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    pobre homem levando seu coração de trouxa
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    É evidente que toda e qualquer existência é cercada de dificuldades, desafios e derrotas. Essa é a natureza da vida. Uma série de dificuldades dispostas durante o tempo, jogando-nos de um lado para o outro, derrubando-nos e nos dando em alguns raros momentos alguns raros motivos para sorrir.

    Falo sobre a vida nos dar isso ou aquilo sem ao menos acreditar em destino ou até mesmo em deus. É apenas a força do hábito. O mais interessante seria dizer que estamos sozinhos em uma jornada pela vida, lidando com as consequências das nossas escolhas e também das escolhas dos que nos cercam, sem muito controle do que está acontecendo ou vai acontecer, quase passivos diante das muitas variantes que podem se apresentar e se formar, transformando as situações, as pessoas ao redor e até a nós mesmos.

    Existem várias formas de se enxergar a existência e de enfrenta-la. Os cristãos enxergam tudo isso através do prisma divino. Creem que há um deus por trás de tudo isso, alguém soberano, forte e poderoso, capaz de protege-los e sabiamente guia-los. Essa crença, naturalmente, reduz o número de pânicos e incertezas, tendo em vista que a aceitação da fé traz consigo uma infinidade de garantias que estão guardadas sob esse suposto deus soberano.

    Um cético, por outro lado, quando se desassocia do pensamento teísta se depara com um outro universo de possibilidades. Quando deus não está no jogo, não restam muitas certezas além da morte e do fim literal da existência, enquanto corpo e enquanto “alma”. Existem vantagens e desvantagens óbvias no ceticismo, bem como no teísmo. Como não creio na existência de um deus, vejo quase todas as vantagens do teísmo como enganosas, mas sem entrar nesse mérito, o ceticismo dá liberdade, porque ao entender-se sozinho, acabam-se as responsabilidades para com um ser eterno com poder suficiente para decidir o rumo de sua vida. Liberta-se de muitas amarras morais claramente retrógradas, preconceitos e estimula-se, de certa forma, o pensamento crítico para se tomar decisões com base em suas experiências e convicções, eliminando um livro sagrado que te direciona por caminhos pré-determinados. Como eu disse, existem vantagens e desvantagens. Talvez, viver alimentando a crença em um deus supremo não nos desse tanto espaço para o sofrimento ou desesperança. Talvez essa crença nos elimine certas dores, nos deixe mais relaxados com respeito a certas injustiças e mais tranquilos com relação a essa vida, tendo em vista que deus supostamente está no controle e supostamente dará uma boa vida eterna a todos os que depositarem sua fé nele.

    Eu estou usando a religião como um exemplo. Estou falando sobre existência. Formas de enxerga-la e formas de enfrenta-la, apenas isso.

    Quero dizer, simplesmente, que a existência é confusa e via de regra, extremamente dura. As incertezas, medos, angustias, pressões, ansiedades, dúvidas, todos esses elementos costumam ser muito presentes na vida da maioria das pessoas. Pensando principalmente nos tempos em que vivemos, é fácil notar como todos estão sempre correndo atrás de algo, pressionados aqui e ali, por outros e muitas vezes por si mesmos. A existência, portanto, costuma ser uma experiência um tanto quanto angustiante.
    homem em sua solidão superpovoada
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    A Arte acaba manifestando muito dessa angustia, justamente por ser realizada por pessoas sujeitas a tais pressões, incertezas etc..... Nesse sentido, em muitos momentos nós encontramos na arte, alento, representação e as vezes mais angustia.

    Artistas lidam com esses elementos existênciais de diversas formas. Como escritor lido com essas questões diariamente e sou afetado constantemente por elas. Como alguém que ama o trabalho que faz, a arte que faz, luto constantemente com essas questões para absorver e transformar essas angustias em novos textos que ora provoquem, ora questionem, ora ofereçam alento e ora perturbem. Me vejo, de certa forma, como um catalisador dessas angustias e em determinados momentos como um refletor, as vezes como um filtro e as vezes como uma esponja. Quando se expõem e se abre para esse misto de sensações, se está sujeito à diversas reações emocionais, psicológicas e até físicas.

    homem lembrando-se de sorrir, no último segundo
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    Por que quando estamos tristes tentamos ouvir uma música animada? Por que quando estamos tristes escutamos uma música ainda mais triste? Por que gostamos tanto de comédias românticas ou de dramas? Por que gostamos de obras de arte que contenham um tom questionador? Entende? O modo como consumimos arte, de forma ativa, muitas vezes ou quase sempre é direcionado pelo nosso estado emocional e psicológico. Outra vez, as reações são várias para vários estímulos e lembrando da pessoalidade de cada ser, não há como encontrar uma regra que consiga colocar-nos todos num mesmo ponto. Nisso a arte e as pessoas são iguais.

    As pessoas reagem aos estímulos de formas diferentes, bem como a arte possuí suas várias interpretações.

    Há pouco mais de um ano eu conheci Susano Correia, um artista extremamente talentoso que consegue trabalhar muito bem em sua arte, todos esses dilemas e questões que caracterizam a existência humana. Eu não conheço Susano intimamente, mas julgando pela minha própria experiência como escritor, acredito que essas questões e dilemas façam parte da rotina dele de forma bastante marcante. Talvez ele goste de enfrenta-las, talvez seja “assombrado” por elas, talvez seja confrontado vez ou outra por essas incertezas e medos naturais da vida. Isso é só uma especulação, evidentemente. Não tenho como saber de onde vem sua inspiração, mas com base nas obras que conheço do artista, fica claro esse fenômeno de reflexão, de provocação e de expiração.

    Quando vejo uma obra de Susano sempre me questiono sobre a natureza dessa inspiração ou sobre quais questões guiaram esses traços marcantes e formaram essa obra que muitas vezes carrega dor, carrega uma busca por auto compreensão, carrega ansiedade ou arrependimento. Penso sobre isso, porque quando sinto que há uma história a ser contada, sempre consigo chegar a um ponto inicial, consigo encontrar um lugar onde essa história surgiu. Seja de um fetiche, de um medo, de uma ansiedade, do passado ou de uma especulação sobre o futuro. Sempre há um ponto de nascimento da ideia, um ponto onde a inspiração se apoia para florescer e pensando no trabalho de Susano, esses pontos sempre parecem ser tão interessantes quanto a própria obra em si.

    Pensando sobre o trabalho de Susano, esse elemento introspectivo e humano se mostra recorrentemente. Quando penso nas inúmeras obras que promovem uma reflexão sobre o homem mergulhando em si mesmo, o homem olhando para si próprio, o homem se quebrando para se encontrar, esse caráter extremamente introspectivo no trabalho de Susano fica evidente, e aqui a arte surge outra vez como uma manifestação existencial, o transbordar de questões e angustias, que possivelmente não afetam o artista diretamente, mas que ele, sabiamente, consegue expor com naturalidade e doçura, expondo justamente essas ânsias e muitas vezes nos expondo ao ridículo com uma obra cheia de sarcasmo e humor.
    homem preso do lado de fora de si
    homem preso do lado de fora de si

#aforismovisual #revistak7 #drawing #pencildrawing #sketch #psicanalise #psique #filosofi

    A existência é uma grande confusão, não temos grandes certezas e se eliminarmos deus da partida, não nos resta nada além da morte. De certa forma, esse pensamento é aterrador e de certa forma bastante libertador. Pensando em como somos o tempo inteiro cercados de uma infinidade de variantes, enxergamos a existência de formas diferentes a cada dia. Não que tenhamos fé num dia e noutro não, mas enxergamos a existência de uma forma positiva e negativa a cada dia, a cada novo contato, a cada nova interferência externa sobre nós. O Ser Humano, quase pressupõe essa maleabilidade, principalmente quando pensamos na natureza dos afetos e sentimentos. De como nos enchemos de esperanças por nada e nos decepcionamos por nada, ou em outro momento somos quase impassíveis de sentimento. O que isso tudo significa é que basicamente somos seres em constantes mutações, mantendo um padrão de existência por momentos ínfimos. Mesmo que tenhamos personalidade, caráter e uma forma regular de se mostrar ao mundo, na realidade não existe um padrão existencial sincero. Quando olhamos para dentro de nós mesmos, raramente encontramos os mesmos elementos dispostos da mesma forma.

    Quando pensamos no “personagem” criado por Susano, o homem que protagoniza a maioria de suas obras, talvez encontremos um retrato extremamente sincero da nossa existência sob a pele. Há sempre melancolia nos olhos, um estado de ansiedade constante, pela próxima crise ou pela próxima alegria. E eu amo que esse homem não tenha a nossa força exata, mas que possua essa deformidade que causa estranhamento. É quase como se Susano, conhecendo a natureza provocativa de sua arte, nos desse um elemento de respiro, algo que talvez, num primeiro momento, causasse um distanciamento do homem que está se destruindo para se encontrar. Entende? Como se esse estranhamento tivesse como objetivo nos dar um respiro, diante da provocação que há na arte e diante das nossas próprias projeções e angustias.

    Mas ainda sobre o homem e sobre essa deformação em sua cabeça, eu gosto de pensa-lo como uma representação do nosso interior. As vezes até penso que as obras de Susano são sobre o interior de um homem que exteriormente é “normal”, digo, não teme esse formato triangular no topo da cabeça. Penso que Susano retrata em sua arte o que vê com seus olhos que enxergam sob a pele, algo como a representação das emoções e pensamentos. Das dúvidas, descrenças, esperanças, medos e angustias.

    Outro elemento de introspecção que me fascina na obra de Susano, é que em quase todos os seus trabalhos que tem o homem como “protagonista”, há um foco artístico e reflexivo na cabeça do homem e no peito do homem. Quase nunca vimos em seus trabalhos o homem de corpo inteiro, dos pés à cabeça. Penso eu que isso se deva justamente a entendermos o coração e a mente como a sede desses questionamentos existenciais, angustias e dores. É no pensamento que ocorrem as batalhas sobre quem somos e quem queremos ser. É o coração que tapa a garganta na angustia, é o coração que bate acelerado durante uma paixão, é o coração que se parte quando um relacionamento termina.



    homem procurando um lugar para se esconder de si, em si

    A obra de Susano é extremamente introspectiva em si mesma, nos traços, na ideia, na representação, mas como se isso não bastasse, há ainda mais da sensibilidade desse artista talentosíssimo transbordando em nossa direção. Quando você observa a obra e começa a tecer suas impressões, lê a legenda e fica ainda mais tomado por essas reflexões profundas, provocadoras e sobretudo belas, porque com poucas palavras Susano descreve sua obra, dando-nos uma interpretação quase óbvia, mas que disposta de forma simples − sempre simples −, com letras minúsculas, discretas e diretas, não nos roubam a graça da arte e a liberdade de a enxergarmos como bem quisermos, mas deixam um elemento poético bastante sutil.

    Outra vez digo que não o conheço intimamente, logo essa reflexão e esses pensamentos não passam de especulações e impressões pessoais de sua obra. Mas, partindo para o final, vejo-me quase sempre diante dessas mesmas questões existenciais que por vezes acabam por ditar nosso ritmo. Quase sempre me vejo diante delas na hora de escrever, quando encaro a página em branco do word, quando estou no banho ou quando vejo uma nova obra de Susano. Confesso que gosto de todas essas questões, até por ter durante quase três anos aberto mão completamente dessas reflexões. Confesso também que sou muito afetado pelas respostas que dou a essas perguntas. A existência continua não sendo fácil, mas entre negar a reflexão e aceitar uma existência vaga e vazia, escolho a dor e as crises, pelo tesão de pensar, pelo tesão de escrever, pelo tesão de me sentir extremamente humano quando me entristeço, quando estou melancólico e principalmente quando estou feliz, porque na felicidade enxergo-me tendo ótimos momentos de respiro e então aproveito esses momentos como uma criança inocente, valorizo-os ainda mais.

    Susano é um dos artistas mais fascinantes que conheço, um dos melhores do Brasil. Recorrentemente me debruço sobre seu trabalho para aprender, para apreciar e para refletir sobre nossa existência confusa, mas real e intensa, parafraseando Mano Brown.

    eu transbordo eu

    Espero que a obra de Susano também converse contigo. Espero que tenha gostado do texto e da reflexão. Espero seu comentário, para conversarmos ainda mais sobre essas questões.

    Um abraço e até a próxima. Boas reflexões existenciais a todos.

    Redes Sociais do Susano:

    Facebook do Susano
    Twitter do Susano
    Site do Susano

    Enfim, infelizmente não tenho nenhum de seus livros, então conheçam melhor o trabalho dele e comprem suas obras, porque não resta duvida de que vale muito a pena.



    homem com profunda sede de si

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    A 2º Guerra é um tema bastante abordado na cultura pop. Hollywood já dissecou a grande guerra de diversas formas e ainda assim, existem milhares de histórias não contadas. Nós poderíamos ficar horas citando filmes que se passam durante o período, sejam filmes que mostram o combate, sejam filmes mais políticos do que de ação, sejam filmes que mostram o país enquanto o combate está acontecendo, enfim, as abordagens são variadas e retratam a guerra de diversas formas, de perspectivas mais emocionais e pessoais, a perspectivas mais universais e culturais. Estou fazendo essa introdução toda, para mostrar como o tema da guerra é recorrente na cultura pop, para mostrar como existem histórias, momentos e visões diferentes sobre os fatos.

    Five Came Back, é um documentário original Netflix, que enxerga a guerra através do Cinema. Mais precisamente, através da vida de 5 cineastas fantásticos, que faziam muito sucesso na década de 30, mas que abriram mão da sua comodidade para auxiliar seu país e relatar, através do cinema, os horrores da guerra e usar da arte cinematográfica para impulsionar, encorajar e tranquilizar o povo americano. Esses diretores são: John Ford, Frank Capra, John Huston, William Wyler e George Stevens, todos nomes renomados e adorados pelo público, mas que foram para a Guerra e acompanharam a ação com suas câmeras – muitas vezes estando, literalmente, no meio da ação.

    O Cinema passou a exercer um papel fundamental durante a 2º grande guerra. A Máquina de Propaganda Nazista trabalhava a todo vapor, propagando os ideais de Hitler. A Itália também trabalhava muito bem a imagem de Mussolini, e naturalmente os Americanos precisavam produzir suas obras sobre a Guerra. Muitos filmes foram feitos durante o período. Os diretores e suas equipes filmavam o que era possível, editavam muito rapidamente – quando era possível – e enviavam para ser distribuído em solo americano. Mas, um ponto muito importante nesse período, é a utilização das animações para informar, divertir e encorajar os soldados americanos. Em algum momento no começo da guerra a Disney esteve presente e posteriormente a Warner Bros, produzindo animações que ridicularizavam Hitler e Mussolini, e por consequência acabavam dando uma injeção de ânimo e um alívio para os soldados aflitos.

    Havia também uma preocupação muito grande com a “demonização” das nações “adversárias”. Hitler era o inimigo, não o povo alemão. Então esse era um ponto que sempre acabava entrando em discussão, porque evidentemente, quando você mostra o bombardeio de Pearl Harbor, feito pelos Japoneses, no ímpeto de contra-atacar, fica muito difícil distinguir a liderança, do povo. Nesse período, essa era uma das maiores preocupações, tendo em vista que a guerra um dia acabaria, e era importante que os Estados Unidos, como “defensores da vida e da liberdade”, não fossem responsáveis por perpetuar novas segregações (Apesar de dentro do próprio exército, haverem certos problemas com os soldados negros).

    Five Came Back, é baseado no livro de mesmo nome, e nos oferece uma visão muito interessante sobre como o Cinema foi importante durante a guerra e como o Cinema e os cineastas foram transformados durante, e depois da guerra. Francis Ford Coppola, Steven Spielberg, Paul Greengrass, Guilhermo Del Toro e Lawrence Kasdan, são entrevistados e fazem comentários sobre as experiências dos 5 diretores supracitados, além de fazerem comentários sobre a sua própria experiência com os filmes originários da guerra e do pós-guerra.

    Spielberg, um dos entrevistados no documentário, sem dúvida alguma foi muito impactado por esses filmes de guerra. Hoje, quando pensamos em Spielberg, naturalmente nos lembramos dos filmes fantásticos que fez retratando a guerra, a título de citação, A Lista de Schindler, O Resgate do Soldado Ryan, Cartas de Iwo Jima, etc...

    Muitos filmes relatam como os homens voltaram da Guerra, transformados e muitas vezes até transtornados. Alguns nunca conseguiram sequer se recuperar. Os horrores da Guerra voltavam para assombra-los e eles simplesmente não conseguiam mais se desligar daquele momento. Outros voltaram e encontraram suas famílias e imediatamente viraram a chavinha, voltaram ao trabalho e ignoraram o background. O Documentário mostra muito bem a transformação desses 5 grandes diretores. É interessante ver como todos eles, apesar de terem tido muito sucesso na indústria antes da guerra, só realizaram suas obras primas, depois da guerra. É interessante pensar que todos eles passaram a fazer filmes muito mais humanos e sensíveis. Capra, por exemplo, um ano depois do fim da guerra, lançou “A Felicidade não se compra”, um dos filmes mais adorados e poderosos da história, William Wyler “Os melhores anos das nossas vidas” etc....

    O Documentário “Five Came Back”, é dirigido por Laurent Bouzareau, narrado por Merly Streep, e nos conta a história da segunda guerra através da vida de 5 grandes diretores, John Ford, William Wyler, George Stevens, John Huston e Frank Capra. Spielberg, Del Toro, Coppola, Greengrass e Kasdan são entrevistados, nesse documentário de 3 episódios, que segue a estrutura básica de primeiro, segundo e terceiro ato, discorre com fluidez, ano a ano da guerra, numa montagem ágil e gostosa de acompanhar. É um ótimo material sobre a Segunda Guerra Mundial, e um ótimo material sobre o Cinema. Um Original Netflix, realmente bom!
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    Vozes ao norte opinam:
    ‘’Menino,
    Vá para o velho Oeste
    Busque ouro,
    Veja o sol nascer a Leste,
    Faça algo que preste!’’
    Vozes ao sul deduram:
    ‘’Vitimista social,
    Pseudo-artista,
    Quer ascensão pessoal
    E não crê em meritocracia?
    Deve ser petista!’’

    No centro deste distúrbio cardeal,
    Entrego-me a divergência
    Foda-se o ideal
    Quero viver, mas sem a urgência dos sabidos... Iludidos!

    Tais caminhos ditos pelos malditos
    Supostos peritos e eruditos 
    Que afirmam saber o que é necessário para viver,
    Suspeito de cada sílaba e pago pra ver,
    Afinal,
    Num passeio qualquer,
    Arrastando-me pela calçada
    Em cada passo vejo um humano abatido,
    Cansado as sombras do sol do edifício
    Vivendo de sobras a sós, eu sei, é difícil!

    Neste apocalipse cognitivo na cidade grande 
    Faça o contrário do que diz essa gente grande 
    A chance de dar certo, eu prometo, é grande
    São todos zumbis comedores de cérebro,
    É sério, 
    Atente-se no que eu digo:
    Amigo, 
    Teu talento é grande, por isso querem te almoçar
    Pode apostar 
    E se me questionar
    ‘’Por que não se comem entre si?’’ 
    Respondo rápido pra ti:
    Morto come carne viva, 
    Inveja é o tesão dessa espécie pífia
    Mas lembre-se:
    Você não está sozinho!
    Tente outra vez,
    Esse é o caminho,
    Não desista, 
    Tente mais uma vez,
    Insista em viver...
    Pague o preço dessa tal lucidez!

    Um poema de Gustavo Pauletto
    Continue Reading


    Desejos banais,
    Individuais,
    De folga, 
    Na moda,
    Dormir tarde,
    Gozar de madrugadas fatais e imorais,
    Como aquela bela mulher que te fez sofrer
    Mas hoje, não mais!

    Dançar desempregado,
    Amar desenfreado,
    Observar o fim do mundo,
    Imundo,
    Pela janela do apartamento ao lado
    Em delírio,
    Tal De Niro em táxi
    Onde nada é normal
    E irreal é o dólar almoçando o real
    Diante do nosso quintal

    Mas hoje é festa...
    Em meio aos escombros,
    Barulhos, putas
    Amigos, parceiros 
    Plantaremos flores sob o caixão do presidente queimado
    Ao vivo,
    Transmitido e narrado por Galvão Bueno,
    Que vive em Miami, de sobrenome espanhol
    Espetáculo mundial
    Felicidade Brasileira
    De um jeito
    Ou de outro
    O hexa é nosso, Deus queira!
    Continue Reading

    Denoto minha melancolia
    A base de Bukowski
    Em coma, 
    Acordei quando lia
    As notas de Dostoiéviski
    Que dizem:
    Bêbado não bebe, traga
    Bem,
    Traga-me whisky
    Para que eu lhe apresente
    O estrago
    De um trago
    Tão potente
    Quanto seu decote
    Bem direto
    Como no boxe:
    Esquiva-te
    De toda desgraça
    Sem chance pra nocaute
    Seja Goethe enchendo a taça
    Vender a alma e sonhar
    Ainda são de graça.
    Continue Reading

    Prazer,
    Cozinho em banho Maria
    Um desejo de espanca-la
    Deixa-la em vertigem
    Um murro na tua costela
    Virgem
    Cuja miserável carne carece
    (me parece)
    D’um pulmão perfurado
    Jorrando vinho
    Para que tu vivas a vida real,
    Infeliz!
    Sinto teu sabor apático
    Submissa tal tango em Paris
    Contudo, nada mal.

    Carência é o pecado da carne, irmão
    Você pecando é meu irmão,
    Não?
    Logo te devoro,
    Pecante maldito
    Confesso o incesto
    Somos malditos!
    Sem lástima.
    Não,
    Não é a última, 
    És minha eterna refeição
    Cento e ceio
    Tua alma desprezível
    Carnívoro e insensível
    Entre porcos e vacas 
    Janto com as mãos.


    Autor: Gustavo Pauletto
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    Como Corintiano confesso estar um pouco aliviado com o resultado final da partida. Aos 30 minutos do primeiro tempo, disse ao meu irmão: "Parece que já estamos há 1 hora sem tocar na bola.". A equipe Chilena veio para São Paulo com uma estratégia interessante e digna de aplausos. É o que cobramos o tempo inteiro dos times do futebol brasileiro, CORAGEM! 

    Tudo bem, eles pagaram caro por sua Coragem, mas à tiveram. Decidiram manter o padrão de jogo. Posse de bola, troca de passes, poucas bolas rifadas, muitas invertidas de jogo. O time chileno foi efetivamente perigoso em poucos momentos, é verdade, mas em alguns momentos do primeiro tempo, chegou a ter 70% de posse de bola. Jogando fora de casa! Se o Corinthians não tivesse encontrado o gol no fim do primeiro tempo, talvez tivesse sofrido durante todo o segundo tempo. SE, eu sei. 

    Defesa sólida: O Corinthians tem tido boas defesas há alguns anos e o atual time mantém o padrão.
    Pablo é uma grata surpresa e forma uma boa dupla com Balbuena no centro da zaga. Ambos tem bom jogo aéreo e fazem o simples (Zagueiro zagueirando).

    Arana tem jogado muito bem, talvez seja o principal jogador da equipe no momento, tanto no ataque quanto na defesa, tem sido regular. Fagner é um jogador seguro, não há muito o que falar. Está na seleção e é regular.
    O volante Gabriel não caiu atoa nas graças da torcida. Tirando as faltas idiotas que faz, Gabriel tem jogado muito bem. Rouba bolas com facilidade, está sempre próximo dos armadores adversários, é rápido e raçudo. Sem contar que  tem boa saída de bola.

    É claro que a solidez defensiva do Corinthians, não se deve à esses 5 jogadores. Há claramente uma ordem aos 11 jogadores. Romero marca, Jadson marca, Jô marca. O time suporta bem a pressão e sabe jogar acuado. Eespecula bem nos contra-ataques e ontem poderia ter matado o jogo no contra-ataque puxado por Jô.
    Mesmo tendo essa herança defensiva de alguns anos, é preciso valorizar o trabalho do Carille nesse sentido.
    É bonito? Não muito. É efetivo? Tem sido!

    Foi um jogo duríssimo aqui no Brasil e sem dúvida será ainda mais difícil no Chile. A Univ. não terá nada a perder e jogará em casa, diante da sua torcida. Imagino que multiplicarão suas tentativas ofensivas e cederão contra-ataques assim como fizeram no segundo tempo de ontem. Se a defesa manter sua regularidade, o Corinthians pode se utilizar de contra-ataques como fez contra o Palmeiras na Arena.

    O Corinthians fez uma boa partida no geral. Jogos por campeonatos eliminatórios tendem a deixar os jogadores mais nervosos, ontem eles não deixaram isso aparecer. Foram seguros e regulares, talvez sejam essas as palavras que definam esse time até agora. É seguro e regular. Não faz muitos gols, mas também não toma muitos gols. É assim que se joga campeonatos desse tipo. Defesa forte e efetividade no ataque.

    O Corinthians ainda não está classificado, mas o resultado de ontem foi incrível.

    Cássio: 7 - Fez uma boa defesa enquanto o jogo ainda estava 0x0.
    Léo Príncipe: 7 - Não me agrada no geral, mas ontem foi bem na marcação.
    Balbuena: 7 - Passou tranquilidade como capitão no jogo de ontem.
    Pablo: 7 - Foi seguro como tem sido até aqui.
    Arana: 7 - Fez mais uma boa partida. Avançou bem em alguns momentos e foi bem na marcação.
    Gabriel: 7 - Mais um bom jogo. Cuidou bem do centro do ataque Chileno. Mas tomou outro cartão por uma falta boba.
    Rodriguinho: 7 - Não fez uma boa atuação no geral. Tudo bem, ele fez o gol e arrancou bem com a bola em um ou dois momentos, mas precisa-se de mais dele. Organizando o time no meio junto ao Jadson.
    Maycon: 8 - Gostei muito da partida de ontem. Participou de quase todas as saídas de bola do Corinthians, ocupou espaços e jogou bem junto ao Arana. Na marcação foi incansável.
    Jadson: 8 - Apesar de não ter começado bem a partida, conseguiu se encontrar. Carille o mudou de lado e então passou a jogar muito bem, pela direita e pelo meio. Fez um belo gol de fora da área. Tem evoluído tecnicamente.
    Romero: 7 - Fez um jogo tático. Foi importante enquanto esteve pela direito junto ao Léo. Ajudou o garoto que não vinha atuando bem.
    Jô: 7 - Fez em diversas oportunidades um belo trabalho de pivô. Ganhou muitas disputas aéreas. Teve uma boa oportunidade em uma bola enfiada pelo Jadson. No geral foi uma boa atuação. Melhorou muito fisicamente.
    Carille: 9 - Em seu primeiro jogo internacional como técnico efetivo do Corinthians, Carille pareceu entender bem o ritmo do jogo. Do meio do primeiro tempo até o fim do jogo, soube dosar o ritmo do time. Começou se segurando, deixando os chilenos com a bola e depois passou a ocupar os espaços e manter mais a bola. Eu falei de coragem no começo, e ontem suas substituições foram surpreendentes. Colocou Clayton, que teve uma boa chance de ampliar o placar. Pedrinho e Camacho. Nenhuma substituição defensiva como vinha fazendo. Percebeu que o adversário estava exposto e tinha se mandado ao ataque. Foram ótimas alterações.

    No geral, acho que foi um resultado merecido. Mesmo enquanto esteve sem a posse da bola, o time não tomou grandes sustos. Soube se comportar e foi efetivo. Domingo o Corinthians enfrenta o Botafogo de Ribeirão em casa. A expectativa é que a equipe demonstre um futebol mais ofensivo. Não se pode jogar contra o Botafogo como se jogou ontem. É hora de atacar e impor o jogo!

    Enfim, espero que gostem desse novo pedaço do blog. Não falarei apenas do Corinthians, mas na maioria das vezes sim.


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    A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, óculos e close-upJúlio Costa | Transgressor

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