, o corpo de atores de Três Anúncios para um Crime é brilhante, e palmas para Martin McDonagh, que escreveu esse ótimo roteiro.

    Por fim, gostaria de falar de Frances McDormand, que nos dá Mildred Hayes, uma mulher durona, que está cansada de esperar passiva pela ação dos outros. Uma mulher que sofre o tempo todo pela perda da filha, e principalmente por não ter conseguido construir uma boa relação com ela. Meu, o que essa mulher, Frances McDormand, faz, é um absurdo! Uma atuação brilhante, o texto flui de uma maneira incrível, com virgulas, expressões, trejeitos. Você sente o ódio de Mildred, a dor de Mildred, o sarcasmo de Mildred, você sente tudo através das expressões faciais de Frances McDormand, que entrega uma mãe arrasada, uma pessoa quebrada pela morte, uma mulher com rugas. Frances McDormand nos dá a dor de uma mãe que perdeu sua filha, e faz isso de uma forma que eu jamais havia visto anteriormente.

    Três Anúncios para um Crime é um filme fantástico, de personagens vivos. Uma história simples contada da melhor forma possível. E que reverenciemos Frances McDormand por sua belíssima atuação.
    Continue Reading


    Corra! É o primeiro filme dirigido por Jordan Peele, e conta com o excelente Daniel Kaluuya como protagonista. O filme aborda principalmente a temática do racismo, e obtém sucesso, pois o faz isso de uma maneira bem inédita.

    Chris Washington (Daniel Kaluuya), vai conhecer a família de sua Rose Armitage (Allison Williams), sua namorada a mais ou menos 5 meses, mas essa visita acaba se transformando em uma série de situações estranhas e assustadoras.

    Em uma das cenas iniciais do filme, Chris pergunta logo de cara a Rose, se ela já havia contado aos seus pais que namorava um cara negro, e ela desconversa dizendo que seus pais são tranquilos e abertos. Aqui, Jordan Peele nos aponta uma direção.

    Há uma outra cena, em que, durante a viagem eles acabam batendo em um cervo na estrada e um policial começa a encrencar com Chris. Rose, como uma boa namorada, se mete no meio criticando a atitude do policial. Aqui Jordan Peele nos aponta outra direção.

    Quando chegam, Chris começa a lidar com um racismo disfarçado. O famoso: Não tenho nada contra, até tenho amigos negros. E o filme trabalha bem com essa ideia, numa festa em que praticamente todos os convidados são brancos, as conversas com Chris só acontecem através de estereótipos, e da citação de personalidades negras, numa tentativa de mascarar o racismo eminente.

    O filme vai ganhando o aspecto non-sense aos poucos, e quando isso acontece nós somos imersos junto com Chris nessa espiral de eventos e diálogos perturbadores.

    A mãe de Rose (Catherine Keener) é terapeuta e diz que pode hipnotizar Chris para que ele pare de fumar. Essa cena é maravilhosa! O filme faz a transição do real, para a animação, e depois extrapola isso com o surreal. Transições muito bem-feitas, por sinal. 

    Muito dessa imersão acontece graças à excelente atuação de Daniel Kaluuya, que faz caras e bocas, expressões realmente expressivas, entende? Ele tem esse poder quando arregala os olhos e as lágrimas escorrem, ou quando franze os olhos, torce a boca, enfim....

    O filme também nos apresenta o melhor amigo de Chris (Lil Rel Howery), que é um alívio cômico pontual e preciso! Ele funciona muito bem para a história em todas as suas aparições, falando em gírias e nutrindo um “racismo para com os racistas”, saca? É sensacional!

    Jordan Peele, que é conhecido por suas sketches para a internet, seus especiais de comédia e por Key and Peele − uma comédia feita em sketches para a tv −, demonstra um controle muito grande sobre o filme, e consegue encontrar um equilíbrio entre o comum e o non-sense, tratando a questão do racismo com um humor muito eficaz.

    Daniel Kaluuya controla o filme tranquilamente, tem uma atuação segura e suas expressões faciais são incríveis! É um ator jovem e que, depois dessa atuação nós com certeza o veremos em muitos outros grandes filmes.

    Corra! É um filme equilibrado, que utiliza o humor e o non-sense para contar uma história sobre racismo, extrapolando questões, e nos levando a pensar no “E se”, ou seja, missão cumprida.


    Um excelente protagonista, dois bons coadjuvantes, uma direção segura, transições suaves do non-sense para o real e uma proposta de discussão extremamente atual. Corra! É um ótimo filme, e nos dá boas expectativas para o futuro de Jordan Peele como diretor e de Daniel Kaluuya como ator.



    Continue Reading

    Os monstros salvaram Del Toro, e em A Forma da Água, Del Toro parece querer nos dar motivos para acreditar em um amor sublime e irreal, um amor intangível e puro, o amor entre um monstro e uma mulher,  e ele o faz, nos apresentando uma união que sem palavras, nos fala mais que mil filmes de romance ambicionam dizer.

    A Forma da Água é a história de amor entre Elise Esposito (Sally Hawkins) e A Forma (Doug Jones). Um amor que surge aos poucos, quando Elise, uma solitária faxineira, é encarregada da limpeza da área secreta em que A Forma está presam, num centro de pesquisas governamental.

    A história se passa no início da década de 60, então existe uma tensão política causada pela Guerra Fria, como pano de fundo. Aquela velha disputa entre americanos e russos pelo poder, influência e pelos avanços científicos e tecnológicos. Nós sentimos o peso dessa tensão, pelo desespero de Richard Strickland (Michael Shannon), que perde A Forma, prestes a se aposentar com glórias por tê-la capturado, e que agora, precisa mais do que nunca, recupera-la.

    O filme tem suavidade e delicadeza impar ao mostrar a aproximação entre Mulher e Monstro. Uma aproximação em que palavras não são ditas, visto que o Monstro, é um monstro, e Elise, é muda. O modo como Del Toro nos mostra essa aproximação e o nascimento da comunicação entre os dois, é tão doce, tão meiga, tão cheia de carinho, é algo digno de aplausos, pois Del Toro nos apresenta uma versão do amor tão bela, que nos faz querer compartilhar com os personagens, tais sentimentos.

    No primeiro ato, Del Toro nos apresenta a vida de Elise e sua rotina. Dentro dessa vida, existem dois personagens magníficos, que nos cativam imediatamente. Giles (Richard Jenkins), vizinho de Elise, e Zelda Fuller (Octavia Spencer), melhor amiga de Elise e companheira de trabalho. Del Toro utiliza muito bem o humor para construir o primeiro ato. Os diálogos entre Giles e Elise, entre Zelda e Elise, são divertidíssimos, porque como Elise não fala, ela acaba sendo a ouvinte perfeita, e então os dois falam e falam e falam sobre suas vidas e suas desgraças. Essa construção é divertidíssima, e Richard Jenkins e Octavia Spencer, entregam dois coadjuvantes de se aplaudir de pé!

    Del Toro retorna à uma parceria de muito sucesso ao dar o papel da Forma para Doug Jones, que atuou como Fauno em O Labirinto do Fauno, filme de Del Toro que é praticamente unânime entre a crítica. O Homem Anfíbio, em A Forma da Água, traz uma poesia em cada movimento, e dá a oportunidade à Del Toro de referenciar o cinema clássico. O aspecto visual é magnífico, bem como toda a fotografia de Dan Laustsen que captura essa poesia em cada quadro.

    O Filme se desenvolve ganhando um pouco mais de ação e até uma certa sensualidade intercalada com humor e tensão. O caminho que o filme segue em direção ao terceiro ato, é um daqueles caminhos que te faz ficar na ponta da poltrona, ansioso pelo desfecho, torcendo pelo final feliz desse belo "conto de fadas".

    A Forma da Água é um filme de inúmeros méritos, a começar pela ótima direção de Del Toro, o ótimo roteiro, o ótimo casting, a música de Alexander Desplat que é suave e casa com o filme em todos os momentos e a atuação de Sally Hawkins, digníssima de Óscar.... Mas, ouso dizer que o maior mérito do filme, é perguntar: “O que nos torna humanos? ”

    O Filme tem problemas? Sim, mas se tornam quase irrelevantes, porque Del Toro acertou a mão em cheio, dando suavidade, delicadeza e doçura a este belíssimo filme, que mostra a evolução de um diretor que não se contenta com o real, não se prende ao convencional, e permite que a fantasia ganhe vida, em forma de monstros que nos lembram do que realmente nos faz humanos.

    A Forma da Água é uma história de amor única. Uma fábula escrita, dirigida e atuada, com uma paixão única, uma paixão que transborda da tela para as poltronas, uma paixão que nos imerge nesse belíssimo mundo fantástico de Guilhermo Del Toro.

    Continue Reading

    Vou começar citando alguns nomes, ok?

    Steven Spielberg, John Williams, Janusz Kaminski, Merly Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson, Bob Odenkirk, Bruce Greenwood.

    Eu sei. você poderia parar por aqui, já que depois de entregar todos esses nomes fica óbvio que o filme é incrível, certo? Mas continue, por favor. 

    Ao estilo de Spotlight (Que venceu o Oscar de melhor filme em 2016), Spielberg decide contar um pedaço da história do jornal Washington Post, que era apenas um jornal local até o desenrolar dos fatos abordados no filme.

    O New York Times, conseguiu acesso à documentos secretos que revelavam a verdade por trás da campanha americana no Vietnã. O documento continha declarações que afirmavam a incapacidade americana de vencer a guerra, enquanto mais jovens continuavam sendo mandados para o Vietnã. Naturalmente, quando o New revelou essas informações, criou um caos social e recebeu fortes censuras vindas diretamente da Casa Branca.

    Ben Bradlee (Tom Hanks) encontra nessa situação toda uma oportunidade para promover o jornal, lutar pela Liberdade de imprensa e pelo direito do povo de saber a verdade, mas diante das censuras que o governo estava impondo à quem vazasse esses documentos, Kay Graham (Merly Streep), a proprietária do Washington Post, fica receosa sobre a participação que seu jornal deveria ter em tudo isso, principalmente porque um de seus grandes amigos, Robert McNamara (Bruce Greenwood), estava envolvido no escândalo até o pescoço.

    A trama se desenrola por meio da busca de Ben Bradlee, Ben Badgikian (Bob Odenkirk) e equipe pelos documentos, e após terem acesso a esses documentos, o conflito escala para a decisão de publicar ou não as informações que comprometeriam o governo e revelariam a mentira que fora escondida durante anos da população.

    O roteiro de Josh Singer (Vencedor do Oscar de roteiro original por Spotlight), é excelente e desenrola a trama principal e as subtramas muito bem, bem como já havia feito em Spotlight.

    Tom Hanks tem uma atuação consistente, como sempre, e encarna Ben Bradlee, o editor do Washington Post. Um homem ambicioso, obstinado e apaixonado por sua profissão. Durante o filme, ele interage com os outros personagens, mantendo um humor ácido e um sarcasmo afiado.

    Merly Streep é maravilhosa outra vez, e trabalha um papel muito interessante, pois existe um arco bastante claro em Kay Graham. Ela começa o filme ocupando uma posição “masculina”, sendo ignorada, menosprezada e seus conselheiros não aconselhavam, mas intimidavam-na em direção à uma decisão. Com o desenrolar dos fatos, Kay Graham vai crescendo e ganhando força, confiança e aceita completamente o poder que têm.

    Bob odenkirk, nosso querido Saul de Breaking Bad, tem uma ação digníssima. Muito boa, equilibrada, segura, consistente. Todas as suas aparições são perfeitas. Ele entrega um ótimo coadjuvante para a trama.

    A fotografia tem um papel interessante no filme, principalmente no tocante à personagem de Merly Streep, que começa o filme acanhada e a câmera sempre a captura em meio à muitas outras pessoas, mas quando ela cresce, a câmera cresce junto e ela passa a ocupar a cena de outras formas. A fotografia comunica isso de forma muito eficaz.

    Sarah Poulsen também é uma coadjuvante que colabora para a história. A belíssima e talentosíssima atriz, tem um diálogo maravilhoso com Tom Hanks sobre Kay Graham, que acaba falando muito com quem está assistindo.

    O filme tem cenas belíssimas, mas o que chama atenção é como o jornalismo é mostrado de forma ampla, indo da captura de informação, à redação e dá redação, à formatação da placa de impressão, até a impressão do jornal.

    Não há muito o que dizer sobre Spielberg, John Williams e Kaminski. Essa trinca não comete erros!

    O filme é uma ode ao jornalismo. Ao jornalismo que não se cala, que busca a verdade e se preocupa realmente com o leitor. Questionamentos importantíssimos são levantados. Questões sobre liberdade de imprensa, sobre a relação do governo com o jornalismo e sobre a relação do governo com os governados.

    The Post é um filmaço!

    Continue Reading

    Lady Bird é um filme tão gostoso que você vai assistir toda santa vez que estiver passando nos “telecines” da vida.

    O filme conta um recorte da história de Christine, ou Lady Bird, ou Christine ─ Você vai entender a troca de nomes ─.
    É o último ano de Lady Bird no colégio, e ela está enfrentando típicos problemas dessa fase. Está enfrentando dificuldades com a família, principalmente com sua mãe, está naqueles momentos de descoberta sexual, descoberta amorosa, está com problemas de confiança e seu maior desejo é fazer faculdade bem longe de Sacramento. Para ela, estar naquela cidade é um dos fatores que a faz tão infeliz. Enfim, o plot é muito simples e já vimos essa história uma centena de vezes, mas é aquilo: Não é O QUE se conta, mas COMO se conta.

    O filme é preciso, em passear por essa fase cheia de maluquices tratando todas essas situações com uma dose deliciosa de humor. 

    Todas as cenas em que Lady Bird (Saoirse Ronan) e Sra. McPherson (Laurie Mercalf) contracenam, são fabulosas, hilárias e meu.... A relação das duas atrizes é harmônica e suave, mesmo enquanto suas personagens estão se digladiando, a cena flui com uma naturalidade absurda. O humor, o sarcasmo, as briguinhas. Pra mim o grande ponto alto do filme é a relação entre mãe e filha.

    Lady Bird começa a namorar Danny O’ Neil (Lucas Hedges), e esse namoro nos leva a uma das cenas mais lindas, intensas e impactantes do filme. Danny está envergonhado e com medo, porque Christine havia descoberto algo sobre ele que lhe causaria problemas se viesse a tona. Quando eles se encontram, Danny se derrama em lágrimas e essa sequência de pequenos atos, culmina no ápice, um abraço apertado, sincerso e intenso, que nossa Lady Bird dá em Danny, consolando-o..... Esse abraço é simplesmente fortíssimo e nos fala tantas coisas sobre a vida e sobre quem somos, sabe? É forte demais!

    Lady Bird vai se descobrindo e se perdendo durante o filme. Namora Kyle Scheible (Timothée Chalamet), perde a amizade de Julie Steffans (Beanie Feldstein), se aproxima da popular Jenna Walton (Odeya Rush). É uma sequência de subidas e descidas que compõe o 2º ato, mostrando as variações e os problemas que ela estava enfrentando para se encontrar.

    Um outro ponto interessante é a relação de Christine com o pai (Tracy Letts). A relação entre os dois também é bem gostosa de se ver, é humorada e tem um carinho muito real. A química entre os dois é excelente.

    O filme também traz a discussão sobre como o mercado de trabalho trata os "mais velhos". Até quando somos uteis? Até quando nós podemos executar uma tarefa com eficácia? Temos prazo de validade? Há uma cena em que o pai e o irmão de Lady Bird concorrem à uma mesma vaga, e nesse momento nós recebemos a resposta à todas essas perguntas. É uma cena interessantíssima, e uma discussão importante que foi inserida no filme de forma bem orgânica, sem forçação de barra.

    O filme acaba lidando de perto com a religião, já que Lady Bird estuda em um colégio católico. O mais legal é que o filme não se limita a criticar a religião, mas trata todo aquele mini universo com um humor apurado e suave.

    O conflito da parte final do filme é bem óbvio, e a resposta a esse conflito com a finalização do arco vivido por Christine é bem legal. Um fim de filme bem digno, com um jogo de câmera que para os mais atentos, dará um toque a mais na cena.

    A direção de Greta Gerwig é simples, objetiva, e até despretensiosa. Existem alguns lances de câmera que são bem legais, mas a história acaba ficando pautada mesmo no roteiro, que também foi escrito por Greta Gerwig. Aparentemente, "Lady Bird" é a volta de Greta Gerwig ao seu próprio passado, e a sua relação com sua mãe.

    A atuação da belíssima Saoisre Ronan é segura e cativante, e Laura Metcalf faz uma mãe verossímil e sarcástica, tal como todo boa mãe.

    O Filme é excelente, simples e gostoso demais de se assistir. Esse é um daqueles filmes que vamos ver repetidas e repetidas vezes, e vai se tornar o queridinho de muita gente, pode apostar.


    Continue Reading

    O filme é belíssimo em mostrar os sentimentos em sua mais simples complexidade. É como se a paixão estivesse encarnada e fosse palpável. O filme não falha em nos imergir no mais íntimo de corações cheios de dúvidas e ensandecidos pelo desejo e pela paixão.

    Me chame pelo seu nome, é um filme onde a beleza dos sentimentos transborda.

    O Filme de Luca Guadagnino se passa no norte da Itália, em 1983.

    É verão e acompanhamos Elio (Timothée Chalamet), que não tem lá muito o que fazer no lindo interior italiano. Ele lê, estuda música e nada no lago próximo à casa de seus pais. Em meio às tediosas férias, Oliver (Armie Hammer), um acadêmico americano, chega à casa com o intuito de auxiliar o pai de Elio em sua pesquisa.

    A primeira metade do filme, consiste no desenvolvimento da relação entre Elio e Oliver, que a priori é cheia de sarcasmo, mas que aos poucos evoluiu para algo intenso e complexo. Elio é um jovem de 17 anos, que está tentando se entender, enquanto enfrenta uma imensidão de pensamentos e perguntas.

    A relação entre Elio e Oliver, tem sua primeira evolução considerável quando Elio, vê Oliver dançando e beijando uma garota em uma festa local. O ciúme o domina, e então nós percebemos que já existe um sentimento a mais por Oliver. Elio passa o dia o esperando. Elio vai para a cama o chamando de traidor. Isso é importante, porque esse “ciúme” faz com que Elio se envolva com Marzia, uma garota que tem a sua idade e faz parte de seu grupo de amigos.

    Aqui há um ponto interessante. Elio e Marzia tem uma experiência sexual que é filmada bem no cantinho da tela. Essa forma de filmar a cena, significa muito diante do todo que compreende o filme, e também diante da sexualidade e coração de Elio - Como se ele não soubesse se é isso mesmo que ele quer, é algo dúbio, por isso a cena é posta no canto da tela, como se demonstrasse à incerteza do ato. Há uma outra cena em que Elio e Marzia transam, e nesse momento a coisa toda é cercada de risos e humor. Imagino que esse tom mais engraçado, queira nos dar a entender que a “importância” do acontecimento não é grandiosa, pelo contrário, tal como a câmera os filmando quase no fim da tela. Elio teve essas relações com Marzia, mas nunca foi algo intenso, sua motivação talvez tenha sido tampar o ciúme com algum outro sentimento.

    Esse jogo de câmeras acontece durante todo o filme, e são cenas belíssimas. A Itália tem paisagens ricas e o filme as utiliza muito bem, tal como “Master of none” o faz em sua segunda temporada, mostrando a pacata cidade, a natureza e os prédios antigos. Mas, quando Elio e Oliver começam a se aproximar de forma mais romântica, a câmera começa a fechar ainda mais e vemos em praticamente todos os momentos, os dois juntos, entrelaçados, cheios de sensualidade, paixão e um “Q” de descoberta que permeia cada beijo, cada toque e cada conversa.

    Há uma cena, em que os dois estão sentados sobre a cama, e Elio aos poucos vai aproximando seu pé por sobre o pé de Oliver. O que de certa forma, também diz algo sobre como tudo aquilo era complexo para ele, de forma que o contato que coloca “fogo” nas coisas, é lento e feito praticamente como em uma guerra, onde cada centímetro é conquistado com muito esforço. Elio, lentamente bota seu pé por sobre o pé de Oliver e então as coisas se desenrolam em uma noite que é o estopim dessa paixão, que já existia, mas ainda era incerta para ambos.

    As cenas em que os dois estão juntos, são sensuais, apaixonadas, carinhosas, como se os dois estivessem juntos fisicamente, em um único corpo. Estão próximos e se beijam o tempo todo, e experimentam o corpo um do outro, palmo a palmo, o tempo todo. O filme é cheio de sensualidade, mas em nenhum momento isso fere, porque tudo é feito com uma paixão que emana para a tela.

    O filme é belíssimo, porque não se trata apenas de um relacionamento homossexual, mas principalmente de uma relação que queima, cativa e apaixona. É o retrato de um fogo que queima rápido, e deixa marcas. O filme é sobre descoberta, porque Elio, em todos os momentos está refletindo sobre si mesmo, e quando está com Oliver, as reflexões passam a contempla-lo também, de forma que a despedida é dura não só pela paixão que Elio tinha por Oliver, mas porque agora Elio tinha de pensar em si mesmo de outra forma, já que Oliver havia partido.

    O elenco é muito interessante, mas Timothée Chalamet e Armie Hammer, tem uma química impressionante, demonstrando cada um à sua maneira, a dualidade e o conflito de pensamentos que os bombardeia o tempo inteiro. Isso ocorre principalmente com Timothée, que entrega em “Me chame pelo seu nome” uma atuação riquíssima e intensa em todos os sentidos e momentos.

    O Pai de Elio, já na parte final do filme, tem uma conversa com ele que é simplesmente incrível e inspiradora, uma lição valiosa – Não é uma moral da história boba -, que pode fazer muito sentido para muitas pessoas que vivem incertas sobre si mesmas.

    O filme é todo belo, figurino, fotografia, os atores, todos são muito belos e a sensualidade, o nu, a paixão, todos esses elementos estão em um baile, numa sincronia perfeita, com uma trilha doce e pontual.

    Me chame pelo seu Nome, é uma obra maravilhosa, roteirizada por James Ivory, Dirigida por Luca Guadagnino, e de forma surpreendente e brilhante, entregue a nós pela doce, complexa e sincera relação de amor entre Elio (Timothée Chalamet) e Oliver (Armie Hammer).

    Para encerrar de forma bem clichê, o filme diz:


    Viva o amor enquanto se pode viver o amor. 
    Continue Reading

    Já vou começar elogiando, sem introdução mesmo. Então, lá vai:

    Que filme bom da porra! Que atuação de Gary Oldman, puta que pariu. Que fotografia linda! Pronto. Tá na cara que gostei do filme, mas continuem a leitura, acho que vai valer a pena.

    O Destino de uma Nação, é um filme biográfico, que tem como pano de fundo a segunda guerra mundial. Nós acompanhamos de perto o desenrolar dos fatos, a partir da perspectiva de Winston Churchill (Gary Oldman).

    A Inglaterra, assim como toda a Europa, estava sendo devorada pela Alemanha Nazista. Centenas de milhares de ingleses e franceses estavam encurralados em Dunkirk, cerca de 400 mil soldados. O parlamento inglês está pegando fogo, e o primeiro-ministro renúncia após sofrer muita pressão da oposição. O partido precisa indicar alguém que consiga manter a conversa aberta entre os dois partidos, e consiga lidar com a iminente derrota da Inglaterra e da Europa ante a ameaça nazista.
    Winston Churchill, como bem sabemos, não era a primeira opção. Definitivamente não era. No início do filme, em algumas cenas são mostradas por meio de diálogos de membros do partido, e até de Vossa Majestade (Ben Mendelsohn), o medo que tinham todos, de nomear Winston, tendo em vista uma sucessão de fracassos políticos e estratégicos, os seus maus hábitos e seu jeito “impulsivo”.

    Já nesse primeiro momento, somos introduzidos à rotina de Winston. Conhecemos sua esposa, seu braço direito, e uma jovem moça que está começando a trabalhar para Churchill como datilógrafa. A Esposa, Clemmie (Kristin Scott Thomas), o braço direito de Churchill, Anthony (Samuel West) e Churchill, tem como um de seus grandes adversários o Visconde Hallifax (Stephen Dillane – Stannis em Game Of Thrones), esses, principalmente, são os personagens que aparecem o tempo todo durante o filme, sempre com diálogos interessantes e bem humorados – O humor, inclusive, é um ponto muito alto do filme, pois são muitos os momentos em que Churchill (Gary Oldman) nos faz rir, seja com uma piada propriamente dita, ou com um de seus trejeitos, ou com alguma “patada”, enfim, o filme tem uma dose perfeita de humor −, mas quem recebe mais atenção, além do próprio Churchill, é a Senhorita Layton (Lily James), que além de ser responsável por Datilografar os discursos de Churchill, acaba desenvolvendo uma relação muito legal para a trama e bastante harmônica. É sempre muito gosto vê-los juntos em cena, existe sintonia.

    Então, nesse primeiro cenário, temos a Inglaterra e a Europa sendo devastada pelo Nazismo, a França prestes a se render, o parlamento britânico em chamas, o primeiro-ministro renúncia, Winston assume cheio de desconfianças e inimigos.

    E para cumprir com os temores de todos aqueles que desconfiavam de Winston, ele assume o cargo e dá logo o tom da conversa. Não haverá rendição, não haverá paz com Hitler, e a Inglaterra se reerguerá e sairá vitoriosa dessa guerra. Esse discurso, soava como loucura aos ouvidos de todos os que estavam a par dos acontecimentos e do avanço nazista pela Europa, no entanto, Churchill acreditava piamente nisso, mesmo temendo em inúmeros momentos, e enfrentando a resistência de seu comitê de guerra.

    Churchill, interpretado por Gary Oldman, é um personagem maravilhoso, encantador, engraçado, particular, único. Cada diálogo de Churchill, seja com a esposa, com seu braço direito, com a Srta. Layton ou até mesmo com o Rei George VI, é cercado de sua personalidade gritante. O humor, a acidez, o sarcasmo. O personagem é completo, é tridimensional, é o verdadeiro protagonista, aquele que não rouba a cena para si próprio atoa, mas é apoiado por um roteiro bem escrito, e um diretor que sabe o que quer mostrar. Gary Oldman, é simplesmente MARAVILHOSO e eu ouso dizer, que sua atuação é IMPECÁVEL.


    Os telefonemas que Churchill troca com o presidente dos Estados Unidos, ou com seu general, são incríveis. Seus discursos para o parlamento, seu discurso para o povo pelo rádio, são incríveis. A cena em que ele abandona o carro, e vai de metro para Westminster, e no vagão encontra cidadãos britânicos e lá, conversa com cada um deles, pergunta seus nomes, seus temores, e depois os guarda consigo, para ajudá-lo a decidir-se em um momento de incerteza. Churchill foi um dos grandes responsáveis pela mudança dos rumos da guerra, quando se manteve firme e confiante, mesmo diante da iminente derrota. Aos poucos, transformou a desconfiança em confiança, conquistando inclusive o próprio Rei George VI.

    Dunkirk era a salvação e a única esperança para a Inglaterra. Churchill convoca os civis e seus barcos, numa missão maluca, chamada de “Dínamo”. O Resultado foi de 300-400 mil soldados evacuados de Dunkirk, em meio aos bombardeios alemães. Fato esse que foi narrado por Christopher Nolan, em “Dunkirk”, filme que também está muito forte na corrida pelo Oscar de Melhor filme.
    Churchill teve a coragem necessária para tomar decisões difíceis, para sacrificar, para vencer.

    O filme biográfico de Churchill, até por ser Dirigido por Joe Wright, um Inglês, é bastante heroico, tal como Dunkirk, que também é dirigido por um inglês.

    Alguns meses após o fim da guerra, Churchill foi derrotado em eleições, mas fica seu legado de ter exercido um papel fundamental na derrocada do partido nazista e na queda de Hitler.
    -
    Não acabou. Esse é o plot da história, o enredo, a narrativa. Agora, vou para questões mais técnicas do filme, e se você é apaixonado por cinema, provavelmente vai gostar do que vêm pela frente.
    -
    Joe Wright, é o diretor de “O Destino de uma Nação”, um inglês que tem em seu histórico um relacionamento bastante interessante com as obras clássicas da Inglaterra. O Diretor, adaptou as obras “Orgulho e Preconceito”, “Desejo e reparação”, ambas de Jane Austen , e dirigiu o excelente “Nosedive” em Black Mirror – Aquele em que a garota vive uma vida falsa para aumentar sua nota social – e pode se orgulhar de ter levado a maravilhosa Keira Knightley, a maravilhosa Saoirse Ronan e agora Gary Oldman.

    O Diretor mostra claramente ao que veio em “O Destino de uma nação”, o filme todo é muito belo. Você vê que a câmera está onde ela deve estar. A cena em que Chamberlain é escorraçado no Parlamento, começa a ser filmada de cima, e nós temos o panorama total da desordem e calor daquela sala, naquele momento. A cena em que A Srta. Layton vê Churchill pela primeira vez, posto em cima da cama no escuro, iluminado tão somente pela fraca luz do Fósforo que acende o seu charuto. A cena em que Winston vai falar com o Rei, e temos aquela perspectiva do corredor. A fotografia do filme, a direção das câmeras, a iluminação, paleta de cores, é evidente que o filme foi carinhosamente elaborado, foi carinhosamente dirigido, foi pensado e filmado com muito apreço.

    Gary Oldman, como já disse acima, está simplesmente BRILHANTE. Sinceramente, não vejo outra possibilidade para o Oscar, senão dá-lo com todos os méritos, honras e aplausos a Oldman, por sua atuação com Winston Churchill. Ele não se transforma em Churchill, ele se entrega, como disse Nathalia Bridi, em outra crítica sobre o filme.

    Os trejeitos de Churchill, a forma de andar, os murmúrios, as tosses, MEU DEUS. Aquilo que nós vimos durante o filme, aquilo é uma atuação das mais dignas de aplausos que eu em minha pequena vida de cinéfilo, já vi.

    Oldman realmente dá as cartas durante o filme, no entanto, isso só se faz possível, pois havia sim um roteiro muito bem escrito. Um roteiro que levou em conta a guerra, o clima, o medo, a incerteza, um roteiro que levou em conta o próprio Churchill. Enfim, Gary Oldman merece o oscar, não me resta dúvida.

    E aquela maquiagem? Meu Deus! Eis outra oportunidade em que “O Destino de uma nação” se coloca como forte concorrente. A Maquiagem de Gary Oldman, para Winston Churchill é do mais alto nível, é formidável.


    Meu Deus, o filme tem tantas cenas belíssimas que se torna difícil falar de cada uma delas, mas gostaria de ressaltar a cena do Metrô. Que cena linda. Temo que ao me estender por mais algumas palavras, tornarei a repetir adjetivos e cada vez maiores e com mais intensidade, até que terei de recorrer aos palavrões como fiz no primeiro parágrafo. Pois, SIM! O filme é brilhante. SIM! Gary Oldman interpretou um Winston Churchill que será inesquecível!

    Para finalizar, quero dizer:

    O Filme é uma obra de arte. Eu estou completamente apaixonado por esse filme. Joe Wright dirigiu o filme de forma magistral, Gary Oldman teve uma das atuações mais brilhantes que já vi, os coadjuvantes têm seu papel de importância na trama, a trilha sonora é maravilhosa, a maquiagem, o figurino, a fotografia. Meu Deus! O filme é foda pra caralho!

    A corrida pelo Oscar neste ano está duríssima. Temos, A Forma da Água, Lady Bird, Dunkirk, O Destino de uma Nação, Três anúncios para um Crime, Me chame pelo seu Nome, etc.... Mas gostaria de ressaltar, mais uma vez, o quão impressionante é, o fato da Segunda Guerra Mundial continuar nos rendendo grandes filmes. Dentre os grandes cotados para o Oscar desse ano, temos Dunkirk e O Destino de uma nação, ambos acabam até se completando, e trazendo retratos belíssimos desse trágico período da história humana.

    Agora, para encerrar de verdade. Vocês acreditam que Gary Oldman quis recusar o papel, pois não se achava capaz de interpretar Winston Churchill?

    Meu Deus! Só “O Destino de uma nação” para me fazer dizer: Meu Deus....

    Continue Reading

    Em “O Rei do Show”, somos apresentados a história de P.T. Barnum.  P.T. Barnum sofreu muito com a pobreza durante a infância. Apaixonou-se por uma jovem, filha do patrão de seu pai, que imediatamente rechaçou sua pretensão. Os dois mantiveram contato, mesmo contra o gosto do poderoso homem. Barnum perdeu o pai ainda criança, e teve de sobreviver com muita luta. - Tudo isso é metade dedução, metade certeza. O filme tem saltos temporais que te deixam meio no escuro.

    Hugh Jackman, emplaca mais uma belíssima atuação em um musical. O ator já tinha participado do ótimo, “Os Miseráveis” em 2012, e agora em “O Rei do Show”, encontramos outra vez um Hugh Jackman, intenso, vivo e poderoso. Sua entrega durante todo o filme é emocionante, e é perceptível em todos os momentos, a cada cena, a cada fala, a cada passo, é um P.T. Barnum cheio daquilo que o move. Cheio de sonhos, esperanças e ambições. 

    A trilha sonora é o ponto alto do filme. Ela sustenta toda a trama – que em si mesma é bastante simplória. O filme ganha emoção, intensidade e te cativa na primeira metade, quando acompanhamos a rápida evolução de P.T.Barnum, de um garoto que perde o pai muito cedo, há um jovem aventureiro que se casa com a filha do ex-patrão de seu pai e busca a realização de seus sonhos e a prosperidade de sua família.

    P.T. Barnum era um verdadeiro showman. Ele conseguiu atrair público para o seu show de “aberrações”, tornando o seu espetáculo “O maior show da Terra”, como ele mesmo gostava de dizer. O problema, é que quando ele alcança sucesso local, ele quer mais e quer mais e sempre mais. Isso acaba o distanciando de sua família, e acarretando uma série de complicações, não só para o seu show, mas também para suas relações pessoais. Sua esposa mesmo o avisa disso inúmeras vezes, mas ele não dá ouvidos e segue sua jornada cega em busca de sucesso.

    Zac Efron e Zendaya, desenvolvem uma sub-trama muito boa na segunda metade do filme. Eles acabam assumindo e protagonizando os momento mais interessantes, visto que P.T.Barnum se afasta de seu espetáculo local para trilhar uma turnê com Rebecca Ferguson (Uma belíssima cantora de ópera, que conheceu no mesmo dia em que foi apresentado à Rainha).

    A sub-trama entre os dois, utiliza-se muito bem da música para se desenvolver. Zac Efron é nascido em uma família importante e Zendaya não passa de uma trapezista de circo. A relação entre os dois é cheia de preconceito, medo e paixão. Todos esses sentimentos e reações são bem dosados e bem expostos em poucos minutos de tela, e a química entre os dois fica clara a cada olhar e cada toque.

    Conclusão:

    Fiquei cansado no final do filme com as músicas e até torci para que eles simplesmente respondessem as perguntas e tecessem diálogos como qualquer pessoa normal faria, mas isso tem muito mais comigo do que com o filme. Eu não sou dado aos musicais, mas reconheço que a trilha de “O Rei do Show” é deliciosa, é dramática, é intensa, é emocionante.

    O roteiro, de fato é simples e o filme é sustentado pelo ótimo Hugh Jackaman e pelas micro-tramas que são apresentadas com o auxílio das ótimas músicas e belíssimas coreografias. 

    A fotografia do filme também é bastante bela e te coloca dentro do circo, como se você fosse parte da "trupe".

    Gostei bastante do filme, apesar de não estar nos meus gêneros preferidos, e de reconhecer que em muitos momentos a trama é bastante “boba”, mesmo assim eu gostei. 

    O Filme tem uma primeira metade bem bacana e uma segunda metade com alguns pontos altos que ajudam a tornar irrelevante o cansaço.

    Assista-o no cinema. O filme é uma experiência e você precisa escutar essa trilha gostosa no cinema, com todo aquele som e sentindo cada arrepio percorrendo seu corpo. Vale a pena!
    Continue Reading
              



    Dunkirk

    O Filme retrata o drama vivido por soldados Ingleses e Franceses que ficaram ilhados em Dunkirk, nos anos 40, sofrendo ataques aéreos constantes do exército alemão. Com a beleza das filmagens e uma narrativa não linear, muito bem feita por Nolan, acredito que esse filme retrate muito bem o drama individual, que muitas vezes não pode ser percebido em filmes de guerra que são abrangentes demais.
             
    O Elenco é recheado de grandes atores, e o brilhantismo está no fato de que nenhum deles sobressalta a própria história, pelo contrário, suas atuações se mostram dignas dos grandes atores, justamente ao notar o tamanho da trama e em seus esforços para mostrarem o horror da guerra e não seus desejos vaidosos por mostrarem seu grande talento como atores. Isto, eles fizeram de forma natural, sem exageros.

    A limitação estabelecida por Nolan no filme, quero dizer, o roteiro restrito àqueles soldados, àquela ilha, permite que o drama vivido de forma específica, por àqueles homens e soldados, que não só temiam a morte, mas temiam também a supremacia alemã na guerra, fosse demonstrado com primor.

    O Drama vivido por eles, quando se questionam a respeito da reação das pessoas aos verem chegando derrotados, mas vivos e com a Alemanha em seus calcanhares, é demonstrado de forma emocionante. A resposta a essa questão é o ponto de maior comoção no filme.
        

    Quando o assunto é Guerra, principalmente no caso da Segunda Guerra Mundial, precisa-se sobretudo, SENTIR, pois toda a Guerra parte de uma ideia, de um discurso, de um apelo, de uma mudança. Penso eu que pequenas decisões são tomadas diariamente, assim como grandes decisões, pequenas e grandes mudanças ocorrem o tempo todo e, se por ventura, não nos atentarmos a tudo o que está a nossa volta, pequenos massacres continuarão e tornarão a acontecer debaixo dos nossos olhos, talvez não nas mesmas proporções, mas contra pequenos povos, pequenos grupos, classes e pessoas, gerando dor, lágrimas, destruição e morte.

    Por fim, devo convida-los a assistir o filme enquanto este ainda permanece em cartaz. Por todos os efeitos sonoros que são incríveis, mas principalmente,  para, por um momento, sentirem o drama vivido de forma individual, pela morte, pelo domínio e perda de sua própria casa, quando tudo ao seu redor aponta para a sua derrota, para o seu fim. Assista Dunkirk e sinta novamente a dor da guerra.


    Dunkirk: 10


    Continue Reading

    Sinopse: 
    Howard é um publicitário de sucesso, dono de sua própria agência que depois de perder sua filha, perde completamente sua razão de viver, entrando em depressão e não se importando mais com o trabalho, com a saúde ou com qualquer outra coisa. No auge de sua dor, Howard escreve cartas furiosas para a Morte, o Tempo e o Amor e para sua surpresa, essas 3 "partes" do universo se materializam para responder as acusações feitas, e demonstrar a Howard, a possibilidade de ver beleza na vida. 
    ----------------------------------------------------------------------

    Esperei por alguns meses esse filme, ansioso por vários motivos, mas sem dúvida o elenco recheado de estrelas, foi o que me fez contar os dias para o lançamento e ir ao cinema num sábado à tarde para assisti-lo.

    Will Smith é meu ator preferido, principalmente quando atua em filmes de drama. Suas expressões, sua dor, suas lágrimas durante o filme, são também minhas lágrimas e minha dor. Ele me faz sentir a dor do personagem! 

    O elenco desse filme, é simplesmente sensacional! E durante todo o filme, não há uma cena sequer em que você não veja pelo menos um desses grandes atores na tela.

    Crítica e Nota:

    A nota 5 ainda é alta para ser sincero. Se eu precisasse definir em uma única palavra a experiência do filme, seria: Decepção.
    As críticas feitas sobre o filme ser apelativo e forçado, se confirmam, e acredite, ninguém gostaria menos de afirmar isso do que eu.
    Do ponto de vista visual é um filme maravilhoso, no entanto, esse é só mais um fator usado no filme para te guiar à força por um caminho de lágrimas. 
    As atuações de Kate Winslet, Keira Knightley, Edward Norton, Helen Mirren, Michael Penã, Naomi Harris e Jacob Latimore, são patéticas. 
    No final das contas, faltam palavras para expressar a decepção. Então, se você ainda pretender ir ao cinema para assistir esse filme, não crie grandes expectativas, e para o seu bem, se permita ser manipulado e aceite a tentativa falha do filme em te emocionar. 

    Continue Reading
    As convicções, os planos estáticos e todo tipo de afirmação sobre o futuro me dão calafrios. Quero dizer, nem sempre foi assim. Na verdade, até pouco tempo atrás não era assim.

    Eu tinha certeza de tudo, de casa passo que daria. Tinha planejado quando entraria na faculdade, quando sairia, que faria logo em seguida outra faculdade, que me casaria depois, construiria uma família e viveria o resto da minha vida. Quero dizer, tudo estava muito bem construído, parece ótimo, mas (but, entretanto, porém), a vida tem lá suas surpresas, e cá entre nós, seria um saco se essas surpresas não estivessem por ai, não é mesmo?

    Algumas pessoas meio que vivem dormindo, andam dormindo, comem dormindo, namoram dormindo, dormem dormindo, as vezes elas precisam de um buraco na rua (Surpresa), pra acordar (Deitada no chão quente da rua, com os cotovelos ralados e algumas pessoas rindo com a mão na frente da boca), outras precisam passar por algum choque muito forte, como perder algo que ama ou alguém. Eu felizmente, não precisei nem do buraco e nem dá perda, na verdade não foi preciso muito. Alguns dias de reflexão acerca da vida, e da morte, um livro e um filme foram o suficiente pra me despertar! Mas um dia vou explicar isso melhor...

    Pois bem meu velho, minha velha! Eis-me aqui, começando um blog. 

    Você deve estar se perguntando agora: Júlio, mas já não tava bom demais o facebook pra você ficar falando aquelas abobrinhas lá!? Mas cara, você acha mesmo que é tão legal assim? 
    Responderei essas perguntas, citando Racionais: "Demorou, eu quero é mais, eu quero ter sua alma!"  hauhauhauhauahuahuahuahua 

    Mas, falando sério agora, vou escrever, é tipo o que eu faço no facebook, só que bem mais organizado e agora sobre mais coisas. Vou publicar meus textos, minhas crônicas, meus poemas (Ainda não tenho nenhum), vou publicar sobre os livros que leio, sobre as músicas que ouço e sobre as músicas que vocês indicarem, vamos conversar sobre Molejo, música clássica, funk, vou contar experiências legais, vou escrever sobre a sociedade (tirando sarro é claro, não aguento mais esse papo chato), sobre os filmes que gosto, e os filmes que odeio, sobre Game of thrones, vou escrever sobre meus amores, romances, friend zones e tudo mais...  Pretendo contar sobre minhas viagens (que vão começar), sobre minhas tatuagens (que ainda vão rolar), Sobre trabalho (Se tiver, me dá), futuro, faculdade, emprego, casamento, e sobre tudo dessa vida louca de my god! Vou escrever sobre o que me der na telha! E o lance é que vamos mergulhar juntos nisso tudo, demorou!? hauhauhauhauha

    Enfim, eu quero que você dê boas risadas, chore de emoção, se apaixone, fique desperto! Quero também que me dê seu feedback, seja positivo, seja negativo, que compartilhe se gostar do blog e que comente, comente muuuuuuito, e eu vou te responder porque, não sou um Gênio arrogante, sou um Gênio do povão hauhauhauhauhauahuahahauh Tô brincando, calma amiguinho!

    Este é o meu blog. Um Gentleman, ou não! 
    Um dia eu explico o nome, só preciso antes arrumar uma explicação hahahahha
    Um abraço apertado <3



















    Continue Reading

    About me

    A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, óculos e close-upJúlio Costa | Transgressor

    Confusão. Uma puta confusão.

    Like us on Facebook

    Transgressor

    Follow me

    • Facebook
    • Instagram
    • Youtube
    • Twitter
    • Letterboxd
    • Skoob
    • Pinterest

    More Popular Posts

    • Lo-Fi | Um Convite a Introspecção
    • Marco Polo | Viaje para a Mongólia Medieval
    • Susano Correia | Existência, Fé e Arte
    • Tranquility Base Hotel & Casino | Arctic Monkeys
    • Desafinando #2 | Rubel - Pearl e Casas

    Labels

    Cinema Contos Desafinando Literatura Series poesia

    Archive

    • julho 2018 (2)
    • junho 2018 (4)
    • maio 2018 (5)
    • abril 2018 (10)
    • março 2018 (8)
    • fevereiro 2018 (7)
    • janeiro 2018 (15)
    • julho 2017 (1)
    • junho 2017 (1)
    • maio 2017 (3)
    • abril 2017 (4)
    • março 2017 (1)
    • fevereiro 2017 (5)
    • setembro 2016 (1)

    Denunciar abuso

    Facebook Instagram Youtube Twitter Pinterest Letterboxd

    Created with by BeautyTemplates - Ambigram Generator.

    Back to top