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Transgressor
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    pobre homem levando seu coração de trouxa
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    É evidente que toda e qualquer existência é cercada de dificuldades, desafios e derrotas. Essa é a natureza da vida. Uma série de dificuldades dispostas durante o tempo, jogando-nos de um lado para o outro, derrubando-nos e nos dando em alguns raros momentos alguns raros motivos para sorrir.

    Falo sobre a vida nos dar isso ou aquilo sem ao menos acreditar em destino ou até mesmo em deus. É apenas a força do hábito. O mais interessante seria dizer que estamos sozinhos em uma jornada pela vida, lidando com as consequências das nossas escolhas e também das escolhas dos que nos cercam, sem muito controle do que está acontecendo ou vai acontecer, quase passivos diante das muitas variantes que podem se apresentar e se formar, transformando as situações, as pessoas ao redor e até a nós mesmos.

    Existem várias formas de se enxergar a existência e de enfrenta-la. Os cristãos enxergam tudo isso através do prisma divino. Creem que há um deus por trás de tudo isso, alguém soberano, forte e poderoso, capaz de protege-los e sabiamente guia-los. Essa crença, naturalmente, reduz o número de pânicos e incertezas, tendo em vista que a aceitação da fé traz consigo uma infinidade de garantias que estão guardadas sob esse suposto deus soberano.

    Um cético, por outro lado, quando se desassocia do pensamento teísta se depara com um outro universo de possibilidades. Quando deus não está no jogo, não restam muitas certezas além da morte e do fim literal da existência, enquanto corpo e enquanto “alma”. Existem vantagens e desvantagens óbvias no ceticismo, bem como no teísmo. Como não creio na existência de um deus, vejo quase todas as vantagens do teísmo como enganosas, mas sem entrar nesse mérito, o ceticismo dá liberdade, porque ao entender-se sozinho, acabam-se as responsabilidades para com um ser eterno com poder suficiente para decidir o rumo de sua vida. Liberta-se de muitas amarras morais claramente retrógradas, preconceitos e estimula-se, de certa forma, o pensamento crítico para se tomar decisões com base em suas experiências e convicções, eliminando um livro sagrado que te direciona por caminhos pré-determinados. Como eu disse, existem vantagens e desvantagens. Talvez, viver alimentando a crença em um deus supremo não nos desse tanto espaço para o sofrimento ou desesperança. Talvez essa crença nos elimine certas dores, nos deixe mais relaxados com respeito a certas injustiças e mais tranquilos com relação a essa vida, tendo em vista que deus supostamente está no controle e supostamente dará uma boa vida eterna a todos os que depositarem sua fé nele.

    Eu estou usando a religião como um exemplo. Estou falando sobre existência. Formas de enxerga-la e formas de enfrenta-la, apenas isso.

    Quero dizer, simplesmente, que a existência é confusa e via de regra, extremamente dura. As incertezas, medos, angustias, pressões, ansiedades, dúvidas, todos esses elementos costumam ser muito presentes na vida da maioria das pessoas. Pensando principalmente nos tempos em que vivemos, é fácil notar como todos estão sempre correndo atrás de algo, pressionados aqui e ali, por outros e muitas vezes por si mesmos. A existência, portanto, costuma ser uma experiência um tanto quanto angustiante.
    homem em sua solidão superpovoada
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    A Arte acaba manifestando muito dessa angustia, justamente por ser realizada por pessoas sujeitas a tais pressões, incertezas etc..... Nesse sentido, em muitos momentos nós encontramos na arte, alento, representação e as vezes mais angustia.

    Artistas lidam com esses elementos existênciais de diversas formas. Como escritor lido com essas questões diariamente e sou afetado constantemente por elas. Como alguém que ama o trabalho que faz, a arte que faz, luto constantemente com essas questões para absorver e transformar essas angustias em novos textos que ora provoquem, ora questionem, ora ofereçam alento e ora perturbem. Me vejo, de certa forma, como um catalisador dessas angustias e em determinados momentos como um refletor, as vezes como um filtro e as vezes como uma esponja. Quando se expõem e se abre para esse misto de sensações, se está sujeito à diversas reações emocionais, psicológicas e até físicas.

    homem lembrando-se de sorrir, no último segundo
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    Por que quando estamos tristes tentamos ouvir uma música animada? Por que quando estamos tristes escutamos uma música ainda mais triste? Por que gostamos tanto de comédias românticas ou de dramas? Por que gostamos de obras de arte que contenham um tom questionador? Entende? O modo como consumimos arte, de forma ativa, muitas vezes ou quase sempre é direcionado pelo nosso estado emocional e psicológico. Outra vez, as reações são várias para vários estímulos e lembrando da pessoalidade de cada ser, não há como encontrar uma regra que consiga colocar-nos todos num mesmo ponto. Nisso a arte e as pessoas são iguais.

    As pessoas reagem aos estímulos de formas diferentes, bem como a arte possuí suas várias interpretações.

    Há pouco mais de um ano eu conheci Susano Correia, um artista extremamente talentoso que consegue trabalhar muito bem em sua arte, todos esses dilemas e questões que caracterizam a existência humana. Eu não conheço Susano intimamente, mas julgando pela minha própria experiência como escritor, acredito que essas questões e dilemas façam parte da rotina dele de forma bastante marcante. Talvez ele goste de enfrenta-las, talvez seja “assombrado” por elas, talvez seja confrontado vez ou outra por essas incertezas e medos naturais da vida. Isso é só uma especulação, evidentemente. Não tenho como saber de onde vem sua inspiração, mas com base nas obras que conheço do artista, fica claro esse fenômeno de reflexão, de provocação e de expiração.

    Quando vejo uma obra de Susano sempre me questiono sobre a natureza dessa inspiração ou sobre quais questões guiaram esses traços marcantes e formaram essa obra que muitas vezes carrega dor, carrega uma busca por auto compreensão, carrega ansiedade ou arrependimento. Penso sobre isso, porque quando sinto que há uma história a ser contada, sempre consigo chegar a um ponto inicial, consigo encontrar um lugar onde essa história surgiu. Seja de um fetiche, de um medo, de uma ansiedade, do passado ou de uma especulação sobre o futuro. Sempre há um ponto de nascimento da ideia, um ponto onde a inspiração se apoia para florescer e pensando no trabalho de Susano, esses pontos sempre parecem ser tão interessantes quanto a própria obra em si.

    Pensando sobre o trabalho de Susano, esse elemento introspectivo e humano se mostra recorrentemente. Quando penso nas inúmeras obras que promovem uma reflexão sobre o homem mergulhando em si mesmo, o homem olhando para si próprio, o homem se quebrando para se encontrar, esse caráter extremamente introspectivo no trabalho de Susano fica evidente, e aqui a arte surge outra vez como uma manifestação existencial, o transbordar de questões e angustias, que possivelmente não afetam o artista diretamente, mas que ele, sabiamente, consegue expor com naturalidade e doçura, expondo justamente essas ânsias e muitas vezes nos expondo ao ridículo com uma obra cheia de sarcasmo e humor.
    homem preso do lado de fora de si
    homem preso do lado de fora de si

#aforismovisual #revistak7 #drawing #pencildrawing #sketch #psicanalise #psique #filosofi

    A existência é uma grande confusão, não temos grandes certezas e se eliminarmos deus da partida, não nos resta nada além da morte. De certa forma, esse pensamento é aterrador e de certa forma bastante libertador. Pensando em como somos o tempo inteiro cercados de uma infinidade de variantes, enxergamos a existência de formas diferentes a cada dia. Não que tenhamos fé num dia e noutro não, mas enxergamos a existência de uma forma positiva e negativa a cada dia, a cada novo contato, a cada nova interferência externa sobre nós. O Ser Humano, quase pressupõe essa maleabilidade, principalmente quando pensamos na natureza dos afetos e sentimentos. De como nos enchemos de esperanças por nada e nos decepcionamos por nada, ou em outro momento somos quase impassíveis de sentimento. O que isso tudo significa é que basicamente somos seres em constantes mutações, mantendo um padrão de existência por momentos ínfimos. Mesmo que tenhamos personalidade, caráter e uma forma regular de se mostrar ao mundo, na realidade não existe um padrão existencial sincero. Quando olhamos para dentro de nós mesmos, raramente encontramos os mesmos elementos dispostos da mesma forma.

    Quando pensamos no “personagem” criado por Susano, o homem que protagoniza a maioria de suas obras, talvez encontremos um retrato extremamente sincero da nossa existência sob a pele. Há sempre melancolia nos olhos, um estado de ansiedade constante, pela próxima crise ou pela próxima alegria. E eu amo que esse homem não tenha a nossa força exata, mas que possua essa deformidade que causa estranhamento. É quase como se Susano, conhecendo a natureza provocativa de sua arte, nos desse um elemento de respiro, algo que talvez, num primeiro momento, causasse um distanciamento do homem que está se destruindo para se encontrar. Entende? Como se esse estranhamento tivesse como objetivo nos dar um respiro, diante da provocação que há na arte e diante das nossas próprias projeções e angustias.

    Mas ainda sobre o homem e sobre essa deformação em sua cabeça, eu gosto de pensa-lo como uma representação do nosso interior. As vezes até penso que as obras de Susano são sobre o interior de um homem que exteriormente é “normal”, digo, não teme esse formato triangular no topo da cabeça. Penso que Susano retrata em sua arte o que vê com seus olhos que enxergam sob a pele, algo como a representação das emoções e pensamentos. Das dúvidas, descrenças, esperanças, medos e angustias.

    Outro elemento de introspecção que me fascina na obra de Susano, é que em quase todos os seus trabalhos que tem o homem como “protagonista”, há um foco artístico e reflexivo na cabeça do homem e no peito do homem. Quase nunca vimos em seus trabalhos o homem de corpo inteiro, dos pés à cabeça. Penso eu que isso se deva justamente a entendermos o coração e a mente como a sede desses questionamentos existenciais, angustias e dores. É no pensamento que ocorrem as batalhas sobre quem somos e quem queremos ser. É o coração que tapa a garganta na angustia, é o coração que bate acelerado durante uma paixão, é o coração que se parte quando um relacionamento termina.



    homem procurando um lugar para se esconder de si, em si

    A obra de Susano é extremamente introspectiva em si mesma, nos traços, na ideia, na representação, mas como se isso não bastasse, há ainda mais da sensibilidade desse artista talentosíssimo transbordando em nossa direção. Quando você observa a obra e começa a tecer suas impressões, lê a legenda e fica ainda mais tomado por essas reflexões profundas, provocadoras e sobretudo belas, porque com poucas palavras Susano descreve sua obra, dando-nos uma interpretação quase óbvia, mas que disposta de forma simples − sempre simples −, com letras minúsculas, discretas e diretas, não nos roubam a graça da arte e a liberdade de a enxergarmos como bem quisermos, mas deixam um elemento poético bastante sutil.

    Outra vez digo que não o conheço intimamente, logo essa reflexão e esses pensamentos não passam de especulações e impressões pessoais de sua obra. Mas, partindo para o final, vejo-me quase sempre diante dessas mesmas questões existenciais que por vezes acabam por ditar nosso ritmo. Quase sempre me vejo diante delas na hora de escrever, quando encaro a página em branco do word, quando estou no banho ou quando vejo uma nova obra de Susano. Confesso que gosto de todas essas questões, até por ter durante quase três anos aberto mão completamente dessas reflexões. Confesso também que sou muito afetado pelas respostas que dou a essas perguntas. A existência continua não sendo fácil, mas entre negar a reflexão e aceitar uma existência vaga e vazia, escolho a dor e as crises, pelo tesão de pensar, pelo tesão de escrever, pelo tesão de me sentir extremamente humano quando me entristeço, quando estou melancólico e principalmente quando estou feliz, porque na felicidade enxergo-me tendo ótimos momentos de respiro e então aproveito esses momentos como uma criança inocente, valorizo-os ainda mais.

    Susano é um dos artistas mais fascinantes que conheço, um dos melhores do Brasil. Recorrentemente me debruço sobre seu trabalho para aprender, para apreciar e para refletir sobre nossa existência confusa, mas real e intensa, parafraseando Mano Brown.

    eu transbordo eu

    Espero que a obra de Susano também converse contigo. Espero que tenha gostado do texto e da reflexão. Espero seu comentário, para conversarmos ainda mais sobre essas questões.

    Um abraço e até a próxima. Boas reflexões existenciais a todos.

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    Site do Susano

    Enfim, infelizmente não tenho nenhum de seus livros, então conheçam melhor o trabalho dele e comprem suas obras, porque não resta duvida de que vale muito a pena.



    homem com profunda sede de si

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    Entre erros, acertos, grandes sucessos, fracassos e séries que ninguém nota, está Marco Polo. Poderíamos dizer que ela tem um pouco de tudo isso. É um grande acerto, é um sucesso, mas também é um grande fracasso, talvez o maior fracasso da história da Netflix.

    Em 2016 a série foi cancelada, então é natural que você ainda não a tenha visto. Foram apenas duas temporadas, um orçamento digno de um blockbuster hollywoodiano e um prejuízo de quase 200 milhões de dólares. Falando assim, a série parece realmente um fracasso absoluto, indefensável, mas na verdade não é.

    Antes de tudo, acho importante explicar para você sobre o que é a série, qual é o seu plot, então vamos lá!

    A série conta como foram os primeiros anos de Marco Polo na corte do imperador Mongol, Kublai Khan. O jovem explorador italiano – que viria a se tornar uma lenda – foi tomado como prisioneiro pelo grande imperador, e passou a viver em um Reino próspero, mas dividido por intrigas, ambição e rivalidades.

    A história de Marco Polo é bastante conhecida. Ele foi responsável por aproximar a Europa da Ásia, seus livros foram traduzidos para dezenas de línguas e são até hoje vistos como grandes tratados geográficos e históricos. A série avança da prisão de Marco, até a guerra travada para evitar a grande divisão do império.

    Agora que você já tem alguma noção da história que a série conta, nós podemos ir um pouco além para falar mais sobre a série.

    A primeira temporada tem 10 episódios, com um orçamento de 90 milhões de dólares. Eu não sei se você tem a exata noção do que isso significa, mas é muito dinheiro até mesmo para uma grande produção de Hollywood. Os valores que foram gastos, sem dúvida são o ponto chave para compreender o “fracasso” da série, tendo em vista que a expectativa da Netflix era expandir bastante o seu público, produzindo uma série histórica que narra fatos acontecidos na Ásia. Não há nenhum americano no elenco, a série foi filmada em Veneza, no Cazaquistão e na Malásia. É o primeiro “Drama Histórico” da Netflix, e por todos esses elementos esperava-se muito da série. As expectativas não foram alcançadas e por isso a série acaba em sua segunda temporada.

    A série começou a ser produzida pela “Starz”, mas depois de ter alguns problemas com a China, a Netflix, em parceria com a “The Weinstein Company”, assumiu o projeto e lançou a série. Depois do cancelamento, John Fusco, idealizador do projeto até cogitou retomar a série sem a Netflix, mas isso foi antes dos irmãos Weinstein’s, terem seus nomes ligados a uma série de casos de abuso sexual em Hollywood. Ou seja, é bem provável que essas duas temporadas sejam tudo o que teremos de Marco Polo – Pelo menos nesse formato.

    Enfim, agora que já falamos dos números altíssimos e das expectativas da Netflix, podemos falar dos grandes méritos da produção.

    Uma das coisas que me encanta na série é o seu design de produção. Todas as cenas possuem uma construção muito complexa. Se a cena acontece na sala do trono, você vê o design do trono e as roupas do Khan, sempre compostas por elementos típicos da cultura Mongol, os móveis, armas. Enfim, foram construídos mais de 51 cenários complexos, buscando a maior aproximação possível dos relatos da época, contando, para isso, com pessoas que estiveram envolvidas na produção de “O último samurai”, além de historiados que focaram seus estudos no período específico. Essa preocupação de retratar a estética histórica, somada ao orçamento da série, resultam em um espetáculo visual, em que a mise en scene é composta, é completa, é cheia de elementos que dão à série esse ar histórico e extremamente realista.

    Os atores tiveram de passar por grandes transformações para encarnar seus personagens históricos. Benedict Wong (Dr. Estranho, Guerra Infinita), precisou engordar 16 quilos e raspar o cabelo diariamente para interpretar o grande Imperador Kublai Khan. Lorenzo Richelmy, precisou aprender Inglês, montaria, artes marciais e lutas com espada, além de ter trabalhado muito seu porte físico. O elenco ainda tem outros ótimos atores, como Zhu Zhu (A Viagem), Tom Wu – que ganhou um especial pertencente ao contexto da série Marco Polo − (Batman Begins, 007 – Operação Skyfall), Joan Chen (O Último Imperador, Twin Peaks), Chin Han (Batman Cavalheiro das Trevas, Capitão América 2), além de atores que só haviam feito pequenas pontas.

    Como a trama de Marco Polo é recheada de intrigas, vaidades e ciúmes, todos os atores que compõe a corte de Kublai Khan, acabam realizando um trabalho muito importante na construção de seu personagem. Remy Hii é o Príncipe Jingin, filho do imperador Kublai Khan e ele vai muito bem dando pequenas indicações sobre o ciúme que sentia quando via seu pai, o Grande Imperador, dando ouvidos à Marco, um estrangeiro. Ele trabalha isso de forma bastante sútil, com um ou outro momento mais ríspido. Mahesh Jadu, interpreta Ahmad, um dos protegidos, conselheiros e ministro financeiro de Kublai, mantendo sempre um tom solene, elegante e astuto. Sempre nos falando mais sobre si mesmo com os olhos, do que com a boca. Enfim, a série demanda de todos os envolvidos um grande esforço e se você assistir a série, não lhe restará dúvida que todos compreenderam sua função e seu papel.

    A série evolui de forma muito orgânica, apresentando novos núcleos e colocando os personagens em novas situações. Você assiste a série ligado o tempo todo, prestando atenção nas novas linhas e conexões, nas novas intrigas e armações. Nesse sentido, não poderia deixar de falar do cuidado do roteiro em desenvolver essas tramas e tramoias, sem mudar o tom da série e sem perder o foco na trama principal. Ao mesmo tempo que a série aprofunda a relação entre os personagens – e faz isso muito bem −, ela apresenta uma trama romântica, apresenta tramas políticas, apresenta conflitos sociais e faz tudo isso de forma suave e natural. A série te permite compreender absolutamente tudo o que está acontecendo, desde a trama menor até o conflito principal.

    Então, Marco Polo é um prato cheio para que gosta de séries históricas, é um prato cheio para quem se encanta com personagens complexos, intrigas e jogos de poder. A série acontece na Mongólia Medieval, na corte de Kublai Khan, neto do grande Gengis Khan, que conseguiu, inspirado por seu avô, estabelecer a Dinastia Yuan que durou 97 anos. A série nos dá um roteiro riquíssimo, excelentes atuações, personagens interessantíssimos e um visual arrebatador. Uma série de narrativa rica e de um belo trabalho de ambientação histórica. Uma produção caríssima, que gerou uma excelente série. Cancelada, infelizmente.

    São duas temporadas com 10 episódios cada. Desfrute essa série, aproveite. É uma das melhores coisas já feitas pelo Netflix.







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    A 2º Guerra é um tema bastante abordado na cultura pop. Hollywood já dissecou a grande guerra de diversas formas e ainda assim, existem milhares de histórias não contadas. Nós poderíamos ficar horas citando filmes que se passam durante o período, sejam filmes que mostram o combate, sejam filmes mais políticos do que de ação, sejam filmes que mostram o país enquanto o combate está acontecendo, enfim, as abordagens são variadas e retratam a guerra de diversas formas, de perspectivas mais emocionais e pessoais, a perspectivas mais universais e culturais. Estou fazendo essa introdução toda, para mostrar como o tema da guerra é recorrente na cultura pop, para mostrar como existem histórias, momentos e visões diferentes sobre os fatos.

    Five Came Back, é um documentário original Netflix, que enxerga a guerra através do Cinema. Mais precisamente, através da vida de 5 cineastas fantásticos, que faziam muito sucesso na década de 30, mas que abriram mão da sua comodidade para auxiliar seu país e relatar, através do cinema, os horrores da guerra e usar da arte cinematográfica para impulsionar, encorajar e tranquilizar o povo americano. Esses diretores são: John Ford, Frank Capra, John Huston, William Wyler e George Stevens, todos nomes renomados e adorados pelo público, mas que foram para a Guerra e acompanharam a ação com suas câmeras – muitas vezes estando, literalmente, no meio da ação.

    O Cinema passou a exercer um papel fundamental durante a 2º grande guerra. A Máquina de Propaganda Nazista trabalhava a todo vapor, propagando os ideais de Hitler. A Itália também trabalhava muito bem a imagem de Mussolini, e naturalmente os Americanos precisavam produzir suas obras sobre a Guerra. Muitos filmes foram feitos durante o período. Os diretores e suas equipes filmavam o que era possível, editavam muito rapidamente – quando era possível – e enviavam para ser distribuído em solo americano. Mas, um ponto muito importante nesse período, é a utilização das animações para informar, divertir e encorajar os soldados americanos. Em algum momento no começo da guerra a Disney esteve presente e posteriormente a Warner Bros, produzindo animações que ridicularizavam Hitler e Mussolini, e por consequência acabavam dando uma injeção de ânimo e um alívio para os soldados aflitos.

    Havia também uma preocupação muito grande com a “demonização” das nações “adversárias”. Hitler era o inimigo, não o povo alemão. Então esse era um ponto que sempre acabava entrando em discussão, porque evidentemente, quando você mostra o bombardeio de Pearl Harbor, feito pelos Japoneses, no ímpeto de contra-atacar, fica muito difícil distinguir a liderança, do povo. Nesse período, essa era uma das maiores preocupações, tendo em vista que a guerra um dia acabaria, e era importante que os Estados Unidos, como “defensores da vida e da liberdade”, não fossem responsáveis por perpetuar novas segregações (Apesar de dentro do próprio exército, haverem certos problemas com os soldados negros).

    Five Came Back, é baseado no livro de mesmo nome, e nos oferece uma visão muito interessante sobre como o Cinema foi importante durante a guerra e como o Cinema e os cineastas foram transformados durante, e depois da guerra. Francis Ford Coppola, Steven Spielberg, Paul Greengrass, Guilhermo Del Toro e Lawrence Kasdan, são entrevistados e fazem comentários sobre as experiências dos 5 diretores supracitados, além de fazerem comentários sobre a sua própria experiência com os filmes originários da guerra e do pós-guerra.

    Spielberg, um dos entrevistados no documentário, sem dúvida alguma foi muito impactado por esses filmes de guerra. Hoje, quando pensamos em Spielberg, naturalmente nos lembramos dos filmes fantásticos que fez retratando a guerra, a título de citação, A Lista de Schindler, O Resgate do Soldado Ryan, Cartas de Iwo Jima, etc...

    Muitos filmes relatam como os homens voltaram da Guerra, transformados e muitas vezes até transtornados. Alguns nunca conseguiram sequer se recuperar. Os horrores da Guerra voltavam para assombra-los e eles simplesmente não conseguiam mais se desligar daquele momento. Outros voltaram e encontraram suas famílias e imediatamente viraram a chavinha, voltaram ao trabalho e ignoraram o background. O Documentário mostra muito bem a transformação desses 5 grandes diretores. É interessante ver como todos eles, apesar de terem tido muito sucesso na indústria antes da guerra, só realizaram suas obras primas, depois da guerra. É interessante pensar que todos eles passaram a fazer filmes muito mais humanos e sensíveis. Capra, por exemplo, um ano depois do fim da guerra, lançou “A Felicidade não se compra”, um dos filmes mais adorados e poderosos da história, William Wyler “Os melhores anos das nossas vidas” etc....

    O Documentário “Five Came Back”, é dirigido por Laurent Bouzareau, narrado por Merly Streep, e nos conta a história da segunda guerra através da vida de 5 grandes diretores, John Ford, William Wyler, George Stevens, John Huston e Frank Capra. Spielberg, Del Toro, Coppola, Greengrass e Kasdan são entrevistados, nesse documentário de 3 episódios, que segue a estrutura básica de primeiro, segundo e terceiro ato, discorre com fluidez, ano a ano da guerra, numa montagem ágil e gostosa de acompanhar. É um ótimo material sobre a Segunda Guerra Mundial, e um ótimo material sobre o Cinema. Um Original Netflix, realmente bom!
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    Vozes ao norte opinam:
    ‘’Menino,
    Vá para o velho Oeste
    Busque ouro,
    Veja o sol nascer a Leste,
    Faça algo que preste!’’
    Vozes ao sul deduram:
    ‘’Vitimista social,
    Pseudo-artista,
    Quer ascensão pessoal
    E não crê em meritocracia?
    Deve ser petista!’’

    No centro deste distúrbio cardeal,
    Entrego-me a divergência
    Foda-se o ideal
    Quero viver, mas sem a urgência dos sabidos... Iludidos!

    Tais caminhos ditos pelos malditos
    Supostos peritos e eruditos 
    Que afirmam saber o que é necessário para viver,
    Suspeito de cada sílaba e pago pra ver,
    Afinal,
    Num passeio qualquer,
    Arrastando-me pela calçada
    Em cada passo vejo um humano abatido,
    Cansado as sombras do sol do edifício
    Vivendo de sobras a sós, eu sei, é difícil!

    Neste apocalipse cognitivo na cidade grande 
    Faça o contrário do que diz essa gente grande 
    A chance de dar certo, eu prometo, é grande
    São todos zumbis comedores de cérebro,
    É sério, 
    Atente-se no que eu digo:
    Amigo, 
    Teu talento é grande, por isso querem te almoçar
    Pode apostar 
    E se me questionar
    ‘’Por que não se comem entre si?’’ 
    Respondo rápido pra ti:
    Morto come carne viva, 
    Inveja é o tesão dessa espécie pífia
    Mas lembre-se:
    Você não está sozinho!
    Tente outra vez,
    Esse é o caminho,
    Não desista, 
    Tente mais uma vez,
    Insista em viver...
    Pague o preço dessa tal lucidez!

    Um poema de Gustavo Pauletto
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    Arctic Monkeys é uma banda foda por muitos motivos, mas o principal talvez seja a sua ambição. A banda sente a necessidade de estar sempre se reinventando – E hoje, alguns dias após o lançamento de seu álbum Tranquility Base Hotel & Casino, isso fica ainda mais evidente.

    Depois de um álbum extremamente popular e pop, a banda se transforma mais uma vez e nos dá um álbum totalmente diferente. Essa distância entre uma obra e outra, se dá, não apenas no tempo de intervalo entre uma obra e outra, mas também em sua estrutura – o que está incomodando muita gente -, totalmente modifica. É um estilo diferente.

    Para citar apenas uma banda que vive de se repetir, eu cito Coldplay, que depois de alcançar aceitação e sucesso absoluto, estabeleceu uma fórmula e simplesmente não cria mais nada. Todas as músicas são muito parecidas e os álbuns se repetem. Escute uma música e terá escutado todas. Arctic Monkeys, graças a Alex Turner, principalmente, é uma banda que tem estágios, mutações e coragem, sem dúvida alguma!

    Isso evidencia uma tranquilidade, auto compressão e segurança impressionantes. Uma banda que faz o sucesso que tem feito, facilmente poderia ter apostado no certo, jogado simples e permanecido dentro dessa zona de sucesso, ter feito um álbum com mais duas ou três “Do i wanna know” e estaria nos trending’s por muito, muito tempo, mas eles não são assim e "Graças a Deus" por isso.

    Alex Turner e o restante da banda tem essa vontade de fazer música, fazer arte. E lendo uma matéria da Rolling Stones, nota-se como o processo criativo do álbum foi complexo e de certa forma meio maluco. Os conceitos que surgiram eram meio vagos e dá pra notar isso no álbum. Dá para sentir essa pegada mais experimental, mais leve. Ao contrário do álbum passado, as guitarras já não mais tão marcantes e o que acaba pegando mesmo é esse universo próprio que o álbum cria.

    Eu achei o álbum foda, principalmente pela coragem que marca todo o processo. Eu realmente acho isso digno de aplausos. Talvez não seja o melhor álbum da banda, isso cabe a você julgar, mas como apreciador eu não posso negar que esse álbum é muito importante para toda a cultura musical. Arctic é uma das bandas mais importantes da atualidade e quando eles mostram uma face totalmente nova, encorajam outras bandas e artistas a buscarem essa reinvenção.

    Tranquility Base Hotel & Casino é um retrato de ambição, coragem e nos dá a certeza de que Arctic Monkeys não é uma banda qualquer!

    O álbum foi lançado em maio, vamos curti-lo, entende-lo e aprecia-lo, porque o que nos resta é a certeza de que o próximo álbum será ainda mais complexo, experimental e diferente. Viva Arctic Monkeys e suas várias facetas!
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    Mr.Robot é uma excelente série. E acredite, ela vai muito além das frases que viram posts para o facebook. Mr.Robot nos apresenta o mundo de uma forma muito pessimista. Apresenta a sociedade na forma de uma cebola, formada por camadas e camadas e camadas, poder, influência e manipulação, coisas que nós nem ao menos conseguimos imaginar. De certa forma, podemos estabelecer um paralelo com a série House of Cards, que também mostra de uma forma bem interessante essas múltiplas camadas da política e do poder.

    A série apresenta um grupo de Hackers que quer pôr fim à maior corporação do mundo, uma empresa que trabalha em diversas frentes e que praticamente assumiu o monopólio mundial de tecnologia. As pessoas são dependentes dessa grande empresa e esse grupo quer acabar com isso, devolver ao povo a liberdade, apagando dívidas e destruindo registos bancários. Esse grupo de Hackers, denominado “Fsociety” passa a trabalhar atrás das telas para destruir o capitalismo. Aqui nós podemos estabelecer outro paralelo, dessa vez com Clube da Luta.

    O Protagonista da série é Elliot Alderson, um jovem que vive oprimido pelo seu passado, sofre de transtorno de ansiedade, depressão e é viciado em morfina, ao mesmo tempo que é um Hacker talentosíssimo. A complexidade desse personagem é tamanha que a fotografia e a direção de câmeras são totalmente influenciadas pelo seu estado de espírito. A série não tem medo de ousar na forma de filmar as cenas e aproveita dos problemas do personagem, para refletir esse estranhamento nas câmeras. Quando Elliot recebe uma notícia que vai contra os planos que havia feito, a câmera filma de cima para baixo, ou invertida, quando Elliot está drogado a câmera se aproxima dele, distorcendo sua imagem, enfim, a instabilidade do personagem é refletida na fotografia o tempo todo e isso é criativo e corajoso, é um elemento muito bem utilizado para contar essa história.

    É interessante ver como a série vai construindo o personagem e a sua identidade visual e estilística. A fotografia, por exemplo, é quase sempre muito lavada, dessaturada, muitos tons de cinza, assim como o personagem, que está sempre de preto (Exceto no trabalho), refletindo o seu estado emocional e psicológico, como se estivesse em um quarto escuro, cercado por todas as experiências ruins que teve em sua vida. O preto também é entendido como ausência de luz, ao passo que o branco é entendido como a presença de luz. Outra vez a analogia do quarto escuro. Elliot é formado de experiências negativas e problemas que a série vai apresentando aos poucos, dando cada vez mais profundidade ao personagem.

    “Mr.Robot” (Christian Slater) é o líder do grupo Fsociety e por conhecer muito bem o talento de Elliot, o convida para integrar o grupo que será responsável pela maior reviravolta da história da humanidade. Ao destruir a megacorporação E-Corp, o grupo construíra um novo mundo. Esse é o ideal compartilhado por Darlene (Carly Chaikin), Mobley (Azhar Khan), Trenton (Sunita Mani), Elliot (Rami Malek) e Mr.Robot (Christian Slater). A relação entre Mr.Robot, Elliot e Darlene, é uma relação interessantíssima, mas qualquer informação é um spoiler – Vale a pena a surpresa.

    A série tem um clima bem tenso o tempo todo. Estamos lidando com um evento que pode mudar completamente o rumo do mundo, estamos diante daquilo que pode ser a derrocada da maior corporação da história da humanidade, então não poderia ser diferente. Existem muitas pessoas interessadas. Existem políticos, existem grandes empresários, existem nações interessadas nessa possível mudança, existem pessoas esperando o momento certo para assumir o controle quando a bomba explodir.

    A série constrói muito bem esse clima. Quando estamos falando de Hackers, estamos falando de pessoas poderosíssimas, cujo talento pode ser usado de qualquer forma. Quero dizer, o que protege nossas informações não passa de uma porta com a chave para o lado de fora, eles podem entrar e capturar o que quiserem, quando quiserem. Agora pensando no potencial que hackers talentosos têm, unidos por um ideal.... Digamos que a série até flerte um pouco com o clima de Guerra Fria e espionagem, entende? É um jogo e só os melhores vão sobreviver.

    Mr. Robot é uma série realmente interessante. É difícil escrever sobre ela sem dar grandes spoilers, porque a série tem ótimas reviravoltas. Aconselho que se você for assistir, assista sem procurar nada a respeito na internet. Vá para a série sabendo apenas o que te contei e deixe que a estética da série, as câmeras, os personagens, a música e esse ideal te guiem por essa narrativa complexa, interessante e muito reflexiva.

    A Série criada por Sam Esmail, têm 3 temporadas e brinca com o “E SE”, de forma muito provocativa. Citando os paralelos outra vez, a trama tem um pouco de Clube da Luta e um pouco de House of Cards, o que já seria o suficiente para ser muito boa, mas ela consegue assumir uma identidade particular, pautada principalmente na complexidade de Elliot Alderson e na boa construção de trejeitos de Rami Malek, apostando na apresentação de personagens poderosos e interessados em um “apocalipse” que pode ser começado com um simples clique, a pergunta que fica é:

    Existe liberdade para nós?

    FSociety,
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    Diagnosticado com um grave problema de coração, Daniel Blake (Dave Johns), um viúvo de 59 anos, tem indicação médica para deixar de trabalhar. Mas quando tenta receber os benefícios do Estado, encontra-se emperrado numa burocracia injusta e constrangedora.

    Com o avanço tecnológico, é notável a influência digital nas relações humanas nos mais diversos âmbitos. É notória também a contradição digital em larga escala, visto que ao mesmo tempo em que democratizou e facilitou informações, criou um abismo comunicacional entre o século XXI e os séculos anteriores.

    Diante deste cenário moderno e digital, temos Daniel Blake, personagem principal do drama vencedor da ‘’Palma de Ouro 2016 (Cannes)’’ dirigido pelo britânico Ken Loach.

    Imerso a situações com resoluções de caráter digital, Daniel tem enormes dificuldades para usufruir de seus legítimos direitos e o filme irá bater em demasia nessa tecla a todo o momento. Paralelo a isso, temos a história de Katie, mãe solteira de dois filhos recém-chegada na cidade, sem dinheiro buscando sobreviver e sustentar seus filhos, submetendo-se a situações desagradáveis, como a prostituição por exemplo. Até aqui tudo normal para indivíduos periféricos a margem da sociedade.

    O mérito do filme se da pela cirúrgica crítica segregativa via comunicação, dado que desde os primórdios, de alguma maneira os tais ‘’donos do poder’’ mecanizam e manipulam situações para que permaneçam em suas respectivas posições.

    Se na política somos representados por candidatos que vivem num mundo paralelo de linguagem própria, polidas, cultas, especialmente se num debate político, se na área administrativa existem termos e expressões próprias, as vezes até em outra língua, se em bairros de classes distintas existem comunicações antagônicas e que no fim, tudo colabora para um estado de inércia, o filme acusa a segregação moderna: era digital.

    Adultos distantes do frenético avanço digital são ignorados e isolados de maneira bruta, salvo as exceções que conseguem se adaptar.
    Não há demérito na não adaptação e o motivo é simples: não há incentivo.

    O caminho é perigoso, afinal estão deixando de lado experiências e vivencias para criar, sem exagero nenhum, uma sociedade do zero que cresce de maneira precoce e afogam-se num mar de possibilidades.

    Dentre as ótimas cenas do filme, há uma que representa bem todo esse papo, onde o personagem diz que consegue erguer uma casa, criar móveis, pintar, ajustar a parte elétrica, no entanto, ao não saber usar um e-mail, é visto como um indivíduo de outro mundo (e de fato é).

    Daniel Blake é a representação de um cidadão que luta pelos seus direitos e não abaixa a cabeça para seus inimigos, mesmo impotente, sem saber o que fazer e quem esta enfrentando... Daniel Blake representa a resistência e a humanidade que nós temos (ou deveríamos ter).

    Texto de: Gustavo Pauletto
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