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Transgressor
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    Vozes ao norte opinam:
    ‘’Menino,
    Vá para o velho Oeste
    Busque ouro,
    Veja o sol nascer a Leste,
    Faça algo que preste!’’
    Vozes ao sul deduram:
    ‘’Vitimista social,
    Pseudo-artista,
    Quer ascensão pessoal
    E não crê em meritocracia?
    Deve ser petista!’’

    No centro deste distúrbio cardeal,
    Entrego-me a divergência
    Foda-se o ideal
    Quero viver, mas sem a urgência dos sabidos... Iludidos!

    Tais caminhos ditos pelos malditos
    Supostos peritos e eruditos 
    Que afirmam saber o que é necessário para viver,
    Suspeito de cada sílaba e pago pra ver,
    Afinal,
    Num passeio qualquer,
    Arrastando-me pela calçada
    Em cada passo vejo um humano abatido,
    Cansado as sombras do sol do edifício
    Vivendo de sobras a sós, eu sei, é difícil!

    Neste apocalipse cognitivo na cidade grande 
    Faça o contrário do que diz essa gente grande 
    A chance de dar certo, eu prometo, é grande
    São todos zumbis comedores de cérebro,
    É sério, 
    Atente-se no que eu digo:
    Amigo, 
    Teu talento é grande, por isso querem te almoçar
    Pode apostar 
    E se me questionar
    ‘’Por que não se comem entre si?’’ 
    Respondo rápido pra ti:
    Morto come carne viva, 
    Inveja é o tesão dessa espécie pífia
    Mas lembre-se:
    Você não está sozinho!
    Tente outra vez,
    Esse é o caminho,
    Não desista, 
    Tente mais uma vez,
    Insista em viver...
    Pague o preço dessa tal lucidez!

    Um poema de Gustavo Pauletto
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    Arctic Monkeys é uma banda foda por muitos motivos, mas o principal talvez seja a sua ambição. A banda sente a necessidade de estar sempre se reinventando – E hoje, alguns dias após o lançamento de seu álbum Tranquility Base Hotel & Casino, isso fica ainda mais evidente.

    Depois de um álbum extremamente popular e pop, a banda se transforma mais uma vez e nos dá um álbum totalmente diferente. Essa distância entre uma obra e outra, se dá, não apenas no tempo de intervalo entre uma obra e outra, mas também em sua estrutura – o que está incomodando muita gente -, totalmente modifica. É um estilo diferente.

    Para citar apenas uma banda que vive de se repetir, eu cito Coldplay, que depois de alcançar aceitação e sucesso absoluto, estabeleceu uma fórmula e simplesmente não cria mais nada. Todas as músicas são muito parecidas e os álbuns se repetem. Escute uma música e terá escutado todas. Arctic Monkeys, graças a Alex Turner, principalmente, é uma banda que tem estágios, mutações e coragem, sem dúvida alguma!

    Isso evidencia uma tranquilidade, auto compressão e segurança impressionantes. Uma banda que faz o sucesso que tem feito, facilmente poderia ter apostado no certo, jogado simples e permanecido dentro dessa zona de sucesso, ter feito um álbum com mais duas ou três “Do i wanna know” e estaria nos trending’s por muito, muito tempo, mas eles não são assim e "Graças a Deus" por isso.

    Alex Turner e o restante da banda tem essa vontade de fazer música, fazer arte. E lendo uma matéria da Rolling Stones, nota-se como o processo criativo do álbum foi complexo e de certa forma meio maluco. Os conceitos que surgiram eram meio vagos e dá pra notar isso no álbum. Dá para sentir essa pegada mais experimental, mais leve. Ao contrário do álbum passado, as guitarras já não mais tão marcantes e o que acaba pegando mesmo é esse universo próprio que o álbum cria.

    Eu achei o álbum foda, principalmente pela coragem que marca todo o processo. Eu realmente acho isso digno de aplausos. Talvez não seja o melhor álbum da banda, isso cabe a você julgar, mas como apreciador eu não posso negar que esse álbum é muito importante para toda a cultura musical. Arctic é uma das bandas mais importantes da atualidade e quando eles mostram uma face totalmente nova, encorajam outras bandas e artistas a buscarem essa reinvenção.

    Tranquility Base Hotel & Casino é um retrato de ambição, coragem e nos dá a certeza de que Arctic Monkeys não é uma banda qualquer!

    O álbum foi lançado em maio, vamos curti-lo, entende-lo e aprecia-lo, porque o que nos resta é a certeza de que o próximo álbum será ainda mais complexo, experimental e diferente. Viva Arctic Monkeys e suas várias facetas!
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    Mr.Robot é uma excelente série. E acredite, ela vai muito além das frases que viram posts para o facebook. Mr.Robot nos apresenta o mundo de uma forma muito pessimista. Apresenta a sociedade na forma de uma cebola, formada por camadas e camadas e camadas, poder, influência e manipulação, coisas que nós nem ao menos conseguimos imaginar. De certa forma, podemos estabelecer um paralelo com a série House of Cards, que também mostra de uma forma bem interessante essas múltiplas camadas da política e do poder.

    A série apresenta um grupo de Hackers que quer pôr fim à maior corporação do mundo, uma empresa que trabalha em diversas frentes e que praticamente assumiu o monopólio mundial de tecnologia. As pessoas são dependentes dessa grande empresa e esse grupo quer acabar com isso, devolver ao povo a liberdade, apagando dívidas e destruindo registos bancários. Esse grupo de Hackers, denominado “Fsociety” passa a trabalhar atrás das telas para destruir o capitalismo. Aqui nós podemos estabelecer outro paralelo, dessa vez com Clube da Luta.

    O Protagonista da série é Elliot Alderson, um jovem que vive oprimido pelo seu passado, sofre de transtorno de ansiedade, depressão e é viciado em morfina, ao mesmo tempo que é um Hacker talentosíssimo. A complexidade desse personagem é tamanha que a fotografia e a direção de câmeras são totalmente influenciadas pelo seu estado de espírito. A série não tem medo de ousar na forma de filmar as cenas e aproveita dos problemas do personagem, para refletir esse estranhamento nas câmeras. Quando Elliot recebe uma notícia que vai contra os planos que havia feito, a câmera filma de cima para baixo, ou invertida, quando Elliot está drogado a câmera se aproxima dele, distorcendo sua imagem, enfim, a instabilidade do personagem é refletida na fotografia o tempo todo e isso é criativo e corajoso, é um elemento muito bem utilizado para contar essa história.

    É interessante ver como a série vai construindo o personagem e a sua identidade visual e estilística. A fotografia, por exemplo, é quase sempre muito lavada, dessaturada, muitos tons de cinza, assim como o personagem, que está sempre de preto (Exceto no trabalho), refletindo o seu estado emocional e psicológico, como se estivesse em um quarto escuro, cercado por todas as experiências ruins que teve em sua vida. O preto também é entendido como ausência de luz, ao passo que o branco é entendido como a presença de luz. Outra vez a analogia do quarto escuro. Elliot é formado de experiências negativas e problemas que a série vai apresentando aos poucos, dando cada vez mais profundidade ao personagem.

    “Mr.Robot” (Christian Slater) é o líder do grupo Fsociety e por conhecer muito bem o talento de Elliot, o convida para integrar o grupo que será responsável pela maior reviravolta da história da humanidade. Ao destruir a megacorporação E-Corp, o grupo construíra um novo mundo. Esse é o ideal compartilhado por Darlene (Carly Chaikin), Mobley (Azhar Khan), Trenton (Sunita Mani), Elliot (Rami Malek) e Mr.Robot (Christian Slater). A relação entre Mr.Robot, Elliot e Darlene, é uma relação interessantíssima, mas qualquer informação é um spoiler – Vale a pena a surpresa.

    A série tem um clima bem tenso o tempo todo. Estamos lidando com um evento que pode mudar completamente o rumo do mundo, estamos diante daquilo que pode ser a derrocada da maior corporação da história da humanidade, então não poderia ser diferente. Existem muitas pessoas interessadas. Existem políticos, existem grandes empresários, existem nações interessadas nessa possível mudança, existem pessoas esperando o momento certo para assumir o controle quando a bomba explodir.

    A série constrói muito bem esse clima. Quando estamos falando de Hackers, estamos falando de pessoas poderosíssimas, cujo talento pode ser usado de qualquer forma. Quero dizer, o que protege nossas informações não passa de uma porta com a chave para o lado de fora, eles podem entrar e capturar o que quiserem, quando quiserem. Agora pensando no potencial que hackers talentosos têm, unidos por um ideal.... Digamos que a série até flerte um pouco com o clima de Guerra Fria e espionagem, entende? É um jogo e só os melhores vão sobreviver.

    Mr. Robot é uma série realmente interessante. É difícil escrever sobre ela sem dar grandes spoilers, porque a série tem ótimas reviravoltas. Aconselho que se você for assistir, assista sem procurar nada a respeito na internet. Vá para a série sabendo apenas o que te contei e deixe que a estética da série, as câmeras, os personagens, a música e esse ideal te guiem por essa narrativa complexa, interessante e muito reflexiva.

    A Série criada por Sam Esmail, têm 3 temporadas e brinca com o “E SE”, de forma muito provocativa. Citando os paralelos outra vez, a trama tem um pouco de Clube da Luta e um pouco de House of Cards, o que já seria o suficiente para ser muito boa, mas ela consegue assumir uma identidade particular, pautada principalmente na complexidade de Elliot Alderson e na boa construção de trejeitos de Rami Malek, apostando na apresentação de personagens poderosos e interessados em um “apocalipse” que pode ser começado com um simples clique, a pergunta que fica é:

    Existe liberdade para nós?

    FSociety,
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    Diagnosticado com um grave problema de coração, Daniel Blake (Dave Johns), um viúvo de 59 anos, tem indicação médica para deixar de trabalhar. Mas quando tenta receber os benefícios do Estado, encontra-se emperrado numa burocracia injusta e constrangedora.

    Com o avanço tecnológico, é notável a influência digital nas relações humanas nos mais diversos âmbitos. É notória também a contradição digital em larga escala, visto que ao mesmo tempo em que democratizou e facilitou informações, criou um abismo comunicacional entre o século XXI e os séculos anteriores.

    Diante deste cenário moderno e digital, temos Daniel Blake, personagem principal do drama vencedor da ‘’Palma de Ouro 2016 (Cannes)’’ dirigido pelo britânico Ken Loach.

    Imerso a situações com resoluções de caráter digital, Daniel tem enormes dificuldades para usufruir de seus legítimos direitos e o filme irá bater em demasia nessa tecla a todo o momento. Paralelo a isso, temos a história de Katie, mãe solteira de dois filhos recém-chegada na cidade, sem dinheiro buscando sobreviver e sustentar seus filhos, submetendo-se a situações desagradáveis, como a prostituição por exemplo. Até aqui tudo normal para indivíduos periféricos a margem da sociedade.

    O mérito do filme se da pela cirúrgica crítica segregativa via comunicação, dado que desde os primórdios, de alguma maneira os tais ‘’donos do poder’’ mecanizam e manipulam situações para que permaneçam em suas respectivas posições.

    Se na política somos representados por candidatos que vivem num mundo paralelo de linguagem própria, polidas, cultas, especialmente se num debate político, se na área administrativa existem termos e expressões próprias, as vezes até em outra língua, se em bairros de classes distintas existem comunicações antagônicas e que no fim, tudo colabora para um estado de inércia, o filme acusa a segregação moderna: era digital.

    Adultos distantes do frenético avanço digital são ignorados e isolados de maneira bruta, salvo as exceções que conseguem se adaptar.
    Não há demérito na não adaptação e o motivo é simples: não há incentivo.

    O caminho é perigoso, afinal estão deixando de lado experiências e vivencias para criar, sem exagero nenhum, uma sociedade do zero que cresce de maneira precoce e afogam-se num mar de possibilidades.

    Dentre as ótimas cenas do filme, há uma que representa bem todo esse papo, onde o personagem diz que consegue erguer uma casa, criar móveis, pintar, ajustar a parte elétrica, no entanto, ao não saber usar um e-mail, é visto como um indivíduo de outro mundo (e de fato é).

    Daniel Blake é a representação de um cidadão que luta pelos seus direitos e não abaixa a cabeça para seus inimigos, mesmo impotente, sem saber o que fazer e quem esta enfrentando... Daniel Blake representa a resistência e a humanidade que nós temos (ou deveríamos ter).

    Texto de: Gustavo Pauletto
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    Peaky Blinders é uma série britânica que conta os feitos e realizações dos irmãos Shelby’s, líderes da gangue Peaky Blinders. Os acontecimentos são concentrados em Birmingham, a partir das consequências imediatas da primeira guerra.

    A série foi criada por Steven McKnight. Um roteirista consolidado, que viveu seu grande momento em “Senhores do Crime” e vêm melhorando ainda mais seu trabalho, depois de realizar Locke (2013), Peaky Blinders (2013-Presente), e Taboo (2017-Presente), série que tem sido muito elogiada pela crítica e pelo público. Tom Hardy, aparentemente, tem um papel muito importante em todos os grandes trabalhos recentes de Steven Knight. É o protagonista de Locke, tem um papel muito interessante em Peaky Blinders e é um dos co-criadores de Taboo.

    Peaky Blinders é uma produção muito bem realizada. A ambientação pós-guerra, 1919-1920, é muito bem-feita por todo a direção de arte e design de produção em geral. Isso fica bem claro nos contrastes que o figurino estabelece entre as classes sociais, mostrando a elegância de uns e a miséria visual de outros. A série não oferece um mergulho completo na sociedade inglesa, mas os recortes sociais que a série vai nos dando aos poucos, refletem com precisão o estado em que as coisas andavam naquele momento. As metalúrgicas, os sindicatos, os trabalhadores e a alta sociedade, mas a série ainda melhora quando se dispõe a mostrar a violência e a forma como a Guerra transforma as pessoas.

    Thomas Shelby (Cilliam Murphy) talvez seja o melhor exemplo dos efeitos da Guerra. Ele sempre fora o mais inteligente dos irmãos, mas depois da Guerra, quando voltou para Birmingham, ele assumiu os negócios da família, a liderança da gangue e passou a traçar planos para o crescimento da família Shelby. Seu irmão mais velho, Arthur Shelby (Paul Anderson) e seu irmão mais novo John Shelby (Joe Cole), tiveram de aceitar a liderança do irmão e ajuda-lo em seus planos. Nesse sentido, Polly Shelby (Hellen McCrory), tia e conselheira da família Shelby, foi fundamental mostrando a todos que Thomas realmente deveria ser o líder.

    A série trabalha os personagens de uma forma muito cuidadosa. Os atores vão muito bem e você percebe a profundidade dos personagens, percebe as motivações, os defeitos, e isso tudo acontece de forma bem orgânica. A série, nesse sentido, tem personagens muito marcantes, a começar por Thomas Shelby, interpretado com maestria pelo ótimo Cilliam Murphy, indo para a 2º temporada temos Alfie Solomons, interpretado por Tom Hardy com monólogos e trejeitos muito bem entregues e na 4º temporada temos o vencedor do Oscar Adrien Brody, interpretando Luca Changretta, um mafioso italiano em busca de vingança. Peaky Blinders trabalha muito bem a inserção de novos personagens na trama, e bons personagens merecem bons atores e nesse ponto, o casting da série foi muito preciso.

    O subtítulo da série no Brasil, é: Sangue, Apostas e Navalhas. A Gangue Peaky Blinders faz o que é necessário para atingir seus objetivos, então isso tudo é verdade. Muito sangue, manipulação, jogos políticos e violência. A estrutura narrativa da série, segue um padrão. Cada temporada, apresenta um novo "inimigo", novas complicações e uma resolução.

    A Fotografia da série é uma das coisas mais belas pertencentes ao universo das séries. As composições são sempre muito bem construídas, a iluminação é muito bonita, principalmente utilizando os elementos industriais para dar alguns toques sutis, que fazem efeito na fotografia, como faíscas, por exemplo. A coisa é tão boa que eu aposto que se você colocar em qualquer episódio, e pausar tela a tela, você sempre vai ter um frame bem capturado e que, mesmo de forma sutil, comunica algo além, ajudando a história a fluir. Eu particularmente gosto muito de todo o tom visual da série. As cores não são saturadas. O visual é bem cinza, um pouco azulado. O que acaba conversando muito bem com toda a ambientação da série. É um momento em que a tecnologia ainda não está muito desenvolvida, Birmingham é uma cidade industrial, metalúrgica, as ruas ainda não são asfaltadas. Então essa decisão acaba ajudando a construir essa atmosfera "suja".

    Para os amantes da boa música, a série faz uma brincadeira que eu acho deliciosa. As realizações da Gangue Peaky Blinders, foram realizados no pós-guerra, a partir de 1919, mas a série coloca músicas da cultura pop posteriores aos eventos da série, brincando com essa ambientação muito fiel e esse elemento musical que aproxima a série de nós. Então nós temos muito Arctic Monkeys, Radiohead, Nick Cave, Jonny Cash, David Bowie etc..... Muitos desses artistas, seria sábios se tentassem algum acordo para ter algum momento da série como videoclipe oficial. Então, a música está tocando, as baterias, guitarras, os Peaky Blinders estão vindo em nossa direção, estamos vendo-os através de uma poça d’água e então eles passam por cima de nós, esbanjando elegância, charme, estilo e poder.

    Mas a série não tem nenhum problema? Tem! Tem um problema bastante sério, na verdade.

    O Protagonista Thomas Shelby (Cilliam Murphy) é construído durante toda a série, como um homem muito inteligente, astuto e manipulador. Um anti-herói elegante, carismático e que mantém as coisas sob controle. Nós vemos como ele constrói seus planos, lida com as adversidades e resolve problemas, sempre com uma racionalidade que beira o genial. Essa construção, acaba se tornando uma muleta para a série em diversos momentos.

    O roteiro vai metendo os personagens em situações complicadas, e mais complicadas, e mais complicadas, até que chega um momento em que os tirar dali é praticamente impossível. E então, o roteiro utiliza a muleta que ele construiu durante a série, e de forma absurda remove os personagens do perigo que estavam enfrentando.

    Esse é o maior problema de Peaky Blinders. Algumas soluções beiram o Deus Ex-Machina, com a desculpa de terem construído um personagem tão genial, quase onisciente. Você aceitou essa construção, então fazer o que?

    Mesmo com esse problema, a série continua muito boa. É um espetáculo visual, tem personagens muito complexos e tem atuações muito boas mesmo. Principalmente as três que citei acima, Cilliam Murphy, Tom Hardy e Adrien Brody. Esses três dão um show de atuação na série.

    Peaky Blinders é uma ficção histórica que conta os feitos, realizações e atos violentos da gangue, em busca de poder e influência. A série é muito bem produzida, é visualmente maravilhosa e tem uma ambientação que facilita sua imersão nesse mundo criminoso e extremamente sedutor.
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    Eu comprei Assombro, por causa do conto “Tripas”. Já havia lido o texto algumas vezes e sempre me diverti muito com as histórias que cercam esse conto. Existem relatos de pessoas que vomitaram durante a leitura, outras que desmaiaram e outras pessoas que levantaram e abandonaram a sessão de leitura com o autor. E sim, o conto tem esse poder.

    Tripas é um conto nojento, mas escrito com uma mão talentosíssima e o estilo característico de Chuck Palahniuk. Eu já tinha lido o conto várias vezes, mas então, por que comprar o livro, se esse era o único conto que me interessava?

    A respostá é: Chuck Palahniuk é um dos meus escritores preferidos e “Assombro” é um livro em que ele apresenta uma proposta diferente. Em Clube da Luta, Sobrevivente, No Sufoco, Climax, Condenada, Maldita.... Enfim, em seus romances anteriores, ele apresentava uma história e a desenvolvia. “Assombro” tem uma estrutura diferente de seus demais romances.

    Usando o subtítulo presente na capa do livro, “Assombro” é um Romance de histórias.

    Um anúncio no jornal diz:

    “Retiro de Escritores – Abandone sua vida durante três meses.

    Simplesmente suma. Deixe para trás tudo que impede você de criar sua obra-prima. Seu empreso, sua família e seu lar, todas as obrigações e distrações, deixe tudo em espera por três meses. Viva com gente que pensa como você, num ambiente que dá apoio à imersão total em seu trabalho. Comida e abrigo de graça para aqueles que se qualificarem. Aposte uma fração mínima da sua vida na chance de criar um novo futuro como poeta, romancista ou roteirista profissional. Antes que seja tarde demais, viva a vida que sempre sonhou.

    Vagas extremamente limitadas. ”


    18 pessoas respondem ao chamado. 18 pessoas completamente diferentes abandonam tudo e seguem para esse retiro. O problema é que as coisas não acontecem como o esperado, e a partir disso o livro se desenrola de forma sombria e brutal.

    O ponto estrutural que difere esse livro dos outros, é que cada uma das 18 pessoas, em algum momento da história, tem a sua chance de contar uma história. Então o livro se desenvolve com – Capítulo geral – Poema do fulano – Conto do fulano – Capítulo Geral – Poema do Sicrano – Conto do Sicrano – Capítulo Geral.

    É uma proposta muito interessante e Chuck aproveita muito bem disso para contar várias histórias diferentes, algumas claramente não renderiam livros, então qual a melhor forma de leva-las ao público?

    Particularmente, esse foi o livro do autor que eu menos gostei. Acho a estrutura muito interessante, gosto dos capítulos gerais, mas são poucos os contos que realmente me atraem. O começo do livro é bem interessante, causa um estranhamento, mas é positivo, o final do livro também é interessante e tem um ritmo muito bom, mas o meio do livro é um pouco enfadonho. São 505 páginas, então não é uma leitura tão dinâmica.

    Não se pode negar que é um livro de Chuck Palahniuk, pelo estilo da escrita, pelos temas abordados, pelo humor, mas eu senti falta do ritmo que sempre é presente nas obras do autor. Eu sou apaixonado pelo conto “Tripas”, e indico demais a leitura desse conto, entretanto, saiba que não é o melhor livro do autor, nem de longe.

    Assombro é um livro que tem muito de Chuck Palahniuk, mas que talvez falte o principal de Chuck Palahniuk.

    Um trechinho de "Tripas" para instiga-los a conhecer o trabalho do autor:

    " Um amigo meu aos 13 anos ouviu falar sobre “fio-terra”. Isso é quando alguém enfia um consolo na bunda. Estimule a próstata o suficiente, e os rumores dizem que você pode ter orgasmos explosivos sem usar as mãos. Nessa idade, esse amigo é um pequeno maníaco sexual. Ele está sempre buscando uma melhor forma de gozar. Ele sai para comprar uma cenoura e lubrificante. Para conduzir uma pesquisa particular. Ele então imagina como seria a cena no caixa do supermercado, a solitária cenoura e o lubrificante percorrendo pela esteira o caminho até o atendente no caixa. Todos os clientes esperando na fila, observando. Todos vendo a grande noite que ele preparou.

    Então, esse amigo compra leite, ovos, açúcar e uma cenoura, todos os ingredientes para um bolo de cenoura. E vaselina.

    Como se ele fosse para casa enfiar um bolo de cenoura no rabo. "

    Se você tiver estomago para continuar, é só procurar "Tripas - Chuck Palahniuk" no google. E compre o livro, óbvio ;)


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    Assistir Westworld é ter a certeza de estar assistindo uma produção gigantesca, arquitetada com muita inteligência e executada com perfeição. E nesse sentido, é impressionante como a HBO não cansa de se superar. Suas produções crescem cada vez mais, se tornam cada vez mais ambiciosas, cada vez mais corajosas e seus acertos se acumulam aos montes. Westworld é um retrato da soberania da HBO quando o assunto são as séries para televisão.

    O projeto arquitetado pelo incrível Jonathan Nolan, corresponsável por quase todos os trabalhos de Christopher Nolan, é impecável. A trama segue um ritmo muito cadenciado. As coisas vão acontecendo no tempo que precisam acontecer. As coisas são mostradas na hora que precisam ser mostradas. Os personagens vão sendo apresentados sem pressa. Jonathan Nolan, mantém o controle da trama e do ritmo com uma mão bem segura. A série transcorre de forma que você entende. Eles sabem absolutamente tudo o que estão fazendo.

    A premissa da série é fantástica. Westworld é um parque com o tema “Western”, onde pessoas pagam cerca de 40 mil para viver um dia no Velho-oeste. Essa experiência é completamente imersiva. Você pode fazer absolutamente tudo o que quiser, sem julgamentos e sem avaliações. O ponto é que o parque é dividido entre Humanos e Máquinas. Existem máquinas extremamente reais, com personalidade, background e com uma narrativa a cumprir. Isso significa que você é colocado em um mundo onde tudo, absolutamente tudo, tem uma razão de ser. Enfim, são inteligências artificiais realmente inteligentes, e isso é possível pelos avanços tecnológicos – A série é ambientada em 2050 – e pela genialidade do Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins) e Arnold, os dois idealizadores do parque.

    A partir dessa premissa, nós acompanhamos várias narrativas paralelas. Acompanhamos a narrativa de visitantes do parque, acompanhamos a narrativa de alguns personagens, acompanhamos a narrativa do Dr. Robert Ford tentando manter o controle do parque, mesmo em meio a pressão da diretoria, enfim.... Westworld é uma série gigantesca, com muitos personagens primários, muitos personagens secundários e muitas narrativas paralelas.

    São muitos personagens e muitas narrativas, o ponto interessante sobre isso, é que tudo parece ter uma base enorme, cada personagem tem um background, por mais coadjuvante que seja. Toda narrativa tem seus desdobramentos. Isso evidencia o trabalho muito bem feito de roteiro e construção de mundo.

    Outro ponto interessantíssimo, é a coragem da série em apresentar discussões e temas complexos, sem mastigar demais as coisas. A série apresenta uma discussão filosófica muito antiga, sobre a natureza da nossa realidade e o faz de forma orgânica, é o plot da história. Ela não para e desenvolve esse conceito, ela vai apresentando esse conceito aos poucos, até o final da primeira temporada, quando você está no chão juntando os pedaços do seu cérebro que caíram durante a explosão.

    Fica maçante ficar elogiando a produção da HBO, mas é inevitável. O trabalho que a emissora realiza é maravilhoso e em Westworld isso fica ainda mais evidente. A começar pelo Casting dessa série que talvez seja a coisa mais absurda que eu já tenha visto. Nós temos Evan Rachel Wood, Jeffrey Wright, Ed Harris, Anthony Hopkins, Thandie Newton, James Marsden, Jimmi Simpson, Ben Barnes, Tessa Thompson, Rodrigo Santoro…. Todos esses rostos muito conhecidos, dispostos entre personagens principais e coadjuvantes, todos funcionando muito bem, com atuações consistentes e importantes para a trama.

    Destaco Anthony Hopkins que esbanja técnica, experiência e mostra sua qualidade como Dr. Robert Ford, um homem misterioso, um papel cheio de nuances. Há um momento em que ele entrega uma sequência de expressões faciais incríveis, em poucos segundos. Destaco também Evan Rachel Wood, que na série interpreta Dolores, uma máquina que possui uma narrativa e precisa cumpri-la. Há um momento fantástico, onde um técnico do parque interage com ela e ela demonstra euforia, mas no momento seguinte ele emite um comando e ela precisa fechar o rosto imediatamente e chorar. E ela entrega exatamente isso. É fantástico. Por fim destaco Jeffrey Wright, como Bernard Lowe, um dos programadores do parque. E de verdade, a atuação dele é incrível. Ele convence demais, nos deixando muito confusos em um determinado momento da trama.

    A série possui uma ambientação de Western dentro do parque, então a fotografia traz vários elementos da fotografia típica dos westerns do século passado. Homenageia muito Sérgio Leone, Clint Eastwood etc....

    Um ponto interessante é a brincadeira que a série faz em sua trilha sonora. E aqui, temos o ótimo Ramin Djawadi, que também é o responsável pela trilha brilhante da 6º temporada de Game of Thrones. Ele realiza mais um trabalho fantástico na série, com uma trilha instrumental belíssima e com um elemento interessante de jogar nesse western, algumas músicas pop’s dos nossos tempos. Então temos Amy Winehouse, Adele, Radiohead, Nirvana etc..... É um pontinho interessante que você nota e acaba sendo bem divertido.

    Jonathan Nolan é o principal nome do projeto, mas a direção é bem dividida. O próprio Nolan dirige apenas dois episódios. Richard J.Lewis dirige 3 episódios e até Michelle MacLaren (The Deuce) também dá sua contribuição dirigindo 1 episódio.

    O que mais me chama atenção é a veia filosófica que a série apresenta. É uma premissa muito interessante, que nos é apresentada de uma forma muito inteligente. Westworld em sua primeira temporada é uma série fantástica. Um universo gigantesco que se abre para nós e é também, sem dúvida alguma, uma obra da cultura pop com potencial para transformar o universo das séries, através de sua proposta filosófica e complexa. CHEGA DE MEDIOCRIDADE!

    PS: O primeiro episódio da 2º temporada será transmitido no dia 22/04/2018
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