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Transgressor
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    Nunca fale com nenhum deles. Faça o seu trabalho e vá embora. Não ouça nada, nem fale nada. E você diz que tudo bem.

    Você consegue não falar se quiser, mas não dá para não ouvir.

    Você está lendo um livro qualquer, pode ser um clássico ou um best-seller, não importa. Você está sentado no ônibus lendo as porcarias que aparecem na sua linha do tempo do facebook, está concentrado em perder seu tempo com aquilo, mas mesmo assim, mesmo sem querer, você acaba escutando a conversa de duas velhas no banco da frente. Então você tenta não prestar atenção, mas Márcia não deixa a velha ver o neto. Você tenta se concentrar, mas o filho da outra velha arrumou um novo emprego.

    Você consegue não falar, mas não dá para não ouvir.

    Não ouça nada, nem fale nada. Ela insiste em repetir.

    Eu recebo uma agenda com todos os horários, é uma nova agenda todos os dias. Me organizo e trabalho enquanto eles estão fora.

    Às sete e meia eu limpo o quarto de um deputado qualquer, enquanto ele está em alguma reunião de fachada.

    Eu sei que é de fachada porque acabei ouvindo uma conversa.

    Quando fui contratado me disseram para não falar com eles. A secretária me disse que se eu trabalhasse bem, me indicaria para outras secretárias. Ou seja, se eu fosse um bom funcionário limparia o banheiro de outros deputados, senadores e quem sabe o banheiro do presidente, talvez desentupisse a privada de algum deles!

    Não deve falar com eles, nunca! Ela diz.

    Quando a primeira secretária me entrevistou, eu achei que eles fossem os meus patrões, mas depois entendi que eles não eram somente eles. Quero dizer, não ouça nada, mas é claro que ela sabe que você vai ouvir, então não fale com eles. Com os jornalistas, com outros empregados, com sua família.

    Você aproveita uma reunião aqui, um almoço ali, alguma votação à tarde e no fim do dia você limpou vários quartos.

    Quando a entrevista termina a secretária te chama e fala um pouco sobre o seu novo chefe. Talvez você encontre alguma coisa diferente eventualmente, ela diz. Você ganha mais dinheiro por limpar essas coisas que eventualmente estarão em algum canto do quarto. Eventualmente.

    Ela segura você pelo braço e te olha nos olhos. Diz que precisa confiar em você. Confiar que você vai manter segredo caso encontre alguma coisa diferente.

    Então você arruma a cama. Organiza o quarto. Tira o lixo do banheiro. Tira o pó dos móveis. Aspira o carpete. E sempre encontra uma coisa diferente.

    Você pode ligar o rádio, mas não muito alto. E sempre vai ter de deixar o seu celular na recepção. Eles não querem que você tire foto de algo diferente.

    A entrevista já acabou. Ela já fez suas anotações, mas continua falando. Agora a conversa é por meio de sussurros.

    A sala está vazia, ela está sozinha com você, mas continua sussurrando.

    O peso, a responsabilidade sobre eles é enorme. Você entende, não é? Respondo que sim, na verdade só balanço a cabeça. O dia é longo e cansativo e eles precisam relaxar, não é? Balanço a cabeça de novo. Imagine só? Representar milhares de pessoas. Representar um país! Consegue imaginar? Balanço a cabeça dizendo não.

    É por isso que você precisa limpar tudo no outro dia. Eles chegam cansados e precisam relaxar. E você precisa limpar tudo.

    A entrevista terminou há vinte minutos. Eu fui contratado, mas a conversa continua.

    Você encontra um pó branco na pia do banheiro. Você encontra o pó branco na mesa de centro. No criado-mudo. É um teste, então você limpa tudo.

    Você encontra camisinhas cheias, escorrendo pelo carpete. Você encontra calcinhas jogadas no box do banheiro. Você encontra tufos de cabelo caídos ao pé da cama. Você é de confiança, então limpa, organiza e joga o resto fora.

    Você pode continuar ouvindo Raça Negra, desde que seja bem baixinho.

    Toda dengosa...

    A secretária diz que está muito contente com seu trabalho, diz que você é o melhor que já tiveram e que foi muito triste o fim dos outros empregados. Ela está te elogiando ou te ameaçando?

    Você passa por outra entrevista. Um outro deputado qualquer. Essa secretária faz perguntas sobre sua família, como se eles já não soubessem, certo?

    Você escuta que o partido está planejando uma manobra política para fugir de algumas investigações, mas você não está lá. Não pode estar lá. Você escuta no corredor, quando cruza com duas secretárias, mas é invisível e surdo.

    Elas te olham e você já sabe. Se falar com alguém sobre isso....

    Você sabe que está crescendo na profissão, que está sendo reconhecido. Você passa a limpar o quarto de um senador. É o topo, você imagina.

    Você tira o pó das simples molduras de plástico com fotos de família. Você tira camisinhas usadas que estão boiando na água do vaso sanitário. Você amarra e joga tudo no lixo.

    Você escuta que o partido está tendo dificuldades. A imprensa está caindo matando em cima de um dos líderes do senado. Você torce para que não seja o seu senador.

    Pela manhã você limpa o quarto de seu primeiro deputado e encontra uma dúzia de carreiras finas e longas, intocadas.

    A secretária diz que ele precisou sair muito cedo.

    Você decide cheirar uma delas, mas limpa as outras.

    Você trabalha com prazer, é um bom emprego. São homens bons. Fazem o que fazem, pelo bem do povo.

    Consegue imaginar o que é representar milhares de pessoas?

    Eles precisam relaxar, é muita pressão, sabe?

    Precisamos compreender, o Brasil não anda bem das pernas.

    Parabéns, ela diz quando você completa seu 4º ano como faxineiro. Já acumula três quartos. Dois grandes senadores e um promissor deputado.

    O capitalismo reconhece quem trabalha.

    Você ganha bem e o pó que eles cheiram é do melhor que existe.

    Você não vê mais sua família e agora você sonha que o seu Senador vence a eleição. Você sonha com isso.

    Ele aparece no meio da manhã e te encontra com o nariz atolado na mesa de jantar. Ele pigarreia e você se vira com o nariz branco.

    Você já trabalha pra mim há 3 anos, ele diz. Você responde que trabalha a 4 anos e 3 meses. Ele diz que isso é muito bom, e você apenas balança a cabeça, indicando que sim e limpa o nariz, é claro.

    Ele coloca a mão nos bolsos de dentro do terno e tira um saquinho lacrado. É o mesmo pó branco.

    Eu acabei de conseguir essa, ele diz. Você quer? Ele está oferecendo.

    Você diz que está trabalhando, está limpando. Ele diz que isso é besteira, vamos uma só. Uma de cada, ele insiste.

    Ele despeja o pó e organiza a carreira em uma linha reta e fina, tão bem-feita. É lindo de se ver. Se o próprio Deus decidisse fazer uma carreirinha para você, ela seria perfeita como aquela.

    Eu acho que vou ganhar, ele diz. E você pergunta, ganhar o que, tomando cuidado para não soprar o pó para todo o quarto.

    A eleição, ele responde.

    É claro que vai, você diz se preparando para aspirar tudo.

    Você passa no corredor por outros faxineiros, alguns que estão há mais tempo que você no negócio. Eles não gostam de você.

    Você agora está ajudando o senador a transferir suas coisas para o Palácio da Alvorada. Eles não podem suportar isso.

    Você ganha novos materiais de trabalho. Um aspirador que não faz barulho. Uma vassoura com suas iniciais em pequenas pedrinhas brilhantes, e sempre tem uma carreira perfeita em um espelhinho debaixo da cama do presidente.

    Dá pra acreditar? Ele faz uma carreira toda manhã, para você. Ele é o presidente, mas faz uma carreira para você. Especialmente para você.

    E você trabalha para o presidente da república.

    Você é amigo do presidente da república.

    E você já não escuta mais nada e quando escuta sabe a quem deve contar.

    Ele é generoso, sabe?

    Sempre vale a pena.

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    Eram três da tarde e Valdo já estava em pé no ponto de ônibus há quase 40 minutos.
    − Essa porra não vai chegar nunca? – Ele resmungou para si mesmo.
    − É a greve. – Respondeu uma senhora de pele leitosa e fios de cabelo tão brancos quanto se é possível.
    − Foda-se a greve.
    A velha não respondeu.
    Dali, Valdo tinha como enxergar a rua toda e não havia nenhum sinal do ônibus. O valor do Uber estava na casa dos 30 mangos.
    − Pro inferno com isso! – Resmungou.
    O ônibus deu as caras virando a esquina lá embaixo. Dois pontos de ônibus vazios estavam entre Valdo e aquela lata de sardinha com rodas.
    O Sol estava no topo do céu, queimando tudo sob ele, inclusive Valdo e aquela pobre senhora.
    − Boa tarde. – Disse o motorista.
    − Vai se fuder.
    Quando se sentou, sentiu a camiseta grudando nas costas e as costas grudando no banco. Uma daquelas sensações que devem ser piores que a própria morte, mas que nos acostumamos a sentir, de forma que já não nos incomoda mais. Pelo menos não parece incomodar os outros, Valdo ainda tinha vontade de se jogar na frente do ônibus sempre que o via se aproximando.
    Tirou “O Grande Gatsby” da mochila, colocou os fones e torceu para que o motorista estivesse em um daqueles típicos períodos de depressão, uma daquelas fortes o suficiente para o fazer acelerar feito um louco em direção à um poste ou carro na contramão.
    − Oi Val. É.... Posso sentar? – Era Mariana, uma velha amiga.
    − Tá. Senta aí.
    − E então, quanto tempo, né?
    − Olha, eu não quero ser rude, mas vou ler e ouvir música e nós não vamos conversar. Não precisa se dar ao trabalho. – Ele colocou os fones outra vez e abrindo o livro, deu fim àquela que seria mais uma conversa chata, sobre faculdade, trabalho e relacionamentos. Mariana era uma garota bonita, mas sempre conversava sobre as mesmas coisas. Valdo já tinha escutado essa conversa outras vezes e, em outras semanas, talvez até tivesse topado ouvir outra vez, mas não naquele dia.
    Deviam faltar 5 minutos para o terminal da cidade. O ônibus estava cheio, e uma velha estava em pé ao lado de Valdo. Seus braços eram gordos e flácidos e suas pernas finas pareciam formar um arco sob o peso do enorme corpanzil idoso e cansado da velha.
    Os olhos de censura logo encontraram alguém para julgar. Aquele mesmo olhar de juiz, que nós adoramos usar para identificar nossos próprios erros nos outros.
    Valdo continuou sentado. Mariana estava dormindo.
    Levantou os olhos da página e a velha parecia estar sumindo aos poucos, perdendo-se junto ao ar quente e disputado do ônibus. Seus olhos se cruzaram por um minuto, e Valdo sussurrou para ela:
    − Eu não vou levantar, porque eu sei que você quer provar para todos esses filhos da puta que você consegue ficar em pé, que você pode suportar as lombadas e os buracos e até as freadas bruscas.
    Seu encontro da semana era uma bela garota ruiva, com piercings, calça de cintura alta e camiseta de “Star Wars”, − Eu já estou te esperando há trinta minutos. – disse assim que o viu.
    − Vai tomar no cu. – Valdo deu meia volta e entrou no ônibus outra vez.
    Olhou a garota pela janela e a viu com aquela expressão vaga e confusa.
    Era bonita, muito mais que Mariana jamais seria, mas em sua testa estava escrito em letras garrafais: Sou chata pra caralho.
    Valdo não conseguiu o mesmo lugar em que sentara na vinda. Aquela velha havia se acomodado, e esticava os dedos das mãos e as pernas, como se tentasse relaxar as juntas enferrujadas que foram sobrecarregadas se segurando no ferro superior do ônibus. Ele só conseguiu um lugar no último banco, exprimido no canto. O ônibus parecia ter mudado de destino, apesar do letreiro frontal apontar “Éden”. Haviam tantos velhos que o destino certo era o asilo. Mas, deixou que o pensamento fosse embora, um dia também seria velho e provavelmente outro jovem idiota teria os mesmos pensamentos ao seu respeito. Não que isso importasse, mas a vida já estava bastante chata para se doar tempo, pensando sobre velhos, asilos e transporte público. Pelo amor de Deus.
    Começou Olsen Olsen, Sigur Rós e pronto, era isso.
    “Dua tiga kucing berlari,
    mana nak sama si kucing belang,
    dua tiga boleh kucari,
    mana nak sama si adik seorang.”

    Você deve ter uma música que parece ser uma esporrada da vida, bem direto na sua cara. A melodia, as vozes, os instrumentos, sabe? Como se aquele som fosse mágico e te enchesse com um combustível que não pode acabar, como se aquela música fossem os leões que estão te perseguindo na savana africana, e você sabe que tem que correr, você sabe que precisa correr, Olsen Olsen.
    Valdo desceu alguns pontos depois e se sentia completamente outro. Colocou a música no repeat e ela já tocava pela terceira vez consecutiva. Havia um velho tentando subir no ônibus pela porta de trás, mas Valdo nem sequer o viu. Desceu pulando os degraus, atropelou o velho e então, correu, correu o mais rápido que pôde, correu até chegar à uma bela casa de esquina. Uma casa grande, com três andares e alguns carros na garagem.
    − Fabiiiii! – Gritou. – Fabiiii!
    Uma garota baixinha abriu a porta.
    − Ela está ocupada agora.
    − Ei, por favor. Me deixa entrar. Ela me conhece. Fala pra ela. É o Valdo. Me deixa entrar, vai. Por favor.
    − Espera ai. Vou tentar falar com ela.
    − Tá. Claro. É.... Vai lá. Eu.... tô aqui. Esperando.
    A garota se virou e fechou a porta.
    Alguns minutos depois, Fabi saiu acompanhada de um homem patético. Sapatênis, camisa social, calça desbotada, barba por fazer, aliança. Aquele tipinho fracassado de sempre, que irrita só de ver.
    − Fabi, que bom te ver. É.... nós precisamos conversar.
    − Você trouxe dinheiro? – Ela perguntou.
    − É claro, Fabi. Toma aqui, 100 mangos.
    − Certo queridinho, me dá 5 minutos pra tomar um banhozinho pra você.
    Valdo já conhecia a casa, então entrou e foi direto para o quarto.
    O lugar fedia a sexo. Aquele cheiro sufocante de suor e porra. Valdo não sabia se gostava ou não, mas não importava decidir isso naquela hora. Seu coração pulsava, e seu pau estava rijo, mas não era só tesão. Não. Era algum tipo de excitação que não tem relação com o sexo em si, era algo maior.
    Fabi entrou enrolada na toalha e começou a se secar. Secou as tetas, o rabo e a buceta. Passou creme nas pernas e borrifou perfume no pescoço e nos peitos.
    Ela estava deslumbrante, estava apetitosa, mas Valdo não queria comê-la. Não naquela tarde. Não naquele momento.
    − Fabi, eu vim te levar embora.
    − O que meu amor?
    − Eu vim te levar embora daqui. Nós vamos pra longe!
    − Ah bobinho! Como vai ser hoje?
    − Não, me escuta! Vou levar você e seu filho embora. Nós vamos pra Argentina, vamos embora daqui. Sair desse inferno.
    − Não é assim que funciona amorzinho.
    − É sim. Eu tenho dinheiro e você não vai mais precisar fazer programas. Nunca mais.
    − Você é só um garoto. Vamos deixar de papo e dar uma logo.
    − Ei. Olha pra mim! – Ele segurou o rosto de Fabi com as duas mãos, e continuou: − Fabi, eu sou apaixonado por você desde os meus 14 anos. Eu nunca vou te esquecer, e nenhuma dessas garotas consegue me ganhar. É só você. Sempre foi só você. Eu já namorei, você sabe, e mesmo assim, mesmo estando com ela, ela era linda, gostosa, porra, mas sempre foi você. Eu sempre voltei pra você.
    − Amorzinho, nunca te disseram pra não se apaixonar por uma puta?
    − E que controle eu poderia ter sobre o meu coração? – Valdo estava prestes a chorar, mas precisava ser forte para ela. – Fabi, eu nunca tive escolha. Se foi Deus, o Destino, ou o Diabo, eu não sei. Mas, tudo o que sou e tudo o que quero ser, tem relação contigo.
    − Amor. Eu acho você um docinho. Um amorzinho mesmo, mas você é meu cliente. Eu nunca quis que você se apaixonasse. Você sabe disso.
    − Fabi, eu juntei desde quando comecei a trabalhar. Meu plano sempre foi ir embora com você e te dar uma vida melhor. Sempre foi esse o meu plano.
    − Quanto você junto bebê?
    − Eu tenho 8 mil reais. –
    − Caramba docinho. É muito dinheiro!
    − Eu sei Fabi. E só juntei tudo isso por nós. Vamos começar uma vida juntos.
    − Val.... Eu tenho 31 anos, você tem 19. Eu tenho um filho. Isso não vai dar certo, é melhor você esquecer isso, ok?
    − Eu te amo Val, como nunca amei e nem vou amar alguém. Você é tudo pra mim. Desde a primeira vez em que estive aqui, e você me ensinou tudo, e me deu carinho, e amor, e paixão e tudo. Merda! Eu nunca encontrei nada disso nessas menininhas, não quero nenhuma delas, não quero.
    − Amor. Toma aqui os 100 mangos. Deixa eu tirar essa tua camiseta. Hoje você vai ficar comigo, ok? A noite toda e vai ser nossa última vez juntos. Eu quero que você pegue esse dinheiro e vá embora.
    − O que? Como assim Fabi? Não entendi. Eu não vou a lugar nenhum sem você.
    − Amor. – Ela o beija. – Amor, me escuta. Você vai pegar esse dinheiro e vai sair daqui. Esquece tudo o que você tem aqui na cidade. Eu vi num filme, que um garoto fez isso e sei lá, ele encontrou tudo o que precisava.
    − Filme?
    − É. Um filme... Como era o nome mesmo?
    − Na natureza selvagem?
    − É!!! Esse mesmo – Fabi confirmou batendo palmas.
    − Ele morre sozinho, em um ônibus, no meio do nada.
    − É, mas esquece isso. Não tô te falando pra ir pro meio do nada.
    − Fabi, eu não quero ir pra lugar nenhum sozinho.
    − Você pode ir pra Argentina, ou Chile, sei lá. Algum lugar que você precise aprender, sabe? Conhecer novas pessoas e tal
    − Eu não quero ir, Fabi. Não posso mais ficar sozinho, estou enlouquecendo.
    − Amor, eu sei que você não quer ficar sozinho.
    − Eu não aguento mais ficar sozinho. Eu não consigo mais. Não tenho nada.
    − Eu sei meu amor, eu entendo.
    − Fabi, você não sabe. Você não sabe, Fabi.
    − Acha que eu não sei? Eu cuido do meu filho, sozinha, sem o pai. Sem aquele filho da puta. Olha só pra mim. Essa é a minha vida.
    − Fabi, eu quero te tirar daqui. Vamos embora. Tudo pode mudar.
    − Val, você não precisa de ninguém. Faça o que eu te disse, e quando voltar me procure. Eu sei que você estará mais forte.
    − E depois eu volto pra você, Fabi?
    − Isso meu anjo, depois você volta pra mim.
    O corpo dela estava frio, seus mamilos rijos e suas pernas exibiam uma depilação feita às pressas. Nada daquilo importava. Valdo seria o homem de Fabi por uma noite. Valdo seria o último homem dela naquela noite. Ela se deitaria com o rosto contra o seu peito, mas antes disso, eles transariam por horas, uma atrás da outra, até que não fosse mais humanamente possível suportar a penetração.
    − Fabi, eu fui a pessoa mais sortuda do mundo quando te encontrei. Valdo disse quando ela estava sonolenta sobre seu peito.
    − Eu também meu anjo, eu também. – Fabi sussurrou, e pegou no sono.
    Valdo continuou observando-a, com o rosto subindo e descendo em seu peito. Sua pele nua contra sua pele nua. Coxa contra coxa. Os seios fartos e levemente caídos postos um sobre sua barriga e o outro ao lado, pendendo para junto do colchão. As unhas dos pés estavam metade vermelhas e metade brancas. Fabi era mulher pra ninguém botar defeito, e por mais que Valdo lutasse contra si mesmo, por mais que lutasse para ser antipático, solitário e o mais grosseiro possível, quando estava ali, quando estava naquela cama, com aquela mulher, ele não era o Valdo que manda velhos à merda, ele só era o mesmo garoto apaixonado que subiu naquela mesma cama, pela primeira vez, aos 14, sem passado, sem futuro, com nada além do presente sobre seus braços, com nada além de Fabi.


















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    Papai do céu
    Eu não consigo enxergar as cores que você jurou que eu veria
    Tudo o que vejo é escuridão. Cinza.
    Eu não consigo sentir os cheiros que você jurou que eu sentiria
    Todo o cheiro que sinto é de merda e de morte. 

    Papai do céu
    Você disse que não me deixaria, mas aqui estou. Sozinho...
    Porque partiu? 
    O mundo não é bom como você disse que seria.
    As pessoas não são boas como você disse que seriam.

    Eu sei porque você partiu!
    Eu não sou bom como você disse que eu seria.
    O Senhor errou papai. Errou.
    Tudo isso é uma droga. Você partiu porque sabe que é verdade.
    Destrua-nos. É o melhor que pode fazer.

    E o amor? Você disse que haveria amor.
    Não há. Nem um pingo de amor, é verdade.
    O Senhor disse que haveria um Inferno.
    Se ele já estiver pronto, poderia me mandar para lá. Por favor!
    Eu não quero mais ficar aqui. Esse lugar é terrível.

    Papai do céu
    O Senhor mentiu para mim.
    Não disse uma única verdade, nenhuma!
    Mas o que eu posso fazer?
    Você nos comanda com suas grandes mãos.
    É o Senhor e nós, seus bonecos.
    Brinque direito conosco. É só o que posso pedir.

    Papai do céu
    Eu estava quase me esquecendo....
    Quero te agradecer
    Por ter nos dado o Sexo
    Por ter nos dado o Álcool
    Por ter nos dado as drogas

    Obrigado, Papai do céu!
    Aliás, pode esquecer todo o resto.
    O Senhor é bom! Claro que é!
    Obrigado por toda a nossa devassidão, libertinagem, prostituição, luxúria, vício, sensualidade, tara, tesão.
    Eu te amo papai do céu!

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    Meu nome é Beatriz, mas sou carinhosamente chamada de.... Vadia.
    Meu nome é Mariana e sou comumente chamada de puta.

    Você não namoraria comigo, porque sabe que minha boca já passou por alguns caras.
    Você não namoraria comigo, porque sabe que não sou virgem.

    Eu sou o tipo de garota que você não quer perto do seu filho.
    Eu sou o tipo de garota que você acha que vai ficar grávida aos dezessete.
    Eu tenho uma vagina.
    Eu tenho uma vagina.
    Mas ela não é minha, não é.

    Se você pedir para a pessoa certa, talvez consiga algumas fotos da minha vagina. Eu mandei para alguns garotos.
    Talvez o banho demorado do seu filho, seja por minha culpa. Quero dizer.... Me desculpe.

    Tirando os celibatários, alguém não gosta de sexo? Até virgens gostam de sexo, você sabe disso.
    Eu tenho uma vagina e gosto de sexo.
    Entende onde quero chegar?
    Meu nome é Beatriz, mas sou chamada de vadia.
    Meu nome é Mariana e também sou chamada de puta.

    Eu conheci um cara legal. Ele era engraçado, me fez rir e era diferente. Eu quis terminar a noite na cama dele e ele também me queria lá.
    Eu namorei um cara por um ano antes de transarmos pela primeira vez.
    Não vamos namorar. Ele é legal, engraçado, mas não vamos namorar. Se eu transei com ele? Sim, muito... Algumas vezes.
    Ele terminou comigo e depois vários garotos se aproximaram de mim.... Com abraços apertados, mãos bobas e piadas.
    Eu só transei uma vez com ele. Depois de um ano. Foi o suficiente.

    Eu tenho uma vagina.
    Eu tenho uma vagina.
    Mas ela não é minha, não é.

    - Eu não namoraria com ela mano.
    - Por que?
    - Quantos caras já comeram ela?
    - Acho que vários.
    - Então mano...
    - É....

    Eu sou uma mulher, meu nome é Beatriz e tenho uma vagina.
    Eu sou uma garota, meu nome é Mariana e também tenho uma vagina.

    Você tem que se valorizar.
    Você tem que se respeitar.
    Como assim?
    Você é uma garota, não pode fazer isso.
    Você já é uma mulher, precisa sossegar.

    Seu nome é Michael e você tem um pau. É, um pinto. Ele é seu.
    Seu nome é Gustavo e você também tem um pinto. Ele é seu.
    Vocês tem um pênis, um pinto, caralho, rola, pau.
    Eu tenho uma vagina.

    Você pode comer muitas garotas, ou nenhuma.
    Você pode se masturbar, ou não.
    Você pode namorar e transar com sua namorada, ou pode contratar prostitutas.
    Fique a vontade.

    Eu tenho uma vagina.
    Eu tenho uma vagina.
    Mas ela não é minha, não é.

    Se a vontade for mutua.... Para a cama, sexo.
    Uma vez mandei fotos para um namorado.
    Meu nome é Beatriz, mas também sou conhecida como vadia.
    Meu nome é Mariana, mas também sou chamada de puta.

    Eu sou uma pessoa.
    Você é uma pessoa.
    Eu tenho uma vagina.
    Você tem um pênis.
    Eu faço sexo.
    Você não faz sexo.
    Você faz sexo.
    Eu não faço sexo.

    O seu fazer ou não fazer, precisa ser o seu fazer ou o seu não fazer. Entende?
    Quero dizer.... Fodam-se os: "Você TEM que", você não tem que fazer nada que não queira.

    Eu tenho uma vagina.
    Eu tenho uma vagina.
    Ela é minha vagina, é minha!

    O nome dela é Beatriz e ela não é uma vadia. É uma mulher.
    O nome dela é Mariana e ela não é uma puta. É uma garota.

    Beatriz não gostaria de ter uma sogra como você.
    Mariana não gostaria de namorar um cara como você.
    Engraçada, esperta, carinhosa, maluca...

    E se ela ficar grávida aos dezessete?
    E se ela fizer sexo com muitos caras?
    Com quem vai se casar?
    Quem vai querer ela?

    Mulher, porque ouço o som de correntes a cada passo que dá?

    Outra bobagem que escrevi há um tempo.

    Poucas coisas são tão belas quanto a nudez de uma mulher, quero dizer, tenha curvas, tenha ossos à vista ou tenha seus pneuzinhos.... Ah, uma mulher sempre será uma mulher...

    Quanta beleza há nos cabelos longos, nos cabelos curtos e até nas cabeças raspadas, por que não!? Lisos, crespos, cacheados.... Ah, uma mulher sempre será uma mulher....

    Os lábios grossos, finos, as bocas largas ou estreitas, às várias de cores de batom, ou os lábios nus, quanta beleza há numa mulher.... Ah, uma mulher sempre será uma mulher...

    As pernas finas e longas, as pernas grossas. As altas, as baixinhas, todas sem exceção guardam em si quilômetros de beleza e prazer.... Ah, uma mulher sempre será uma mulher...

    Os seios fartos, os pequenos, sem sutiã por favor.... Ah, uma mulher sempre será uma mulher...
    A celulite, as estrias.... Ah, uma mulher sempre será uma mulher...

    Grande pecado é fazer uma mulher não se sentir mulher!

    Mulher! Há beleza maior? 
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    Eu durmo todas as noites desejando ter esperança. Eu me deito e rezo para seja lá o que, pedindo esperança. Eu durmo querendo ter esperanças quando acordar, mas isso nunca acontece. Manhã após manhã, acordo com o mesmo vazio de sempre. Sem esperanças, sem nada.


    O ônibus está lotado às seis da manhã.
    E se essa viagem for nossa última viagem? E se esse ônibus tiver como destino o inferno? E se o motorista gordo e fedido for só um dos muitos servos da Morte? Mas por que a morte faria isso afinal? Esse ônibus é o espetáculo diário que nunca perde a graça. Um ônibus cheio de garotos e garotas sonolentos que ficaram até tarde lendo algum artigo que não entenderam, sonolentos por terem permanecido acordados noite adentro, questionando tudo o que fazem. Um ônibus cheio de garotos e garotas que passaram no corredor da morte e abraçaram a vida predefinida para eles. Pegaram o kit faculdade, casamento, filhos e caixão. Por que então a morte acabaria com isso? Esse é o espetáculo que tanto a diverte.
    Hey! Fique quieto e ouça a gargalhada da morte...

    Estou em pé no corredor, segurando a barra de ferro gordurosa sobre minha cabeça. À direita, à esquerda, atrás e à frente, estou cercado por todos os lados. Pessoas e mais pessoas, mas por que os rostos tristes? São tantos homens e mulheres formados, com seus diplomas em quadros na parede da casa de seus pais. Tantas pessoas bem empregadas, com bons salários, boas famílias, bons carros e belos cachorros.... Por que estão tão tristes, afinal? Hey! Ouça a gargalhada...

    Um ônibus lotado de velhos e velhas. Senhores aposentados, já cansados da vida, cansados do cansaço. Senhores que em seu íntimo lamentam o tempo perdido, as viagens não feitas, os amores esquecidos. Sentados em seus bancos amarelos. Bancos amarelos, isso é tudo o que eles têm. Um banco para gestantes, deficientes e velhos. Um banco é o que lhes restou. Um banco foi o que receberam, conquistaram. Um banco amarelo num ônibus lotado, esse é o sonho de todo homem? A vida é sobre isso? Sobre conquistar o seu lugar nesse ônibus para o inferno?

    O tempo a longo prazo nos matará, mas a morte para todas essas pessoas veio muito antes. Eu vi amigos morrerem aos vinte anos e continuarem vivendo. Eu vi amigos morrendo aos vinte e três anos e casando pouco tempo depois. A morte é só o apodrecimento da carne, a verdadeira morte vem quando nos rendemos e aceitamos as imposições que reduzem nossa vida à nada!

    E mesmo assim, eu continuo me deitando com o mesmo desejo. Ansiando acordar e encontrar outra realidade, outra vida. Ansiando encontrar uma vida cheia de esperanças e cor, mas como? Como é possível? 

    A cada dia que passa, quando encontro os mesmos rostos no ônibus, cada vez mais cansados e tristes.... A cada dia que passa sinto o cheiro de putrefação ficando mais forte. Empesteando o ar e apertando minha garganta com seus dedos longos e fortes. 

    A linha de montagem da morte está a todo vapor. Seus empregados já tem mais quites prontos para serem entregues. Seu filho logo receberá o seu kit. Talvez ele seja médico, ou professor, ou policial. Talvez ele tenha dois filhos, talvez três, talvez quatro. Ele não tem escolha e mesmo que ainda não entenda nada sobre isso, mesmo que não saiba o que quer ser quando crescer, ele terá de aceitar o kit reservado para ele. Sua filha no jardim de infância logo receberá o kit definido para ela. Uma médica? Advogada? Professora? Não importa. Há algo em todos os quites, algo que vem junto com a faculdade, profissão e casamento....

    Todos receberão também o seu atestado de óbito. Uma morte precoce, aos 12 para alguns, aos 16 para outros, aos 18 para os sortudos. A morte da vontade, a morte do ser, a morte da existência e o nascimento de mais um escravo da morte e das imposições. Uma precoce e triste morte, uma infeliz e longa vida.


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    Fábio era um garoto como qualquer outro. Desejava as mesmas coisas que qualquer garoto deseja.
    Queria que seu time fosse campeão. Queria estar entre as pernas de uma ou outra garota do colégio. Queria grana pra fumar e beber sem miséria, mas depois de um estupro algumas coisas mudam. 

    Fábio não é mais um garoto como qualquer outro. 
    É um garoto como alguns outros garotos. 
    Ele é um garoto como alguns outros vários garotos. Mais garotos do que você imagina. 

    Era uma noite qualquer, provavelmente uma quinta, não sei bem. Ele voltava da casa de uma namorada e não estava bêbado, nem drogado. 

    Você sabe como as ruas de São Paulo ficam quando todos os cidadãos de bem dormem? Se você não conhece vai dizer que todas estão sempre lotadas, com pessoas andando, bebendo e cheirando pelos cantos. Se você conhece sabe que não é bem assim. 

    As ruas de São Paulo são escuras e ratos se esgueiram por entre as sombras. Ratos cabeludos e dentuços e ratos de 1,80m. 
    Essa cidade é suja e os ratinhos que assustam sua mãe quando surgem no meio da madrugada na cozinha, são os menos responsáveis por essa imundice. 

    Fábio voltava sozinho para casa. 
    Fábio foi encurralado por três caras perto da esquina, há duas quadras da sua casa. 

    Os caras tinham alianças nos dedos. Não eram mendigos. Fábio viu isso quando estava caindo depois de tomar uma direita bem no queixo. 
    Os sapatos estavam bem engraxados. Fábio viu isso quando foi acertado com um chute nas costelas. 

    Fábio não teve seu celular roubado. Não teve seu tênis roubado. 
    Fábio não voltou para casa naquela noite. 
    Fábio não foi à polícia naquela noite.

    Três caras. Um depois do outro. Falaram sobre milhares de coisas. Até sobre futebol. Fábio gostava de futebol. 

    Enquanto arfavam e soltavam tudo o que tinham dentro da bunda de Fábio, eles falaram de suas mulheres. Reclamaram de suas famílias. 

    Era o terceiro e Fábio já não tinha mais forças. 
    Foi o terceiro, seguido pelo silencioso motor do Civic prata estacionado do outro lado da rua. 
    Fábio ficou no beco escuro. Os ratos o deixaram deitado ao lado de um amontoado de sacolas fedidas. 

    Um ratinho pequeno e cinza, o olhava parado do outro lado do beco. Há menos de 6m. Parecia estar com pena. Seus pequenos olhinhos esbugalhados brilhavam parados sobre ele.
    Teria o ratinho perdido algum ente querido nessa noite? 
    Talvez a esposa de algum dos ratos que foderam com Fábio, talvez alguma dessas senhoras tenha acertado uma bela vassourada em um de seus irmãozinhos. 

    Minutos passaram e o ratinho permaneceu ali. 

    Com a calça sobre os tornozelos, com a cueca enrolada sobre os joelhos, com a bunda nua sobre a mistura de areia, grama e merda de cachorro. Fábio ficou ali, junto com o ratinho. 

    Fábio não voltou para casa naquele dia. 
    Fábio sentia aquela porra escorrendo por sua bunda.
    Fábio não podia voltar para casa, não daquele jeito.

    " Essa cidade é a prova de que Deus errou " - Disse o Ratinho.
    Fábio estava meio acordado e meio morto. Sentia-se morto por dentro, mas estava acordado. Estava desperto. 

    Cinco anos passam e civic's prata continuam te enjoando.
    Dez anos passam e sua namorada nem desconfia disso. 
    Vinte anos passam e você tenta viver como se aquilo nunca tivesse acontecido.
    Trinta anos passam e sapatos engraxados ainda te lembram daquela noite.
    Trina e cinco anos passam e você enterra sua mãe. 
    Quarenta anos passam e você ainda não fez as pazes com deus.
    Cinquenta anos passam e você coloca seus netos no karatê. 

    Fábio foi um garoto comum. Fábio é um homem que foi estuprado.

    " Essa cidade é a prova de que Deus errou " - Disse o ratinho.





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    Fileiras e fileiras de pessoas com os braços erguidos, em suas camisas sociais e vestidos longos e comportados demais para o gosto de Jack. As vozes cantavam em coro o hino 83. Jack mal podia distinguir as palavras cantadas, menos ainda as letras que dançavam na página branca do hinário que sua irmã segurava ao seu lado.


    - Senhor se você existe mesmo, acabe com isso, por favor! – Jack pensou enquanto torcia para que dessa vez; somente hoje, seus pais não notassem que seus olhos estavam fechados pelo sono, e não por uma longa e devota oração. Nunca funcionou, mas estamos na igreja, milagres acontecem.... É o que dizem!
    Jack não era um ateu militante, na verdade, não se importava com ninguém além de si mesmo. Quem quisesse crer, que cresse e vice-versa.


    Jamais fora obrigado a ir aos cultos no domingo de manhã na Igreja batista do bairro, mas ia ainda assim. Torcia para que o Pastor pregasse uma boa mensagem, que acalmasse o coração de seu pai das intempéries da semana, amenizando assim a bronca que com toda certeza levaria após o culto.


    - Que seja uma boa mensagem, sobre perdão, amor, compreensão.... Essas coisas! - Jack se retorceu na cadeira quando entendeu que a mensagem de hoje, não seria sobre amor, perdão ou compreensão como desejava. Seria sobre os filhos maus de um rei de Israel. Pelo menos uns 40 minutos de sono – Se não fosse é claro, a ida de sua mãe ao banheiro alguns minutos antes, e depois a troca de lugares entre sua mãe e seu pai.


    Com o pai ao seu lado, não poderia dormir nem por um segundo. Tudo o que lhe restou foi esperar ansioso por um plot twist. Talvez o Pastor enfiasse o perdão e o amor no meio de tudo isso, e ele então fosse perdoado por mais uma noite vadeando na rua. Por mais um culto de ressaca e pela vergonha que seus pais passavam com ele. - É tudo que peço senhor, faça esse homem colocar amor e perdão nessa mensagem!
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    As convicções, os planos estáticos e todo tipo de afirmação sobre o futuro me dão calafrios. Quero dizer, nem sempre foi assim. Na verdade, até pouco tempo atrás não era assim.

    Eu tinha certeza de tudo, de casa passo que daria. Tinha planejado quando entraria na faculdade, quando sairia, que faria logo em seguida outra faculdade, que me casaria depois, construiria uma família e viveria o resto da minha vida. Quero dizer, tudo estava muito bem construído, parece ótimo, mas (but, entretanto, porém), a vida tem lá suas surpresas, e cá entre nós, seria um saco se essas surpresas não estivessem por ai, não é mesmo?

    Algumas pessoas meio que vivem dormindo, andam dormindo, comem dormindo, namoram dormindo, dormem dormindo, as vezes elas precisam de um buraco na rua (Surpresa), pra acordar (Deitada no chão quente da rua, com os cotovelos ralados e algumas pessoas rindo com a mão na frente da boca), outras precisam passar por algum choque muito forte, como perder algo que ama ou alguém. Eu felizmente, não precisei nem do buraco e nem dá perda, na verdade não foi preciso muito. Alguns dias de reflexão acerca da vida, e da morte, um livro e um filme foram o suficiente pra me despertar! Mas um dia vou explicar isso melhor...

    Pois bem meu velho, minha velha! Eis-me aqui, começando um blog. 

    Você deve estar se perguntando agora: Júlio, mas já não tava bom demais o facebook pra você ficar falando aquelas abobrinhas lá!? Mas cara, você acha mesmo que é tão legal assim? 
    Responderei essas perguntas, citando Racionais: "Demorou, eu quero é mais, eu quero ter sua alma!"  hauhauhauhauahuahuahuahua 

    Mas, falando sério agora, vou escrever, é tipo o que eu faço no facebook, só que bem mais organizado e agora sobre mais coisas. Vou publicar meus textos, minhas crônicas, meus poemas (Ainda não tenho nenhum), vou publicar sobre os livros que leio, sobre as músicas que ouço e sobre as músicas que vocês indicarem, vamos conversar sobre Molejo, música clássica, funk, vou contar experiências legais, vou escrever sobre a sociedade (tirando sarro é claro, não aguento mais esse papo chato), sobre os filmes que gosto, e os filmes que odeio, sobre Game of thrones, vou escrever sobre meus amores, romances, friend zones e tudo mais...  Pretendo contar sobre minhas viagens (que vão começar), sobre minhas tatuagens (que ainda vão rolar), Sobre trabalho (Se tiver, me dá), futuro, faculdade, emprego, casamento, e sobre tudo dessa vida louca de my god! Vou escrever sobre o que me der na telha! E o lance é que vamos mergulhar juntos nisso tudo, demorou!? hauhauhauhauha

    Enfim, eu quero que você dê boas risadas, chore de emoção, se apaixone, fique desperto! Quero também que me dê seu feedback, seja positivo, seja negativo, que compartilhe se gostar do blog e que comente, comente muuuuuuito, e eu vou te responder porque, não sou um Gênio arrogante, sou um Gênio do povão hauhauhauhauhauahuahahauh Tô brincando, calma amiguinho!

    Este é o meu blog. Um Gentleman, ou não! 
    Um dia eu explico o nome, só preciso antes arrumar uma explicação hahahahha
    Um abraço apertado <3



















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    A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, óculos e close-upJúlio Costa | Transgressor

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